Apesar
de ter tido em Portugal um enorme sucesso com as vendas do seu "Traités de législation civile et pénale" (publicado no início
do século XIX), o filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham foi responsável
pela publicação de uma vasta obra.
"A
Fragment on Government", por exemplo.
Ora,
esboçou neste título o "lema do Bom Cidadão": "To obey
punctually, to censure freely" (ou, em português, "Obedecer
primeiro, criticar depois").
Anos antes, tinha já 'aparecido' o Panóptico. Palavra "inspirada" no vocábulo grego "panoptes" (que significa "tudo ver") e, claro, na personagem mitológica Argos Panoptes, gigante com o corpo coberto de olhos.
Citando
um documento elaborado pela professora Olga Pombo (da Universidade de
Lisboa):
"O
Panóptico era um edifício em forma de anel, no meio do qual havia
um pátio com uma torre no centro. O anel dividia-se em pequenas
celas que davam tanto para o interior quanto para o exterior. Em cada
uma dessas pequenas celas, havia, segundo o objectivo da instituição,
uma criança aprendendo a escrever, um operário a trabalhar, um
prisioneiro a ser corrigido, um louco tentando corrigir a sua
loucura, etc. Na torre havia um vigilante. Como cada cela dava ao
mesmo tempo para o interior e para o exterior, o olhar do vigilante
podia atravessar toda a cela; não havia nenhum ponto de sombra e,
por conseguinte, tudo o que o indivíduo fazia estava exposto ao
olhar de um vigilante que observava através de persianas, de
postigos semi-cerrados de modo a poder ver tudo sem que ninguém ao
contrário pudesse vê-lo.
O
panoptismo corresponde à observação total, é a tomada integral
por parte do poder disciplinador da vida de um indivíduo. Ele é
vigiado durante todo o tempo, sem que veja o seu observador, nem que
saiba em que momento está a ser vigiado. Aí está a finalidade do
Panóptico".
Mas,
se os mecanismos de controlo social levados 'ao extremo' já se
encontravam no Panóptico, formulado antes sequer do ano 1800,
será que a narrativa de "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro"
(escrito em 1949 pelo também inglês George Orwell/Eric Arthur
Blair) foi assim tão inovadora?
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