O jornal Quaternary Science Reviews publicou na passada sexta-feira (no dia 1 de Março, portanto) um estudo - "Earth system impacts of the European arrival and Great Dying in the Americas after 1492" - afirmando que os 'conquistadores' europeus mataram tantos autóctones na América durante o século XVI que 'isso' pode ter acabado por arrefecer o planeta Terra durante a Pequena Idade do Gelo (de 1300 a 1870, sensivelmente).
Como?
Cerca de 60 milhões de pessoas habitavam o continente americano (no Norte, no Centro e no Sul) antes da chegada dos europeus, em 1492 - comparando, por exemplo, com as 70 a 80 milhões de almas que viviam na Europa nessa época (numa área que, na verdade, totalizava menos de metade da terra americana). Ora, no início do século XVII, desses 60 milhões já só restavam cerca de 6 milhões visto que noventa por cento desses habitantes iniciais havia perecido em consequência do extermínio (1), da escravatura e das doenças... Tendo em conta que uma parte substancial dessas pessoas se dedicava à agricultura e tendo também em consideração que com a morte dessas pessoas as tarefas agrícolas até então feitas morreram igualmente, a vegetação tornou a crescer livremente e a não permitir, claro, a concentração de gases capazes de gerar efeito de estufa (como o Co2, por exemplo).
Não sugerindo este estudo que matar deliberadamente pessoas seja o método mais eficaz para arrefecer e, portanto, não deixar aumentar a temperatura do ar do planeta - e não o sugerindo eu tão-pouco... -, e numa época da vida da Terra marcada por acontecimentos de origem vulcânica, as conclusões deste estudo não deixam, em minha opinião, de fazer algum 'sentido'.
(1) - O religioso espanhol Bartolomeu de las Casas escreveu, de facto, (em "História das Índias") o seguinte: "Em quarenta anos morreram, por causa da tirania espanhola, mais de doze milhões de seres vivos, homens, mulheres e crianças. Há sobretudo duas formas que essas gentes que se dizem cristãs usaram para apagar da Terra essas infelizes nações: a primeira foram as guerras cruéis (...), a segunda foi uma opressão, uma servidão tão dura e tão horrível como nunca os próprios animais tinham suportado. A razão pela qual os Cristãos destruíram um tão grande número de seres humanos foi unicamente o desejo insaciável de ouro".
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