15/03/2019

Sinicização e abertura

Muito poucas vezes (se alguma) o Catolicismo foi consensual entre as autoridades políticas (e religiosas) na China.

Se a verdade manda que se lembre que a religião cristã não teve neste país o mesmo 'acolhimento' que chegou a ter no Japão (onde, por exemplo, foram executados adeptos dessa confissão religiosa em 1597), também ordena que se não deixe esquecer que, recentemente, o próprio Partido Comunista Chinês tenha apelado a uma sinicização de toda a actividade religiosa no país - ou seja, o controlo das autoridades chinesas dos vários cultos religiosos aí existentes -, com o argumento de que estes mais não são do que meros veículos para a disseminação da "influência ocidental".

Que é, evidentemente, considerada como perigosa e nefasta.

Ora, numa época em que, como nunca antes, a China se procura 'abrir' ao exterior - e pretende que, ao mesmo tempo, este exterior se 'abra' à China -, não me parece que esse argumento - "influência ocidental" nefasta e perigosa - seja o mais sensato.




Post scriptum:  o imperador de Roma Caius Julius Caesar (ou simplesmente Júlio César) foi assassinado há exactamente dois mil e sessenta e três anos (em 15 de Março do ano 44 antes do nascimento de Jesus Cristo). Cito, ainda assim, um outro vulto romano, poeta - Virgílio -  a partir daquela que se tornaria, segundo as palavras do historiador francês Pierre Grimal, na "Bíblia da nova Roma" - a Eneida: "Outros modelarão, bem o creio, bronzes com vida e sem dureza; extrairão do mármore seres animados; defenderão melhor as causas; medirão com o compasso o curso dos céus e anunciarão o nascer dos astros. - Tu, Romano, sê atento a governar os povos com o teu poder - estas são as tuas artes -, a impor hábitos de paz, a poupar os vencidos e derrubar os orgulhosos.".

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