Se é
certo que, desde há milénios, ao pedaço de terra a que se viria a
chamar depois Península Ibérica, têm acorrido povos
oriundos de várias latitudes tornando-a, pois, um ‘palco’
privilegiado, na Europa, na confluência de muitas culturas e
civilizações, poderia um comum visitante da exposição que a
Cordoaria Nacional, em Lisboa, exibiu até há algumas semanas
– “Gigantes da Idade do Gelo e a Evolução Humana” – pensar
que pouco (ou nada) teria a ver consigo directamente, por assim
dizer.
No
entanto, num trabalho publicado pela revista Current Biology
em meados do passado mês de Março, investigadores revelaram que a
‘composição’ genética de agricultores e de
caçadores-recolectores que habitaram o território da referida
Península Ibérica havia sido, na verdade, muito mais diversa do que
anteriormente se pensara: os descendentes de grupos de agricultores e
de caçadores-recolectores que procuraram encontrar na Península
Ibérica o refúgio climático que os rigores da Idade do Gelo
impunham à Europa há mais de 15 mil anos eram o resultado resultado
genético dessa união.
Também
um trabalho que a revista Science publicou (“online”)
igualmente em meados do passado mês de Março – “The genomic
history of the Iberian Peninsula over the past 8000 years” – e
que foi levado a efeito por mais de uma centena de geneticistas,
antropólogos e arqueólogos revelou que uma migração ocorrida há
cerca de 4500 anos (no início da Idade do Bronze) proveniente das
estepes junto aos mares Negro e Cáspio (localizados no território
em que actualmente se situa a Rússia) veio, por sua vez, alterar
significativamente o ‘conteúdo’ genético que então ‘compunha’
o território ibérico.
Mas,
de facto, o que estes estudos vieram, uma vez mais, confirmar é que
o material genético de cada um de nós nada mais é do que o
resultado de sucessivas vagas de migrações e de ‘misturas’.
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