24/05/2019

A importância de recuperar a memória

O Cineteatro Mouzinho da Silveira – localizado em Castelo de Vide, no distrito de Portalegre – acolheu nos dias 17, 18 e 19 do corrente mês uma conferência internacional subordinada ao tema, por assim dizer, “Valorizar e Recuperar a Herança Perdida”.

Ora, admito que cheguei mesmo a pensar que só muito dificilmente uma conferência sobre a identidade judaica de (e em…) Portugal poderia realizar-se noutro local que não naquela região do país.

Pensei mal, evidentemente.

Porque, efectivamente, decorre hoje e amanhã na Universidade de Évora uma "evocação dos 450 anos da morte de Garcia de Orta (1568-2018)".

Recordo que Garcia de Orta nasceu precisamente em Castelo de Vide. Judeu, tornar-se-ia médico e botânico tendo morrido na Índia (em Goa).

Ora, numa altura em que em muitas zonas do continente europeu (e também em Portugal) se discute com base em notícias falsas e de forma "populista" a identidade, julgo não ser tarde para, pouquíssimos dias depois do Dia da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, e recordando uma frase proferida por Garcia de Orta – "A verdade tem pés, e anda e nunca morre" –, se recuperar a memória já que esta, como 'representante' única do passado, 'representa' igualmente a única verdade.

Uma memória ‘composta’, também, de intolerância, de ódio e de barbárie. Social, económica, étnica e religiosa.

E perguntar: é esse o ‘caminho’ que queremos trilhar novamente?

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