29/05/2019

Rússia, um gigante na Eurásia

Assinala-se hoje o 5.º aniversário da constituição da União Económica Euro-Asiática.

Efectivamente, esta organização conta, cinco anos passados desde a sua fundação, com precisamente cinco Estados-membros: Rússia, Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão e Quirguistão.

Todos países integrantes da então União Soviética.

A Rússia, principal ‘herdeira’ desta, continua a ser, actualmente, o país com a maior dimensão territorial do mundo – com mais de dezassete milhões de quilómetros quadrados (mais de cento e oitenta vezes maior do que o território português se se não considerar a extensão da sua plataforma continental…): por exemplo, a costa russa banhada pelo Ártico* estende-se por cerca de vinte e quatro mil quilómetros desde Murmansk (perto da Noruega) até Petropavlovsk-Kamchatsky (perto do Japão).

De facto, o presidente do conselho de supervisão do Instituto Demográfico, Migrações e Desenvolvimento Regional da Rússia (então Yury Krupnov) veio também propor, entretanto, a adopção de uma série de medidas no sentido de ‘aproximar’ o seu país do que muitos têm vindo a apelidar há anos de "verdadeiro centro geopolítico do mundo" – o Extremo Oriente: propunha, desde logo, a mudança territorial da capital russa – Moscovo – para uma localização mais ‘consentânea’ com o referido centro geopolítico. Ou seja, (muito) mais para Leste do que aquela de hoje**.

Se, na verdade, a Rússia é o ‘maior’ país do mundo, "congrega" não mais do que cerca de cento e quarenta e dois milhões de habitantes sendo que, de entre estes, mais ou menos vinte e oito milhões (vinte por cento do total) vivem em Moscovo e nas áreas circundantes…

Ora, mesmo que esta e outras mudanças não venham a ter lugar, penso ser necessário nunca perder de vista a noção de equilíbrio entre as ‘vertentes’ geopolítica e económica da União Económica Euro-Asiática e o que o presidente russo Vladimir Putin enunciou no discurso que fez na última reunião do "Projecto Uma Faixa, Um Caminho" que teve lugar na capital chinesa entre os dias 25 e 27 de Abril último: "a preservação da cultura e da identidade espiritual" das nações envolvidas.





* Cerca de um quinto do território continental da Rússia ‘integra’ a região ártica. Ora, um estudo divulgado pelo gabinete geológico norte-americano em 2008 estimou que o Ártico albergava cerca de 13% das reservas mundiais de petróleo e cerca de 30% das reservas mundiais de gás natural (para além de ouro, de urânio, de diamantes e de outros metais e elementos preciosos e raros e de peixe). Não é certamente por acaso que a Rússia tenha posto recentemente ao serviço da sua frota o terceiro navio quebra-gelo - o Ural - nem que detenha cerca de 96% de todos os recursos naturais de que o seu ‘tecido’ industrial e humano necessita. E também não me custaria nada acreditar que, sendo o ‘maior’ país do mundo, a Rússia reunisse alguns dos mais de cento e dezassete milhões de lagos que ‘polvilham’ a superfície do planeta Terra (e que cobrem, lembro, cerca de quatro por cento dos ‘terrenos úteis’)...

**  O czar Pedro, o Grande tinha já estabelecido a cidade 'ocidental' de São Petersburgo como a nova capital da Rússia em Maio de 1703.




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Disputa-se hoje o jogo final da edição 2018/2019 da Liga Europa.

Sem um dos jogadores ‘fundamentais’ para uma das equipas envolvidas: Henrikh Mkhitaryan (pelo Arsenal).

O jogador, nascido na Arménia, recusa-se a participar no referido encontro uma vez que este se ‘desenrola’ no Azerbaijão, país com o qual a Arménia tem um diferendo (que já causou milhares de mortos) a propósito da região de Nagorno-Karabakh que, recordo, "foi atribuída pela URSS ao Azerbaijão mas os habitantes, pouco mais de 130 mil, não abdicam da sua identidade arménia, posta em causa quando uma declaração unilateral, embora sem reconhecimento internacional, transformou o enclave num estado independente".

Ora, tudo isto me leva a concluir que também esta situação mostra exemplarmente como um evento desportivo consegue alcançar uma dimensão que em muito transcende a mera reunião para competição de resultados e classificações.

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