01/06/2019

D. Dinis e a fronteira de Portugal

Dizia um pequeno texto que há algum tempo encontrei no Museu do Dinheiro, em Lisboa, o seguinte:


"Com apenas 17 anos, D. Dinis (1261-1325) iniciou um longo reinado que o consagrou como um dos monarcas de maior relevância na sua época. Fixou as fronteiras de Portugal, cuja configuração é a mais antiga da Europa, e impulsionou estrategicamente o comércio nacional e internacional. A ele se deveu a grande importância dada, nesta época, ao ensino, à língua portuguesa e à cultura – merece destaque o vasto legado trovadoresco da sua autoria".


Ora, devo relembrar que a este interesse pela cultura e pela língua portuguesa não foi seguramente alheio o facto de D. Dinis ter sido o primeiro rei português que sabia ler…

Mas quero dizer, também, algumas coisas em relação à frase "Fixou as fronteiras de Portugal, cuja configuração é a mais antiga da Europa".

Fixou, efectivamente, a fronteira de Portugal nos últimos anos do século XIII mas tal não significa que a sua configuração seja a mais antiga da Europa.

Ou seja, isso não será, pura e simplesmente, exacto.

Se, de facto, o tratado de Zamora, assinado, em Outubro de 1143, por D. Afonso Henriques e o seu primo Afonso VII de Leão e Castela, levou ao "nascimento" daquele que pode ser, actualmente, considerado um dos mais antigos Estados-nação do mundo, o tratado de Alcanizes, por sua vez, tendo sido assinado em 1297 por D. Dinis e por D. Fernando de Leão e Castela "definiu os limites do território continental português, que não tiveram alteração posterior, à exceção da perda de Olivença em 1801", como refere um artigo de apoio do portal Infopédia.

Ou seja, o facto de se 'encarar' a configuração fronteiriça portuguesa como a mais antiga da Europa só é válido se se considerar que os quinhentos e quatro anos que mediaram 1297 e 1801 era a ‘duração’, em 1801, mais antiga na Europa relativamente à configuração fronteiriça de um dado país não sendo, pois, correcto nem verdadeiro considerar-se que Portugal tem as fronteiras mais bem definidas – no que se refere à sua antiguidade – no continente europeu (de 1297 até hoje, 1 de Junho de 2019) "esquecendo-se" o roubo e a não devolução (com ou sem aspas) de Olivença…

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