16/08/2019

Estudos (pouco) credíveis

Um dos mais conceituados centros de pesquisa norte-americanos, o Pew Research Center, divulgou, no início de Agosto de 2017, um estudo – "Globally, People Point to ISIS and Climate Change as Leading Security Threats" – que teve por base as respostas de 41 953 pessoas espalhadas por 38 países em todo o mundo (na América: Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos da América, Colômbia, Canadá, Venezuela, México e Peru; em África: Tunísia, Gana, Quénia, Tanzânia, África do Sul, Senegal e Nigéria; na Europa: França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Países Baixos, Polónia, Espanha, Suécia, Reino Unido, Rússia e Turquia; na Ásia: Japão, Filipinas, Israel, Líbano, Índia, Indonésia, Vietname, Coreia do Sul e Jordânia; na Oceânia: Austrália).
Concluiu-se, então, que "de entre oito possíveis ameaças à segurança dos países em que vivia, a maior parte dos habitantes do planeta ‘elegeu’ o Estado Islâmico e as alterações climáticas".

Lembro-me de, de facto, ter concordado com a justeza desta ‘eleição’.

No entanto, e embora não fosse um especialista em estudos de opinião ou, se se quiser, em sondagens, consegui formular a minha própria opinião acerca da metodologia utilizada por este estudo.

Assim, e segundo as contas que então fiz, os trinta e oito países escolhidos contavam cerca de 3 biliões, 828 milhões e 293 mil habitantes.

Ora, as 41 953 pessoas seleccionadas pelos autores da pesquisa para darem as suas respostas correspondiam, em termos percentuais, a 0.001% do ‘valor’ populacional que apurei.

Considerei, por isso, que não era possível fazer-se qualquer juízo sério a partir desta percentagem e, muito menos, extrapolar para uma parte da humanidade a opinião de alguns milhares de pessoas (não que não seja, evidentemente, passível de ser ‘escutada’) já que a margem de erro era ínfima.

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