22/08/2019

Integração 'perfeita'?

Lembro-me de ter visto (e ouvido) uma reportagem que uma estação televisiva portuguesa emitiu, há alguns anos, sobre vários portugueses que haviam sido expulsos dos Estados Unidos da América para as suas terras de origem, nos Açores.
Pareceu-me que os ‘entrevistados’ que participaram naquele trabalho de investigação – todos eles – se "esqueceram" de dois aspectos que eram (e são), para mim, fundamentais: o de que eram estrangeiros naquelas novas terras e o de que havia regras sociais a cumprir (tal como, claro está, existem em todo o lado).

Ou seja, não conseguiram, por razões várias, conjugar as "fronteiras" da sua identidade cultural com as da sociedade de acolhimento.

Lembro-me, também, da intervenção, na dita peça jornalística, de alguém que trabalhava como sociólogo junto desses ‘repatriados’: estes estavam, disse então, "perfeitamente integrados" quando foram ‘apropriados’ pelo sistema judicial.

"Perfeitamente integrados"?

Ora, como se poderá considerar que alguém estava "perfeitamente integrado" numa dada sociedade se vivia uma existência à margem da lei (admitida e pormenorizada, de resto, por todos os entrevistados…) e que, depois, foi judicialmente condenado?

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