Foi há praticamente dois anos que o embaixador da Coreia do Sul em Portugal – Chul Min Park – deu uma palestra nas instalações do Museu do Oriente, em Lisboa.
Lembro-me de nela ter falado, por exemplo, da primazia, no país asiático, do "nós" sobre o "eu" (e seus ‘derivados’ como "nosso" ou "meu", claro).
"O
nosso mundo", "o
nosso país", "a
nossa casa", "a\o
nossa\o filha\o", "o
nosso marido", "a
nossa mulher"…
Ora,
tendo sido criado numa cultura ocidental, se se quiser chamar-lhe
assim, em que o individualismo foi – e é – a referência
primordial, é-me algo difícil compreender os fundamentos que
levaram à "instalação" desse modo de ser e de estar na vida que
privilegia o igualitarismo e o sentido de comunidade (que passa,
também, pela linguagem adoptada).
Uma
espécie de colectivismo cultural, pois.
Uma
solução para contrariar essa incompreensão?
Tentar, em primeiro lugar, "libertar-se" das barreiras impostas pela Cultura
travando um diálogo com autores de outros tempos, de outros lugares
e de outros domínios disciplinares.
Post
scriptum:
No entanto, o texto (ou melhor, o artigo) que o jornal South
China Morning Post
publicou, "online",
há
poucos anos também – "Is
South Korea ready to take on racism? First, it must admit it exists"
– revelou dois aspectos que me pareceram
ser essenciais para melhor se perceber esse colectivismo cultural: o
primeiro foi o facto de a Coreia do Sul ser um dos países
etnicamente mais homogéneos do mundo e o segundo o ‘resultado’
de um estudo levado a efeito em 2015 por um instituto sul-coreano que
descobriu que 94.5% dos cidadãos estrangeiros residentes (suponho
que residentes) em Seul tinha já sido "alvo" de algum tipo de
discriminação (racial, por exemplo). Ora,
suponho que também
a
cultura
de um povo possa, como tudo na vida, ter o "reverso da medalha", certo?
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