10/09/2019

A política radical

Cito algumas palavras que o sociólogo inglês Anthony Giddens escreveu em meados da década de 1990 na sua obra "Beyhond Left and Right. The Future of Radical Politics":


"Em cada circunstância social, é limitado o número das maneiras de lidar com os casos de confronto de valores. Uma dessas maneiras é através da segregação geográfica… Outra, de tipo mais activo, é através do êxodo… Uma terceira maneira de lidar com as diferenças entre indivíduos ou culturas é através do diálogo. Neste caso, o confronto de valores pode, em princípio, dar-se sob um signo positivo – ou seja, pode ser um meio de incrementar a comunicação e a autocompreensão. Por último, o confronto de valores pode ainda ser resolvido através do recurso à força ou à violência… Na sociedade globalizante [quereria dizer-se globalizada?] em que presentemente vivemos, duas destas quatro opções afiguram-se drasticamente reduzidas".


Tenho, desde logo, muitas dúvidas quanto a considerar que o planeta acolhe, actualmente, uma só comunidade humana: apesar de eu não reprovar e, pelo contrário, incentivar o que acho serem as virtudes da globalização, continuo a achar que os vários ‘agrupamentos’ humanos da Terra são (ainda?) possuidores de características culturais e outras que impedem que se ‘unam’ como uma só sociedade no sentido em que o autor a entenderia.

Ou seja, como escreveu o aqui já por mim citado escritor de origem libanesa Amin Maalouf no seu "Um mundo sem regras", são bastantes as "tribos planetárias que formam a humanidade, hoje".

Não consigo perceber, pois, quais as duas opções consideradas quase inviáveis no que respeita à forma como o autor entendia como modos possíveis de lidar com a diferença.

Seriam a violência e a segregação?

Basta, no entanto, que se recordem os acontecimentos passados na América, na Europa, em África, na Oceânia e, mais recentemente, na Birmânia (ou Myanmar, na Ásia), por exemplo, para perceber, creio, que tais ‘episódios’ estão sempre a acontecer...

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