Uma
das ideias-chave da entrevista que a historiadora marroquina
Fatima Harrak concedeu ao jornal Público
num dos derradeiros
dias do passado mês de
Setembro foi a de que deveria estudar-se mais a escravatura.
Ora,
concordo, efectivamente,
com a importância de se estudar e melhor tentar compreender o
movimento esclavagista mundial até porque tais palavras foram 'produzidas' tendo como pano de fundo, por assim dizer, o núcleo museológico que, ao que tudo
indica, será construído em Lisboa sobre os Descobrimentos que os
portugueses – ou melhor, parte deles – fizeram em determinado
período da História de Portugal.
De facto,
o nome que irá ser atribuído a tal museu tem suscitado discussões
mais ou menos 'acaloradas' – e, também, mais ou menos
democráticas… – consoante 'onde' os interlocutores se
situem: de um lado têm estado os que consideram que Portugal 'utilizou' os Descobrimentos não apenas para chegar a muitas
terras e a povos até então desconhecidos para muitos mas também
para 'descobrir' formas de explorar, física e espiritualmente,
muitos dos seres humanos 'descobertos' – a escravatura –, e
do outro lado têm estado aqueles para quem os 'esquemas' da
escravatura postos em prática por esses portugueses 'descobridores'
foi não mais do que um mero detalhe comum a muitos outros "povos
descobridores" dessa época como o espanhol, o inglês, o holandês
ou o francês.
Posto
isto, enquanto que reconheço que Portugal foi, no contexto dos
chamados descobrimentos, responsável por 'ampliar' – e não
por criar – o comércio escravo como o transporte de milhões de
pessoas de África para a América ou a vinda de milhares de
africanos para serem explorados pelos seus senhores em Portugal,
defendo que esse museu poderia ser designado por "Museu dos
Descobrimentos portugueses".
Mas 'isto' não é mais do que história e um nome de um museu.
Tenho,
assim, que relativizar…
O
que, efectivamente, me preocupa muito mais é que em pleno século XXI se
continuem a verificar situações que configuram escravatura: de acordo com um
documento elaborado em
conjunto com a Organização
Internacional do Trabalho,
a Walk Free
Foundation revelou,
através do "Global
Slavery Index",
de 2018, existirem então
mais de 40 milhões de
escravos em todo o mundo e, mais detalhadamente, 403 mil nos Estados
Unidos da América ou
136 mil no Reino Unido, por exemplo...
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