30/11/2019

A efemeridade e a eternidade

A temática central, por assim dizer, do pequeníssimo texto que agora escrevo é o furto, na Alemanha, há poucos dias, de 'jóias nacionais'.

Ora, se há muito que sei que há quem, por amor ao efémero dinheiro, se apodere ilicitamente de objectos importantes para a História - e, claro, também para a Identidade - de um país (pense-se no 'caso' de alguma azulejaria em Portugal, por exemplo), fico atónito sempre que alguém, através de métodos aparentemente simples, por assim dizer, consegue como que enganar/iludir os supostos sistemas de 'alta segurança' de um espaço físico (um museu, por exemplo) e roubar (ou furtar) 'peças' imensamente importantes.

Mas, a verdade é que os indivíduos e os seus malabarismos criminosos desaparecerão (que pena tenho que nunca se lembrem disso...) enquanto que um país e a sua História viverão sempre (quanto mais não seja nos livros).

29/11/2019

Ainda das religiões

Tenho aqui escrito ultimamente sobre religiões.

Não sendo este um blogue religioso, por assim dizer, quero apenas fazer (mais) uma citação.

Esta de um escritor francês – Stendhal (psudónimo de Henri-Marie Beyle), que viveu em dois séculos, de 1783 a 1842: "Todas as religiões são fundadas sobre o temor de muitos e a esperteza de poucos".

28/11/2019

A origem do monoteísmo

Segundo um manual escolar da disciplina de História que "uma vez" usei, "A grande originalidade da civilização hebraica reside na revolução religiosa, operada, gradualmente, num período que podemos situar entre 1500 e 600 a.C [antes da data geralmente atribuída ao nascimento de Jesus Cristo]. Ao contrário dos outros povos do seu tempo, que eram politeístas, os Hebreus adoptaram o monoteísmo: acreditavam que o seu deus – Jeová ou Javé – era superior a todos os outros deuses e os conduziria de novo à Terra Prometida, tal como tinham feito Abrãao e Moisés. Mais tarde, os Hebreus passaram a acreditar que o seu Deus era único e fora ele que criara e governava todos os homens da Terra (Todo-Poderoso). Tratando-se de um deus espiritual, não era representado através de imagens".

27/11/2019

"Haj"

Já aqui escrevi algumas vezes sobre o Islão.

Mas não isto: são milhões aqueles que, todos os anos, partem de vários lugares do mundo, da Turquia à Indonésia, por exemplo, com o objectivo de cumprir o último dos cinco 'mandamentos' da doutrina de Maomé - a peregrinação ("Haj", em árabe), por todos os muçulmanos, a Meca (na Arábia Saudita) pelo menos uma vez na vida.

26/11/2019

Dupla vitória

A recente vitória de um português treinador de futebol numa competição internacional ao serviço de um clube estrangeiro - neste caso, brasileiro - trouxe-lhe, sem dúvida, reconhecimento profissional (e pessoal).

No entanto, tendo em conta a enormíssima cobertura mediática que envolveu essa vitória, penso que existiu uma outra personalidade que obteve também uma melhoria na projecção da sua imagem pública, sim, mas igualmente cultural e identitária: refiro-me ao país Portugal.

Uma personalidade colectiva, claro.

A vitória de Jorge Jesus deu a Portugal uma imagem - renovada?? - de um país 'berço' de gente inovadora, sagaz, empreendedora e sem medo de arriscar.

Imagem verdadeira?

Ou falsa?

25/11/2019

"Citius, Altius, Fortius" em Macau

É claro que os mais de setecentos atletas que participaram na primeira edição dos Jogos da Lusofonia que aconteceu em Macau, na China, no ano de 2006 (de 7 a 15 de Outubro) quiseram obter (pelo menos) uma das cento e cinquenta e três medalhas em disputa, em quarenta e oito modalidades.

E talvez tenham tido também presente o lema dos Jogos Olímpicos – "Citius, Altius, Fortius" (ou, em português, "Mais rápido, mais alto, mais forte").

Mas de certeza que também se lembraram, em cada momento de concentração mental nesse evento, da tradução portuguesa da versão originalmente composta em língua inglesa do lema "4 Continents, 1 Language, United by sport!" (ou, em português, "4 Continentes, 1 Língua, Unidos pelo desporto!") que adoptou – bem como, talvez, na frase que o compositor e cantor brasileiro Caetano Veloso incluíra vinte anos antes na canção "Língua" – "Minha pátria é minha língua".

23/11/2019

O assassinato de JFK e a Verdade

Assinalaram-se ontem os cinquenta e seis anos do assassinato do presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy (JFK).

Foi efectivamente em 22 de Novembro de 1963 que JFK foi morto.

Por quem e por que razões são perguntas a que a Verdade talvez nunca venha a responder definitivamente.

22/11/2019

Fidalgos intemporais

"Os fidalgos, a quem o soberano fazia doações de vilas e outros lugares, não só não guardavam aos moradores os seus usos e costumes, os seus foros e liberdades, evitando por todos os modos que as queixas dos oprimidos chegassem aos ouvidos do Rei, mas com a numerosa e insolente comitiva que os acompanhava, cometiam toda a casta de violência. Tomavam as roupas alheias, e serviam-se delas até as inutilizarem; roubavam as galinhas, a palha e a lenha; forçavam as mulheres e filhas dos habitantes dos lugares; praticavam, enfim, malfeitorias de tal ordem que os moradores, diz o povo, queriam antes que os vendessem a mouros, do que os deixassem ficar na sujeição em que se encontravam".


Esta não é uma citação que ‘retirei’ do livro de Luís Sá (dirigente do Partido Comunista Português), publicado no ano 2000, "Traição Dos Funcionários? Sobre a Administração Pública Portuguesa" mas uma citação que li ‘retirada’ do livro escrito por Henrique da Gama Barros em 1885 "História da Administração Pública dos sécs. XII a XV".

Mas será que descendentes dos fidalgos de outrora e muitos dos seus costumes aqui descritos, apesar de ‘adaptados’ ao tempo de hoje, não continuam a existir em Portugal?



21/11/2019

O muro alemão

Os "países vencedores" da II Guerra Mundial acharam conveniente dividir a Alemanha como forma de a impedir de se vir novamente a tornar um ‘perigo’ para a Europa e para o mundo.

No fundo, dividir para reinar.

Assim, o país foi retalhado em duas áreas de influência: a zona Leste da Alemanha ficaria sob o domínio da União Soviética (a chamada República Democrática da Alemanha, R. D. A.) e a zona mais a ocidente (a chamada República Federal da Alemanha, R. F. A.) – tomando como ponto de referência, por assim dizer, a cidade de Berlim – seria controlada pelos Estados Unidos da América, pela França e pelo Reino Unido.

Ora, nos doze anos que separaram 1949 e 1961, fugiram cerca de três milhões de alemães – um em cada cinco habitantes – da zona Leste para a zona de influência "ocidental".

Até que nesta última data, 1961, precisamente, um muro com cento e cinquenta e cinco quilómetros de extensão foi construído pelas autoridades controladas pela União Soviética para estancar essa ‘sangria’ populacional.

Construído em 1961, o muro foi apenas destruído em 1989.

Alguém ganhou?

20/11/2019

O oceano Pacífico

O oceano Pacífico é a maior massa de água do planeta Terra.

Banha cerca de cento e cinquenta e cinco milhões de quilómetros quadrados ("grandes porções" dos continentes asiático e americano são banhadas pelo oceano Pacífico).

Na verdade, este oceano 'ocupa' cerca de um terço da superfície terrestre: a terra que compõe o 'chão' do oceano Pacífico é tão extensa que poderia albergar todos os continentes da Terra.

O oceano Pacífico deve o seu nome - Pacífico - ao navegador português do século XVI Fernão de Magalhães.

No entanto, só é exacta essa paz por vezes,  evidentemente, e só à superfície: debaixo de água, 'escondem-se' as placas tectónicas, responsáveis por causarem "poderosos" tremores de terra e actividade vulcânica.

19/11/2019

A Pangeia actual

Os continentes que hoje conhecemos foram, há centenas de milhões de anos, apenas um só: Pangeia.

No entanto, ainda que a configuração da Terra seja, presentemente, diferente da que era nesse tempo, creio que não se pode 'falar' na existência de seis ou sete continentes.

Porquê?

Começo pela América: entre o Norte e o Sul existe o istmo do Panamá.

Continuo pela Europa e pela Ásia e constato a não existência de uma espécie de fronteira física que me 'diga' que "aqui acaba a Europa e começa a Ásia" e vice versa.

E também não existe qualquer fronteira física que separe África e Ásia: o istmo do Suez une as duas grandes massas terrestres.

Ou seja: será que se deve continuar a pensar a Terra com seis (ou sete) continentes?

18/11/2019

Neom

O governante da Arábia Saudita afirmou já serem necessários quinhentos biliões de dólares americanos (500.000.000.000) para construir uma nova cidade a partir de terras desérticas e sem um centímetro de linha costeira.

Segundo os especialistas que trabalham para Mohammed bin Salman, a cidade - Neom - irá ter táxis voadores, dinossauros robotizados, câmaras de videovigilância apetrechadas com a mais recente tecnologia (em nome da segurança, claro), areia que brilha no escuro,  hospitais 'ultramodernos', uma lua artificial, um projecto para alteração genética de seres humanos (para os tornar mais 'fortes'), ...

Ora, a minha pergunta é só uma: tudo isso será a favor ou contra o Homem?

16/11/2019

O Cristianismo, ontem e hoje

Um manual escolar 'disse-me' o seguinte:


"Numa província do Império Romano - a Judeia, na Palestina - vai surgir, no tempo do imperador Octávio César Augusto, uma religião totalmente distinta da romana e de outras já estudadas. Alicerçada na figura de Jesus Cristo, filho de um Deus único, a nova religião causou grande impacto nas sociedades da época devido ao carácter inovador dos princípios que defendia. O sentido humanista e universal do Cristianismo, que não distinguia classes, raças ou povos, explica a sua rápida difusão por todo o Império Romano. Os valores cristãos perduram ainda hoje nas sociedades do mundo ocidental".


Ora, o que aonteceu, entretanto, ao referido "sentido humanista e universal do Cristianismo, que não distinguia classes, raças ou povos" que explicou grandemente a sua "rápida difusão por todo o Império Romano" depois de o mundo ter assistido, por exemplo, à Inquisição, ao colonialismo ou à escravatura dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX?




15/11/2019

O ateísmo

Sobre a palavra ateísmo.

Deriva do grego atheiôtes, que, por sua vez, deriva de atheos: a (negação) e theos (Deus).

Assumindo-se, efectivamente, como uma doutrina que exclui a existência de Deus, aquele que se 'intitula' ateu rejeita e nega, pois, a existência de uma qualquer entidade, por assim dizer, divina.

14/11/2019

A empresa mais valiosa de sempre

A Companhia Holandesa das Índias Orientais (a "Vereenigde Oostindische Compagnie"), li num artigo publicado pela revista holandesa Duth Review em Dezembro de 2017 ("The Dutch East India Company was richer than Apple, Google and Facebook combined"), foi a empresa mais 'valiosa' em toda a História do mundo.



7.9 triliões de dólares (segundo as taxas de câmbio actuais, claro).



Criada em 1602 como empresa privada a quem tinha sido concedido o monopólio do comércio das especiarias durante duas décadas (pelo que combateu ferozmente, por exemplo, a portuguesa Companhia das Índias), a empresa dos actualmente designados Países Baixos conseguiu atingir esse valor por volta do ano 1637.



Ora, apesar de nada saber da estrutura accionista, por assim dizer, da referida empresa não me custa especular que alguns dos seus donos seriam descendentes dos judeus expulsos por Portugal.






Post scriptum: a referida Companhia não teve, no entanto, apenas uma função comercial pois foi, também, um ‘veículo’ essencial da máquina esclavagista da Holanda de então. Creio, de facto, que não há bela sem senão...

13/11/2019

A invenção da escrita

Escreveu Gilbert Lafforgue no seu livro "A alta antiguidade das origens a 550 a. C." o seguinte:

"Esta invenção [a escrita], que substitui a infiel tradição oral e permitirá assim um dia o aparecimento da literatura e das ciências, é, com a agricultura, a mais importante da História. (...) Surgida em primeiro lugar na Mesopotâmia (cerca de 3500 a. C.), depois no Egipto (cerca de 3200 a. C.), a escrita será adoptada ou reiventada por todos os Estados ricos".

12/11/2019

O genocídio arménio

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América reconheceu há poucos dias a existência do genocídio arménio.

Tal decisão, tomada por larga maioria, enfureceu as autoridades turcas e levou o país norte-americano a juntar-se a cerca de três dezenas de países, de todo o mundo, por assim dizer, que reconhecem oficialmente essa tentativa de extermínio do povo arménio.

Entre 1.2 milhões e 1.5 milhões de arménios terão, pois, sido mortos pelas tropas do Império Otomano durante a I Guerra Mundial.

Recordo também que o referido Império era, ao tempo, aliado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro.


11/11/2019

A revolução russa

A semana que agora começa marca mais um aniversário do início da revolução russa.

Foi um período tumultuoso para o gigante do Leste (quero dizer, de Leste ou de Oeste dependerá de onde se esteja...) que transformou, positiva e negativamente, a "face" política, social, económica e cultural da Europa e do Mundo no século XX.

E, em 2019, continuará?

09/11/2019

Ir a um museu e reflectir

O Museu Nacional de Arte Antiga inaugurou, há alguns meses, uma exposição com o título "Museu das Descobertas".


Escreveu, a propósito, no seu sítio o seguinte: "O efeito transfigurador que o museu tem sobre o visitante é consequência de um mundo insuspeito de saberes, aplicados no contínuo trabalho de preservar, estudar e comunicar dissipando engano e dúvida. O museu existe para proporcionar uma experiência pessoal a quem o visita, fruto daquela que desenvolvem os que nele trabalham, dia após dia. A experiência do museu assenta no ato magnético e muito pessoal da contemplação, e esta, por seu turno, origina-se no valor insubstituível do objeto como testemunho intemporal e redentor da capacidade criadora humana. Ao Museu Nacional de Arte Antiga pareceu oportuno levar a cabo a organização do presente projeto, abrigado sob a designação provocadora de Museu das Descobertas, num tempo que assiste a uma renovada atualidade do conceito de museu, amplamente ilustrada na febre constitutiva de novas instituições".


Ora, é para mim evidente que o mero acto de se visitar um museu leva, desde logo, a construir-se uma reflexão sobre uma qualquer dimensão da nossa vida, enquanto povo.

Dimensão passada ou presente: pode ser a escravatura, o colonialismo, a a arte ou religião, por exemplo.

E, considerando somente esse facto, ir-se a um museu já vale a pena.

08/11/2019

Revoluções em Portugal

Li há muito, num manual escolar, que Revolução era uma "transformação radical, e geralmente violenta, de uma estrutura política, económica e social".

Ora, é claro que qualificar um determinado evento de "transformação radical" é subjectivo: aquilo que classifico como radical para outra pessoa, pura e simplesmente, não o é...

Ainda assim, quantos acontecimentos da (e na) História de Portugal se poderão 'classificar' de revoluções?

07/11/2019

O alfabeto 'ocidental'

Nem sempre um alfabeto se limita a ser, apenas e só, um conjunto de letras.

Nem uma mera característica cultural de um dado povo, território ou país.

Um exemplo: o alfabeto grego constituiu um importantíssimo legado civilizacional para o chamado mundo ocidental já que foi ele quem esteve na génese do alfabeto latino que foi ‘espalhado’ pelos Romanos e que é hoje ainda o principal código escrito desse mesmo mundo ocidental.

06/11/2019

Os Moçárabes

Moçárabes era a designação dada às populações cristãs que viviam no território controlado por Muçulmanos embora mantendo uma grande parte, por assim dizer, das suas tradições e crenças.

05/11/2019

Os homens-bons

Figuras extremamente importantes na configuração territorial e política do Portugal do século XIII, os homens-bons eram quem efectivamente exercia o poder num determinado concelho.

De facto, os homens-bons eram, na sua maioria, proprietários rurais e mercadores no que à 'profissão' se referia e, como representantes (eleitos) pela população, reuniam-se numa assembleia da qual emanavam, por exemplo, os magistrados concelhios e municipais.

04/11/2019

A Idade Média

A Idade Média é a designação tradicional do período histórico que, no continente europeu, 'vai' das invasões dos povos apelidados de bárbaros e do fim do Império Romano (no século V)* até ao começo dos também chamados Descobrimentos e do Renascimento (no século XV).


* Estes "povos bárbaros" mais não fizeram do que desferir o golpe de misericórdia a Roma (que estava já 'minada' pela corrupção...).

02/11/2019

As eras hispânica e cristã

O nascimento do judeu Jesus Cristo tornou-se no ponto de referência, por assim dizer, para o dealbar de uma nova era: a era cristã.

Em Portugal, contudo, essa nova era apenas começou a ser 'utilizada' no reinado de D. João I (em 1422) sendo que até essa altura foi 'usada' a era hispânica (que teve, por sua vez, como seu ponto de referência a data da conquista final de toda a Espanha pelas tropas romanas do imperador Augusto no ano 38 antes do início da mencionada era cristã).