22/11/2019

Fidalgos intemporais

"Os fidalgos, a quem o soberano fazia doações de vilas e outros lugares, não só não guardavam aos moradores os seus usos e costumes, os seus foros e liberdades, evitando por todos os modos que as queixas dos oprimidos chegassem aos ouvidos do Rei, mas com a numerosa e insolente comitiva que os acompanhava, cometiam toda a casta de violência. Tomavam as roupas alheias, e serviam-se delas até as inutilizarem; roubavam as galinhas, a palha e a lenha; forçavam as mulheres e filhas dos habitantes dos lugares; praticavam, enfim, malfeitorias de tal ordem que os moradores, diz o povo, queriam antes que os vendessem a mouros, do que os deixassem ficar na sujeição em que se encontravam".


Esta não é uma citação que ‘retirei’ do livro de Luís Sá (dirigente do Partido Comunista Português), publicado no ano 2000, "Traição Dos Funcionários? Sobre a Administração Pública Portuguesa" mas uma citação que li ‘retirada’ do livro escrito por Henrique da Gama Barros em 1885 "História da Administração Pública dos sécs. XII a XV".

Mas será que descendentes dos fidalgos de outrora e muitos dos seus costumes aqui descritos, apesar de ‘adaptados’ ao tempo de hoje, não continuam a existir em Portugal?



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