Se o lema oficial de Marrocos é
hoje "الله،
الوطن، الملك"
("Deus,
Pátria, Rei" na língua portuguesa) o lema oficioso da Coroa
portuguesa no início do século XV também o era.
Eis,
de facto, o parecer do Infante D. Henrique (a quem, mais tarde,
chamaram "o Navegador") em relação à conquista portuguesa de
Ceuta numa citação que pode ser lida na obra "Documentos sobre a
Expansão Portuguesa" que o historiador Vitorino Magalhães Godinho
escreveria quase cinco séculos e meio depois:
"Mui
alto e mui honrado o excelente rei e Senhor.
Vosso
Irmão e servidor o Infante Dom Henrique, governador da Ordem de
Cristo (…) respondo ao conselho, que me perguntastes, se era cousa
justa de fazerdes guerra aos Mouros da terra de África em as partes
de Belamarim.
(…)
Por
começo deste conselho, é de saber que os fins desta vida são
postas em salvar alma, e honra da pessoa, nome, linhagem, nação, e
em alegrar o corpo, e a derradeira em haver ganço temporal.
(…)
a quarta, que é de ganço temporal, isto não se deve chamar fim mas
azo, e trauta-se para as outras ou para dispender por Deus, ou por a
honra sua ou da sua linhagem.
(…)
E
da guerra dos mouros ser serviço de Deus não há que duvidar, pois
a Igreja o determina. (…) E de ser honra, não quero escrever
porque é a maior honra que há nêste mundo. (…) E de ser prazer,
entendo que de todos é o maior (…) e este dura para sempre nêste
mundo.
(...)
E
pois da guerra dos mouros se consegue serviço de Deus e honra e
prazer, meu conselho é que obreis nela quanto bem puderdes".
A
conquista da praça marroquina de Ceuta – em Agosto de 1415 –
marcou o início da expansão marítima portuguesa.
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