28/02/2020

A união do sangue

Escreveu a professora Maria Cristina Cunha no seu "Estudos sobre a Ordem de Avis (séc. XII – XV)" o seguinte:


"As ordens militares nascidas na civilização ocidental medieval são, antes de mais, uma resposta encontrada pela Igreja e pela sociedade do século XII para o(s) problema(s) levantado(s) pela guerra contra o Infiel".


Mas não foi já na época medieval que foi fundada a Ordem de São Januário (nem o motivo foi a luta contra o ‘Infiel’): foi no século XVIII que esta ordem de cavalaria nasceu tendo como lema "In Sanguine Foedus" ("No Sangue, a União", em português). No Reino das Duas Sicílias, extinto pouco antes da formação do Reino da Itália, em 1861.

Ora, cerca de dois séculos depois da constituição da Ordem de São Januário, uma irmã de D. Maria da Glória – que viria a ser a rainha D. Maria II em Portugal –, a infanta D. Januária Maria, contraiu casamento com o filho do rei do Reino das Duas Sicílias.
 
 
 
post scriptum: aproveito para lembrar que Sicília era, então, parte do continente (e do Estado) italiano mas era também governada isoladamente. Ou seja, uma região – a Sicília – com duas identidades políticas: uma colectiva e outra individual, por assim dizer. Daí a designação "Reino das Duas Sicílias".

Sem comentários:

Enviar um comentário