Escreveu a professora Maria
Cristina Cunha no seu "Estudos sobre a Ordem de Avis (séc. XII –
XV)" o seguinte:
"As
ordens militares nascidas na civilização ocidental medieval são,
antes de mais, uma resposta encontrada pela Igreja e pela sociedade
do século XII para o(s) problema(s) levantado(s) pela guerra contra
o Infiel".
Mas
não foi já na época medieval que foi fundada a Ordem de São
Januário (nem o motivo foi a luta contra o ‘Infiel’): foi no
século XVIII que esta ordem de cavalaria nasceu tendo como lema "In
Sanguine Foedus" ("No Sangue, a União", em português). No
Reino das Duas Sicílias, extinto pouco antes da formação do Reino
da Itália, em 1861.
Ora,
cerca de dois séculos depois da constituição da Ordem de São
Januário, uma irmã de D. Maria da Glória – que viria a ser a
rainha D. Maria II em Portugal –, a infanta D. Januária Maria,
contraiu casamento com o filho do rei do Reino das Duas Sicílias.
post scriptum: aproveito para lembrar que Sicília era, então, parte
do continente (e do Estado) italiano mas era também governada
isoladamente. Ou seja, uma região – a Sicília – com duas
identidades políticas: uma colectiva e outra individual, por assim
dizer. Daí a designação "Reino das Duas Sicílias".
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