19/06/2020

Bicicletas "made in Portugal"

A Federação Europeia de Ciclismo organiza anualmente uma conferência que pretende ser, primeiro, uma plataforma global de partilha de informação e, depois, um meio para influenciar positivamente os decisores políticos dos países no sentido de planearem e fomentarem a utilização diária da bicicleta num ambiente cada vez mais urbano segundo os mais recentes estudos.

Por isso mesmo, essas conferências reúnem não apenas actores políticos mas também representantes da chamada Sociedade Civil e da Academia.

Ora, a conferência que se realizou em 2017 na cidade holandesa de Nijmegen contou com a participação, por exemplo, do próprio rei do país e de Violeta Bulc, então a comissária europeia dos Transportes.

O que mostrou, desde logo, a importância do uso da bicicleta naquele país.

Assim, poucos terão ficado admirados com a escolha do lema que a organização fez para ‘representar’ a conferência: "The Freedom of Cycling" (ou, em português, "A Liberdade de Pedalar").

No entanto, o gabinete de estatísticas da União Europeia – o Eurostat – revelou, nesse mesmo ano, que Portugal era o líder no que à exportação de bicicletas no espaço europeu se referia.

E, simultaneamente, um dos maiores no mundo.

Mas, segundo os autores do relatório "Special Eurobarometer 422a "Quality of Transport"", publicado em 2014, não mais do que 8% dos cidadãos residentes na União Europeia usava a bicicleta como seu meio de transporte num dia ‘normal’.

8% em média, claro: se, nos Países Baixos, 36% encaravam a bicicleta como o seu meio de transporte ‘preferido’, apenas 1% – ou menos – da população de outros países via a bicicleta de forma "amigável".

Recorde-se ainda, por exemplo, o relatório "Special Eurobarometer 412 "Sport and physical activity"", também publicado em 2014.

"Na generalidade, os cidadãos residentes no norte da União Europeia são os mais activos no que se refere à actividade física. A proporção dos que, pelo menos uma vez por semana, fazem algum tipo de exercício físico é de 70% na Suécia, de 68% na Dinamarca, de 66% na Finlândia, de 58% nos Países Baixos e de 54% no Luxemburgo. Por seu lado, os níveis mais baixos de actividade física registam-se nos Estados-membros do sul. A maioria dos inquiridos que afirmou nunca fazer qualquer tipo de exercício físico vive na Bulgária (78%), em Malta (75%), em Portugal (64%), na Roménia (60%) e em Itália (60%)".

Ou seja, "bicicletas made in Portugal"? Sim, mas.


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