03/06/2020

Uma grande abada


O rei D. Manuel I, nascido no dia 31 de Maio de 1469 (em Alcochete) e que se tornaria no décimo quarto monarca de Portugal, escolheu para lema a expressão "Spera in Deo e fac bonitatem" (ou, em português, "Crê em Deus e sê bondoso").

Ora, foi este rei quem primeiro pediu ao Papa que então comandava a Igreja a partir de Roma a introdução da Inquisição em Portugal e foi também ele que enviou, nos primeiros anos do século XVI, uma embaixada ao Papa Leão X – de que constavam, por exemplo, um elefante e peças de joalharia.

E um rinoceronte: um animal que o rei de Cambaia (na Índia) tinha oferecido a Afonso de Albuquerque que, por sua vez, o ofereceu a D. Manuel I que, por sua vez também, o ofereceu a Leão X.

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A gravura do alemão Albrecht Dürer sobre um rinoceronte foi mostrada a toda a Europa a partir de 1515.

Na verdade, o primeiro rinoceronte que o continente vira já desde o Império Romano desembarcou em Lisboa em Maio desse ano vindo da Índia onde o soberano do estado de Gujarate (no Norte da Índia) o tinha oferecido ao rei português D. Manuel I*.

Ora, foi exactamente em Lisboa (perante a corte) que foi organizado um confronto físico entre esse rinoceronte e um elefante no início de Junho desse mesmo ano.

Assim, tendo tal luta saldado-se pela fuga do elefante e como, à época, abada era o nome por que era designado, em Portugal, um rinoceronte, alcançou grande popularidade, por assim dizer, a expressão "levar uma grande abada"…




 
Antes dos Portugueses, em 1515, só os Romanos haviam mostrado à Europa um rinoceronte.

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