10/07/2020

Bibliotecas e Educação

De acordo com o historiador grego Diodorus Sículos, o faraó Ramsés II havia ordenado a colocação da inscrição "Σπίτι της Θεραπείας για την Ψυχή" ("Casa para a Cura da Alma", em português).


Mas foi apenas em 1994 que a UNESCO preparou um manifesto sobre as bibliotecas públicas: "A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais. Só serão atingidos quando os cidadãos estiverem na posse da informação que lhes permita exercer os seus direitos democráticos e ter um papel activo na sociedade. A participação construtiva e o desenvolvimento da democracia dependem tanto de uma educação satisfatória, como de um acesso livre e sem limites ao conhecimento, ao pensamento, à cultura e à informação".


Assim, "A biblioteca pública - porta de acesso local ao conhecimento - fornece as condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais".


Concluindo: "Este Manifesto proclama a confiança que a UNESCO deposita na Biblioteca Pública, enquanto força viva para a educação, a cultura e a informação, e como agente essencial para a promoção da paz e do bem-estar espiritual nas mentes dos homens e das mulheres".


Já em Portugal, foi apenas em 1987 que se institucionalizou a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas assumindo o Estado, pois, que aquelas se constituíam como potenciadoras, ao nível local, da divulgação da informação e do desenvolvimento da literacia.


Ou seja, até 1987, as 'nossas' raras bibliotecas designadas como públicas eram instituições centenárias, algumas com colecções de grande raridade e valor histórico, provenientes de instituições religiosas ou conventos extintos, mas que não correspondiam aos interesses e necessidades de leitura e informação do público em geral, tal como há muito eram conhecidas nos países desenvolvidos.


Podia, assim, há poucos anos, ler-se no sítio da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas o seguinte: "A Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, criada em 1987 e que assinalou no ano passado 30 anos de existência, integra atualmente 220 Municípios que cobrem globalmente todo o território, incluindo Portugal Continental, Açores e Madeira".


Ora, creio que qualquer cidadão português sentirá uma espécie de orgulho sempre que sabe que Portugal alberga, no seu território, algumas das bibliotecas consideradas "mais belas do mundo".


Algumas, com efeito, construídas há séculos como a Biblioteca Joanina (em Coimbra).


No que se refere às características arquitecturais, sobretudo.


Mas, sendo espaços de Cultura e de Educação, será importante que esse mesmo cidadão português orgulhoso se não esqueça "que as pessoas residentes em Portugal tinham, no ano 2000, uma escolaridade semelhante à dos residentes na Alemanha do ano 1930 ou na Roménia de 1970" como o estudo "Benefícios do Ensino Superior" (elaborado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos) concluiu há alguns (poucos) anos.

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