31/08/2021

O dia de Thatcher

Foi em 1991 que os habitantes das ilhas Malvinas (ou, em inglês, "Falkland Islands") festejaram, em 10 de Janeiro, pela primeira vez, o "Dia de Margaret Thatcher".

Tinha sido esta a ‘forma’ que as autoridades da colónia britânica haviam encontrado para homenagear o ‘papel’ da primeira-ministra inglesa aquando da invasão das ilhas sob o controlo britânico pelo exército argentino.

30/08/2021

No Panteão...

Não duvido que a mulher que nasceu nos Estados Unidos da América no início do século XX com o nome Freda McDonald (adoptou depois o nome Josephine Baker) se tenha tornado artista – cantora e dançarina – e tenha, já em França, integrado a "Resistência" durante a Segunda Guerra Mundial e lutado no movimento anti-racista.

O que sei que não irá acontecer é, como amplamente divulgado mediaticamente, ser esta a primeira mulher com a cor de pele negra a entrar no Panteão francês, um edifício construído no século XVIII: por ser um local onde só se permanece se se tiver morrido, depositar-se-ão, sim, os restos mortais da senhora Josephine Baker e não a sua pessoa...

 


 

29/08/2021

O livro que é apenas um pretexto

São vários os livros que gostaria de folhear e, claro, ler.

Existe um que duvido, no entanto, que pudesse encontrar na recém-inaugurada edição de 2021 da Feira do Livro de Lisboa pois, publicado recentemente em língua inglesa, nem sequer estará (ainda?), por exemplo, traduzido.

Escrevo sobre o livro "Tokyo Junkie: 60 Years of Bright Lights and Black Alleys...and Baseball" do norte-americano Robert Whiting.

(Muito) Mais do que ser uma espécie de álbum escrito sobre as aventuras que o autor viveu ao longo das quase seis décadas de permanência em Tóquio, a capital do Japão, este livro dará (espero) ao leitor a perspectiva de alguém que nasceu e viveu parte da sua vida no chamado Ocidente e a outra ‘parte’ no Oriente.

Acredito que, para quem – como eu – nunca esteve em Tóquio, ler este livro originará não apenas o esquecimento dos mais de dez mil quilómetros de distância entre Portugal e o Japão mas sobretudo o ‘reposicionamento’ mental do relacionamento histórico (e, claro, civilizacional) que outrora uniu os povos de ambos os países...

 


 

28/08/2021

A velocidade da Terra

É claro que o meu objectivo ao escrever este texto não é apropriar-me da sabedoria e do(s) conhecimento(s) de Erastóstenes, o matemático grego que, ainda na Antiguidade, ‘mediu’ a Terra.

É sobre esta que, no entanto, escrevo.

O planeta Terra demora vinte e quatro horas a fazer uma rotação completa ao seu próprio eixo.

Ou, mais concretamente, vinte e três horas, cinquenta e seis minutos e quatro segundos.

Ora, uma vez que a circunferência que é o planeta Terra mede cerca de quarenta mil quilómetros, se se medir ("dividir") esta distância pelo tempo referido, conclui-se que o planeta gira a uma velocidade de mais de mil e quinhentos quilómetros por hora.

Já a órbita em torno do Sol decorre, no entanto, a uma velocidade substancialmente maior.



27/08/2021

O restaurante e "O Grupo do Leão"

1885.

Data deste ano a obra que Columbano Bordalo Pinheiro pintou para integrar a cervejaria "Leão de Ouro", em Lisboa.

 


 

Ora, foi precisamente "O Grupo do Leão".

Neste quadro estão representados, de facto, os principais ‘vultos’ da pintura naturalista em Portugal à época: o próprio Columbano Bordalo Pinheiro, claro, o seu irmão Rafael e José Malhoa, por exemplo.

 

 

Pormenor da pintura "O Grupo do Leão"

 

26/08/2021

Danos colaterais em Almada

Foi em 26 de Agosto de 1931 que durante acções revolucionárias levadas a efeito contra o regime político então vigente em Portugal morreram várias pessoas em Almada.

"Danos colaterais", dir-se-ia actualmente.

Vítimas, de facto, de um lamentável acidente: um avião cujo piloto alinhava com os revoltosos pretendia bombardear o Forte de Almada – que simbolizava o regime a derrubar – mas acabou por deixar cair algumas bombas no local assinalado pela tabuleta abaixo reproduzida.

 


 

25/08/2021

A rosa-dos-ventos do Padrão

Não foi há muito tempo que aqui escrevi sobre o Padrão dos Descobrimentos.

E ainda menos sobre a África do Sul.

Ora, escrevo agora sobre a rosa-dos-ventos que adorna o terreiro que dá acesso ao referido Padrão dos Descobrimentos.

Esta tem cinquenta metros de diâmetro e foi inaugurada em Agosto de 1960.

Aproveito para lembrar que, embora tenha sido desenhada no ateliê do arquitecto Cristino da Silva, foi oferecida pela República da África do Sul.

24/08/2021

Países cardeais

"Juba", "Pretória", "Skopje", "Díli" e "Pyongyang".

Não é que não me considere alguém minimamente imaginativo mas estes nomes não surgiram da minha imaginação.

De todo.

Estes nomes correspondem, de facto, a capitais de países que têm, eles mesmos, referência aos principais pontos cardeais: Sudão do Sul, África do Sul, Macedónia do Norte, Timor-Leste e Coreia do Norte, respectivamente.

23/08/2021

O Homem subterrâneo

Existe na capital francesa o "Musée des Égouts de Paris".

Ou seja, o "Museu dos Esgotos de Paris".

Não é, no entanto, necessário ir a Paris, nem muito menos a um esgoto, para se constatar que os seres humanos também se deslocam subterraneamente: pense-se no metropolitano, sobretudo.

E também não o é, de todo, se se equacionar habitar subterraneamente.

Lembrem-se, por exemplo, as cavernas construídas na chamada Pré-História (e que hoje não são mais do que meras atracções turísticas…) e as cidades da Capadócia, na Turquia.

Ou, ainda nos "dias de hoje", na Austrália, nos Estados Unidos da América (em Nova Iorque e em Las Vegas), no Canadá (em Montreal) e na Roménia (em Bucareste).

E no futuro?

21/08/2021

O Côa e a arte rupestre

Um dos locais mais visitados este Verão (e, talvez, também noutros anos) tem sido o Parque Arqueológico do Vale do Côa.

Ora, este espaço é um verdadeiro santuário de arte rupestre feita durante o Paleolítico Superior.

20/08/2021

O Padrão dos Descobrimentos

Foi já este mês que o Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, foi alvo de uma pichagem.

Ou seja, foi sujo por uma inscrição (que suponho ter tido um carácter político).

Parece-me, assim, razoável que elenque as identidades das figuras cuja imagem está presente nesse monumento.

Ei-las: Infante D. Pedro (filho de D. João I); D. Filipa de Lencastre (mulher de D. João I e mãe do Infante D. Henrique); Fernão Mendes Pinto (escritor); frei Gonçalo de Carvalho (dominicano); frei Henrique de Coimbra (franciscano); Luiz Vaz de Camões (poeta); Nuno Gonçalves (pintor oficial do rei português de então, D. Afonso V); Gomes Eanes de Zurara (cronista); Pêro da Covilhã (Viajante); Jácome de Maiorca (cosmógrafo); Pêro de Escobar (piloto); Pedro Nunes (matemático); Pêro de Alenquer (piloto); Gil Eanes (navegador); João Gonçalves Zarco (navegador); Infante D. Fernando (filho de João I); Infante D. Henrique (O navegador – filho de D. João I); D. Afonso V (monarca de Portugal); Vasco da Gama (navegador); Afonso Baldaia (navegador); Pedro Álvares Cabral (navegador); Fernão de Magalhães (navegador); Nicolau Coelho (navegador); Gaspar Côrte-Real (navegador); Martim Afonso de Sousa (navegador); João de Barros (escritor); Estevão da Gama (filho de Vasco da Gama – capitão); Bartolomeu Dias (navegador); Diogo Cão (navegador); António de Abreu (navegador); Afonso de Albuquerque (navegador e vice-rei); Francisco Xavier (missionário espanhol); Cristóvão da Gama (bisneto de Vasco da Gama – capitão).

 

 


 

19/08/2021

José e Miranda

Aproveito este espaço para agora escrever sobre dois cidadãos nascidos no século XX em Portugal e que conseguiram afirmar-se como artistas no Brasil (e não só…): o primeiro nasceu em Agosto de 1924 e chamava-se Francisco José (1).

A outra faleceu em Agosto de 1955 e chamava-se Maria do Carmo Miranda da Cunha (ou Carmen Miranda).

Bravo!





(1) – Numa entrevista concedida no âmbito do programa televisivo "Quem te viu e quem TV" (emitido em 1986 pela R.T.P.) disse o referido Francisco José, por exemplo, o seguinte: "Mesmo que não tivesse tido mais nada de bom na minha vida e que não me tivesse acontecido nada de bom mais na minha vida, valeu a pena ter nascido para conhecer meu Pai e minha Mãe"...

18/08/2021

D. Afonso III, "o Bolonhês"

Ainda ontem aqui escrevi sobre 'ele': D. Afonso III.

De facto, o cognome deste foi "o Bolonhês".

Por ter contraído matrimónio - em 1239 - com uma senhora que tinha como título "Condessa de Bolonha".

17/08/2021

"O Capelo" e a luta

O cognome do rei português D. Sancho II (que viveu entre 1209 e 1248) foi "o Capelo".

Ora, a razão para tal era apenas uma: um chapéu - um capelo - que D. Sancho II havia usado na infância... (uma vez que este rei começou a governar com cerca de quatorze anos de idade, é possível que somente o tivesse deixado de usar devido a ter sido coroado rei).

 

post scriptum: foi num conflito com um irmão que D. Sancho II se envolveu (uma guerra civil) sendo que foi esse quem acabou por ser coroado rei de Portugal com o 'nome' "D. Afonso III" após a morte de D. Sancho II, em 1248, precisamente. 

16/08/2021

Os jograis

Os jograis foram, no Portugal medieval, os principais intervenientes e, simultaneamente, difusores da chamada "cultura popular" pois eram, a um só tempo (por assim dizer), declamadores de poemas, cantores, improvisadores, instrumentistas e bailarinos. 

15/08/2021

A S.C.M.L.

Data do dia 15 de Agosto de 1498 a criação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (S.C.M.L.).

Durante o reinado de D. Manuel I – que, recordo, se prolongou de 1495 a 1521.

"Durante o reinado", sim, mas não por si: antes, pela sua irmã e esposa de D. João II, D. Leonor.

Sendo o ‘resultado’ de uma associação de indivíduos que cria em valores de cariz religioso, a S.C.M.L. assumiu como sua missão o auxílio aos pobres e aos doentes.

 

14/08/2021

Tomar, Misericórdia e Lisboa

Foi construído no século XVI na Rua de São Pedro de Alcântara (ou, dependendo da perspectiva, na Rua do Grémio Lusitano…), em Lisboa, um espaço que acabaria por pertencer ao primeiro conde – que havia sido também, simultaneamente, agraciado com o titulo de marquêsde Tomar.

Já na segunda ‘metade’ do século XIX.

Tal palácio acolheria, depois – entre 1973 e 2013 –, a Hemeroteca Municipal de Lisboa.

Pertence actualmente – desde 2012, por sinal – à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

 

 

Imagem de um pormenor do interior do palácio

 

13/08/2021

Repatrição de pessoas e de obras de arte

Foi já no ano 2021 que foi noticiada a devolução, por uma universidade escocesa – de Aberdeen –, à Nigéria, de uma escultura (representando um rei) que havia sido pilhada por soldados do Exército inglês à mais de um século (em 1897, precisamente).

Será que o repatriamento (ou, se se preferir, expulsão…) de seres humanos que têm sido forçados a Europa ‘acompanhará’ a devolução de objectos outrora pilhados por esta mesma Europa?

12/08/2021

Ferdinand e o "Zeppelin"

A policia de Tóquio, no Japão, recorreu, durante a realização dos Jogos Olímpicos, a balões equipados com câmaras no sentido de patrulhar a actividade grupal para assim poder detectar actividades que qualificava de suspeitas (como manifestações...).

Ora, muito poderia, certamente, escrever sobre este ‘assunto’ mas este não é, no entanto, o meio para o fazer.

Quero, sim, fazer referência ao facto de o "Zeppelin", um dirigível que percorreu a Europa, o oceano Atlântico e os Estados Unidos da América no início do século XX ter sido inventado por um militar do exército alemão: Ferdinand von Zeppelin, precisamente.



11/08/2021

Regozijo como num funeral

O filósofo e místico chinês Lao Tsu (que viveu há milhares de anos) terá, um dia, afirmado o seguinte:



"Celebra a tua vitória como se estivesses presente numa cerimónia fúnebre"...

10/08/2021

A "fossa das Marianas" e o desconhecido

É em pleno oceano Pacífico que se localiza a "fossa das Marianas".

Ora, é exactamente esta a designação do ‘ponto’ mais profundo do planeta Terra: mais de onze quilómetros (a partir da superfície).

Não admirará, pois, que mais de noventa por cento das formas de vida dos oceanos da Terra seja (ainda?) desconhecida dos seres humanos…



 

09/08/2021

Um equilibrista em Nova Iorque

Estados Unidos da América.

Nova Iorque.

Agosto de 1974.

O francês Philippe Petit utilizou uma corda para percorrer a distância entre as duas torres do "World Trade Center".

Tal proeza, realizada a quase meio quilómetro de altura, valeu-lhe a prisão mas Petit acabaria por ser libertado pouco tempo depois.

07/08/2021

Neve no castelo

O Paço da Alcáçova acolheu, durante séculos, a residência dos monarcas de Portugal.

D. João I e D. Manuel I, sobretudo.

Mas não só.

Terá, também, acolhido a neve que vinha da Serra da Estrela e que, no final do reinado de D. João V – que, lembro, governou entre 1689 e 1750 –, se guardou em poços no Castelo de S. Jorge (e, já agora, igualmente na Graça, também em Lisboa) para servir de ingrediente aos então gelados.

06/08/2021

"Financial Times" e "Finantial Times"

Foi no fim do século XIX que foi fundado na capital inglesa um jornal que procurava informar o leitor sobre as movimentações financeiras que ocorriam na cidade.

"Financial Times" foi o título seleccionado.

E não "Finantial Times" como vi anunciado, há dias, num programa televisivo emitido em Portugal.

Ora, sendo que a palavra "finantial" nem sequer existe na língua inglesa, creio que trocar "Financial Times" por "Finantial Times" talvez não possa somente ser explicada pela distância ortográfica que existe entre as línguas portuguesa e inglesa e pela pressa…

05/08/2021

A insulina

Pela sua descoberta, dois cientistas foram agraciados com o Prémio Nobel da Medicina em 1923.

Revelada por Frederick Banting e por Charles Best em Julho de 1921, começou por ser experimentada em cobaias animais passando, depois, a ser administrada em seres humanos.

Ora, ao longo de um século foram milhões os que beneficiaram desta hormona: a insulina.



04/08/2021

A morte de Issam Sartawi

Foi em Abril de 1983 que no congresso da Internacional Socialista que estava a decorrer em Portugal (mais precisamente em Albufeira), o representante da Organização de Libertação da Palestina (O.L.P.), Issam Sartawi, foi assassinado (com vários tiros, recorde-se).

Tal acto terá sido mais um prego no caixão da moderação política…



03/08/2021

O "Barão Vermelho"

"Barão Vermelho" não foi a alcunha de um qualquer líder comunista mas sim o epíteto do piloto alemão de aviões Barão Manfred von Richthofen (que acabaria por ser morto durante a I Guerra Mundial).

02/08/2021

Hamnet e "Hamlet"

Nota histórica com que a autora britânica (da Irlanda do Norte) Maggie O’Farrell ‘abriu’ a sua obra de ficção "Hamnet: A Novel of The Plague":



"Um casal a viver, na década de 1580, na Rua Henley, em Stratford, Inglaterra, tinha três filhos: Susanna, Hamnet e Judith (estes dois últimos eram gémeos). O rapaz, Hamnet, morreu em 1596 com onze anos de idade. Cerca de quatro anos depois, o seu pai acabou de escrever uma peça para teatro intitulada Hamlet".