16/03/2023
A manifestação e o "rei Macron"
Foi no passado dia 4 de Março que escrevi aqui no blogue o texto "A história e Bibius Caesar".
Ora, como vi (indirectamente, através de imagens) também numa manifestação ocorrida há dias em Paris a imagem abaixo reproduzida, reproduzirei igualmente um excerto do texto cujo título mencionei há algumas linhas:
"Deparo-me, por vezes - infelizmente - com a seguinte questão: "por quê estudar história?".
Ora, referi, há pouco, "infelizmente" pois tenho já bastante dificuldade para compreender que, na "Era da Informação", continue a existir esta - e outras... - questão ("ões").
Assim, mais uma vez, cá vai uma hipótese de resposta: estudar história é essencial para que conheçamos o nosso passado (enquanto espécie humana) e possamos, assim, fazer escolhas conscientes e, talvez, sabedoras, para o nosso presente e futuro".
Por exemplo, quem não estude história e tivesse visto um dos cartazes que foi empunhado numa manifestação que se realizou há dias na capital de França, não compreendeu nem a manipulação realizada a uma parte do corpo do presidente da república francesa, Emmanuel Macron, nem, claro, a algumas das palavras constantes nesse mesmo cartaz: "méprisant de la république" (mesmo que compreendesse a língua francesa...).
Ora, essa manipulação ‘física’ implicou a pose do referido presidente Macron como rei absolutista sendo que uma tradução possível da expressão "méprisant de la république" é "desprezando o regime republicano".
Com efeito, França foi dominada politicamente durante séculos por uma monarquia com uma matriz absolutista: ou seja, o monarca em causa havia sido coroado como o representante político de Deus na Terra (isto é, no país em causa) pelo que a autoridade com que havia sido investido não permitia qualquer contestação, nem qualquer crítica.
Assim, a pose de Emmanuel Macron e as palavras a que aludiu o cartaz reproduzido pretenderam, apenas, fazer uma alusão a uma parte da história de França.

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