21/02/2019

Da irreversibilidade

O lema do clube inglês de futebol Liverpool Football Club é, desde 1963, "You’ll Never Walk Alone" (ou, em português, "Nunca Estarás Sozinho").

Fazendo parte de uma letra musical composta em 1945 para honrar as famílias das vítimas da Segunda Guerra Mundial, essa "frase" foi adoptada pelo clube depois de integrar diversas adaptações musicais.

No entanto, a palavra nunca é uma das que têm que ser sempre pronunciadas com muito, muito, cuidado: veja-se, por exemplo, o 'conteúdo' de uma placa existente no Beco do Chão Salgado, na zona de Belém, em Lisboa:


AQVϳ FORAO AS CAZAS ARAZADAS E SALGADAS DE JOZÉ
MASCARENHAS, EXAVTHORADO DAS HONRAS DE DVQVE
DÐ AVEϳRO EOUVTRAS E CONDEMNADO POR SENTENCA
PROFERϳDA NA SVPREMA ϳVNTA DaϳNCONFϳDENCϳA
EM 12 DE JANEϳRO DE 1759 JVSTϳCADO COMO HVM
DOSCHEFES DOBARBARO E EXECRANDO DESACATO
QVE NA NoϳTE DE 3 SE SETEMBRO DE 1758 SEHAVϳA
COMMVLlADO CONTRA AREAL ESAGRADA PESSOA
DE EL’REϳ NOSSO SENHOR D. JOZÉ Iº NESTE TERRENO
ϳNFAME SENAO PODERÁ EdϳFϳCAR EMTEMPO ALGVM


E compare-se com o panorama patrimonial actual.


***


Assim, duvido muito (para não dizer totalmente...) da declaração emitida no fim da reunião, na capital argentina, dos líderes políticos dos países mais 'poderosos' do mundo (o chamado G20) referindo serem irreversíveis os objectivos climáticos (desculpe-se-me a utilização da expressão), estabelecidos no Acordo de Paris (em 2015) já que, como se tem visto desde então, esse Acordo tem sido sucessivamente 'torpedeado' e boicotado (mesmo estando-se perante uma autêntica "espada de Dâmocles"...).


 

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