20/02/2019

"Timor, a moral dos outros"


O lema oficial da República Democrática de Timor-Leste é "Unidade, Acção, Progresso".

No entanto, quando Timor era apenas um território que havia sido invadido pela Indonésia, estas ‘componentes’ não existiam.

Uma reportagem preparada pelo jornalista correspondente da então Rádio Televisão Portuguesa (a RTP) na capital dos Estados Unidos da América (Mário Crespo de seu nome), Washington, e emitida pelo programa "Actual Reportagem" no início do ano 1995 fez uma espécie de retrospectiva do percurso histórico, político e social de Timor-Leste desde 1975 e a sua ocupação pela Indonésia até então.

Ora, dando conta do ‘conteúdo’ da comissão de inquérito nomeada por um membro do Senado norte-americano alguns meses depois do massacre ocorrido no cemitério de Santa Cruz, em Díli, capital timorense, o jornalista comentou que "nunca, na história das relações entre Portugal e os Estados Unidos, Portugal foi tão insultado como na declaração do secretário de Estado adjunto [dos EUA], Kenneth Quinn".


"Em 1991, Timor-Leste recebeu cerca de 170 milhões de dólares em verbas do governo indonésio. Estes 170 milhões de dólares, note-se, em termos nominais, são quase cem vezes mais o volume médio de fundos para o desenvolvimento nos últimos anos do regime colonial. Toda essa verba era concedida sob a forma de empréstimos. Os resultados do investimento (indonésio) são notáveis. Em 1974, após quatro séculos de regime colonial, Timor-Leste possuía 47 escolas primárias, duas escolas de ensino médio, um liceu e nenhuma universidade. Agora, tem 574 escolas primárias, 99 de ensino médio, 14 liceus e três universidades. Em 1974, Timor-Leste tinha dois hospitais e 14 centros de saúde. Agora, tem dez hospitais e 197 centros de saúde. Em 1974, Timor-Leste tinha cem igrejas. Hoje tem 518. Em 1974, Timor-Leste tinha 20km de estrada asfaltada, todos na cidade de Dili. Agora tem 428km por toda a província. Em 1974, a pobreza era endémica em Timor-Leste. Hoje a pobreza permanece um problema tal como em toda aquela área da Indonésia. Mas a fome é extremamente rara. O elemento económico que falta, é emprego suficiente para as expectativas crescentes da juventude agora educada. Mas os investidores insistem num ambiente pacífico, e isso é um problema até a questão de Timor-Leste estar completamente resolvida".


Ora, se estes dados eram exactos, adivinhe-se o motivo para Portugal (ou melhor, as autoridades portuguesas) se sentir insultado.






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