O lema oficial da República
Democrática de Timor-Leste é "Unidade, Acção, Progresso".
No
entanto, quando Timor era apenas um território que havia sido
invadido pela Indonésia, estas ‘componentes’ não existiam.
Uma
reportagem preparada pelo jornalista correspondente da então Rádio
Televisão Portuguesa (a RTP) na capital dos Estados Unidos da
América (Mário Crespo de seu nome), Washington, e emitida pelo
programa "Actual Reportagem" no início do ano 1995 fez uma
espécie de retrospectiva do percurso histórico, político e social
de Timor-Leste desde 1975 e a sua ocupação pela Indonésia até
então.
Ora,
dando conta do ‘conteúdo’ da comissão de inquérito nomeada por
um membro do Senado norte-americano alguns meses depois do massacre
ocorrido no cemitério de Santa Cruz, em Díli, capital timorense, o
jornalista comentou que "nunca, na história das relações entre
Portugal e os Estados Unidos, Portugal foi tão insultado como na
declaração do secretário de Estado adjunto [dos EUA], Kenneth
Quinn".
"Em
1991, Timor-Leste recebeu cerca de 170 milhões de dólares em verbas
do governo indonésio. Estes 170 milhões de dólares, note-se, em
termos nominais, são quase cem vezes mais o volume médio de fundos
para o desenvolvimento nos últimos anos do regime colonial. Toda
essa verba era concedida sob a forma de empréstimos. Os resultados
do investimento (indonésio) são notáveis. Em 1974, após quatro
séculos de regime colonial, Timor-Leste possuía 47 escolas
primárias, duas escolas de ensino médio, um liceu e nenhuma
universidade. Agora, tem 574 escolas primárias, 99 de ensino médio,
14 liceus e três universidades. Em 1974, Timor-Leste tinha dois
hospitais e 14 centros de saúde. Agora, tem dez hospitais e 197
centros de saúde. Em 1974, Timor-Leste tinha cem igrejas. Hoje tem
518. Em 1974, Timor-Leste tinha 20km de estrada asfaltada, todos na
cidade de Dili. Agora tem 428km por toda a província. Em 1974, a
pobreza era endémica em Timor-Leste. Hoje a pobreza permanece um
problema tal como em toda aquela área da Indonésia. Mas a fome é
extremamente rara. O elemento económico que falta, é emprego
suficiente para as expectativas crescentes da juventude agora
educada. Mas os investidores insistem num ambiente pacífico, e isso
é um problema até a questão de Timor-Leste estar completamente
resolvida".
Ora,
se estes dados eram exactos, adivinhe-se o motivo para Portugal (ou melhor, as autoridades portuguesas) se
sentir insultado.
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