11/03/2019

O Terrorismo na Europa

Assinala-se hoje, 11 de Março, o Dia Europeu pelas Vítimas do Terrorismo.

Instituído pelo Conselho Europeu em 2004 na sequência dos trágicos atentados em estações ferroviárias na capital espanhola, este pretende lembrar todos aqueles que, na Europa, perderam a vida na sequência de ataques de índole terrorista e, ao mesmo tempo, alertar a consciência da chamada opinião pública para a necessidade de combater o Terrorismo e para a importância de promover a defesa dos direitos humanos.

Creio ser, por isso mesmo, o momento adequado para lembrar um facto.

Que é este: o lema da República francesa é "Liberté, Égalité, Fraternité" ("Liberdade, Igualdade, Fraternidade", em português) e surgiu como símbolo dos ideais da Revolução de 1789.

No entanto, esse símbolo político parece não ter durado muito.

Ainda que as palavras "Liberté" e "Égalité" figurassem na redacção do artigo primeiro da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão elaborada nesse mesmo ano de 1789, apenas a Constituição de 1848 o veio consagrar – e à II República – e, depois, as Constituições de 1946 e de 1958 sendo actualmente património do Estado francês e lema dos valores e princípios da República.

Mas o movimento revolucionário que eliminou o regime de monarquia absoluta de França não trouxe somente declarações ‘pomposas’ e princípios eticamente inabaláveis. Ele deu origem a um outro movimento que seria, ao longo do tempo, usado para fazer reivindicações por via mais ou menos violenta – e a que Portugal, exceptuando um determinado período da sua História (o pós-25 de Abril, nomeadamente), tem vindo a conseguir escapar: o Terrorismo.

De facto, diz o epitáfio de inscrito na campa que 'acolhe' os restos mortais de Maximilien de Robespierre o seguinte: "Passante, não chores a minha morte porque se eu vivesse tu morrerias" (em língua francesa, no original).

Na verdade, Robespierre, à cabeça de um governo revolucionário a partir de Outubro de 1793, foi o responsável máximo pela perseguição a dezenas de milhares de suspeitos de organizarem e/ou participarem em actividades consideradas ‘contra-revolucionárias’ – e a sua condenação e posterior execução – tendo o período que, então, se iniciou ficado conhecido como Terror.

De resto, como escreveu o articulista António Guerreiro na coluna que assina, semanalmente, no suplemento Ípsilon (do jornal Público) publicado em meados de Junho de 2016 - "Estação Meteorológica" - "Os estudiosos da história do terrorismo situam o início na época do Terror da Revolução Francesa [que tinha como lema Liberdade, Igualdade, Fraternidade]. É aí, como terrorismo de Estado, que nasce o terror moderno e o termo "terrorismo".".

Assim, é o Estado (francês e, claro, europeu) o "pai" do Terrorismo…

Acrescento, apenas, que me entristece e me preocupa bastante o facto de que os líderes políticos europeus (e não só, evidentemente), não percebam (ou será que não querem perceber?) algo que até nem acho que seja assim tão difícil perceber: que qualquer ideário xenófobo e extremista (como o defendido – e executado – pelo Estado Islâmico, por exemplo) tem procurado e procurará sempre tornar-se "um refúgio para jovens frustrados com a ausência de perspectivas de futuro" preenchendo, assim, uma espécie de vazio originado pelo fracasso dos modelos de socialização propostos (impostos…) pelos sistemas de organização social, económica e cultural tradicionais.

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