09/03/2019

Conversar o resto dos meus dias

Diz a ‘montra’ da loja interativa de turismo de Penafiel, citando o escritor José Saramago, o seguinte:



"E simplesmente descubro que seria perfeito poder reunir em um só lugar, sem diferença de países, de raças, de credos e de línguas, todos quantos me lêem, e passar o resto dos meus dias a conversar com eles".



Eu, mero leitor do escritor (o qual me chegou a autografar um livro – "Ensaio sobre a Lucidez" – e me deu um aperto de mão…), escolho, naturalmente, uma outra abordagem: a de que seria um imenso privilégio poder passar o tempo que me resta de vida a conversar com José Saramago e com outras personalidades cuja vida terrena, pelo contrário, cessou já.



Nomeio somente duas: o rei português D. Duarte, o Rei-Filósofo (autor, por exemplo, do livro "Leal Conselheiro") que viveu entre os séculos XIV e XV, e o escritor também português Eça de Queirós (autor, entre muitos outros escritos, de "Os Maias") cuja vivência remonta, ‘apenas’, ao século XIX.



A maior virtude daquilo que deixaram escrito é, em minha opinião, a sua actualidade - no tempo em que viveram e no futuro (o tempo presente).



Feliz e infelizmente.

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