Ainda
ontem aqui citei duas personalidades que, por razões certamente
diferentes e separadas por alguns anos de distância, confluíram no
‘diagnóstico’: a ‘imagem’ de Portugal era, então, muito
‘pobre’ e difusa na Ásia.
Mas
seria muitíssimo interessante para mim perceber, hoje, em 2019, que
estereótipos e generalizações existem
sobre os portugueses por esse mundo fora.
Lembro,
de qualquer modo – e apesar de ser evidente que
as ‘visões’ a seguir
transcritas estavam, como não poderia, talvez, deixar de ser , imbuídas de um conjunto de estereótipos e generalizações criados
e ampliados pelo facto de aqueles portugueses serem dominadores e
conquistadores – um
excerto de um compêndio
escolar de História que
utilizei quando era estudante do ensino secundário:
“Os
Portugueses vistos…
...pelos
Africanos
Um
dia sobre o mar surgiu um grande barco. Tinha asas brancas e
brilhantes como facas ao sol. Homens brancos saíram da água dizendo
palavras que ninguém compreendia. Os nossos antepassados tomaram
medo e pensaram que eram «vumbi», almas do outro mundo. Conseguiram
fazê-los regressar ao mar disparando nuvens de flechas. Mas os
«vumbi» começaram a cuspir fogo com um barulho de trovão…
Tradução
oral africana, in F. Braudel, Civilização Material…, III.
...pelos
Chineses
Pode
dizer-se que o objectivo primeiro da vinda dos Fu-lang-chi [os
Portugueses] para a China foi o comércio (…).
As
gentes Fu-lang-chi são altas e têm grandes narizes. Os olhos são
como os do gato e a forma da boca como a da águia. O pêlo
cresce-lhes até nas costas das mãos e as suas barbas são
vermelhas. Amam o comércio e, apoiados no seu poder militar, têm o
hábito de invadir e oprimir os países mais pequenos. Vão a
qualquer sítio onde haja lucro (…) Usam roupas limpas e
bonitas...Sempre que surge uma disputa, apontam para o céu e juram
dizer a verdade.
História
dos Ming (adaptado).
...e
pelos Japoneses
Estes
homens [os Portugueses] são comerciantes (…). Bebem em copo sem o
oferecerem aos outros. Comem com os dedos (1) e não com pauzinhos
como nós (…). São gente que passa a vida viajando de aqui para
além, sem morada certa, e trocam os produtos que possuem pelos que
não têm, mas no fundo não são má gente.
Crónica
Teppo-Ki (adaptado).
(1)
No século XVI, os Europeus ainda só raramente usavam o garfo.”.
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