04/06/2019

Quantos são e quantos serão?

Uma recente edição de um atlas das relações internacionais refere que se assiste no mundo a um apagamento das identidades e que a emergência de referências à escala planetária – fruto da tantas vezes invocada globalizaçãonão seria incompatível, apesar de crispações identitárias e do desenvolvimento de diferenciações locais e/ou regionais, com o apoio ao Estado-nação como referência principal.

No entanto (poder-se-ia, talvez, acrescentar "uma vez mais"), a realidade parece estar a contrariar algumas das parcelas da teoria (no continente europeu mas não só).



Mas proponho que façamos um pequeno exercício mental: tentemos imaginar, apesar da defesa disponibilizada pelos governos centrais para a manutenção de uma unidade política e administrativa (fictícia, pois), que alguma destas regiões conseguia tornar-se independente, por assim dizer.

O que aconteceria?
Assistir-se-ia, desde logo, a uma ‘fragmentação’ de alguns Estados já que, noutras regiões, se colocaria necessariamente a questão política "se a/o ……….. pôde seguir o seu caminho, por que não nós?". Seria, pois, o início do fim da ‘configuração’ desses Estados e o "início do início" de outros.




Veja-se, por exemplo, o caso da Escócia: a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, confirmou aos jornalistas, no rescaldo das eleições europeias, querer iniciar uma nova ‘ronda’ legislativa de modo a realizar um novo referendo a propósito da independência da Escócia e da sua separação política do Reino Unido.

Mas as movimentações independentistas não se têm limitado, na Europa, ao reino de Sua Majestade: no País Basco e na Catalunha, em Espanha; na Córsega, em França; na Flandres, na Bélgica; os húngaros que vivem na Roménia, os do Norte de Itália, ...

E, de facto, não apenas numa Europa que conta, actualmente, com cerca de 50 países (este é, apenas, um número aproximado já que a contagem da quantidade de países na entidade Europa está dependente de critérios geográficos, culturais e, até, religiosos…).

Na verdade, também os berberes do Norte de África (os amazighs), os sarauís, muitos habitantes da região nigeriana do Biafra (que declarou primeiramente a sua independência em Maio de 1967), alguns ‘dirigentes’ étnicos da região sudoeste dos Camarões, anglófona, sobretudo, que anunciaram já a independência, o chamado Curdistão iraquiano (onde se aprovou já, via referendo, a sua independência face ao Iraque), por exemplo, estão à espreita’.

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