02/08/2019

O perigo dos estereótipos e das generalizações

A edição digital do jornal de Hong Kong South China Morning Post publicou, há alguns anos, um texto com o título "Who are the world’s worst tourists? Six nations that stand out – you may be surprised".

O seu autor optou, desde logo, por fazer, desde logo, referência a um "estudo" efectuado, por sua vez, em 2015, pelo sítio Hotels.com: nos lugares cimeiros do ‘pódio’ dos turistas que mais furtos realizavam de artigos dos quartos de hotel em que se encontravam alojados estavam os provenientes da Argentina e os de Singapura (estes últimos foram mesmo descritos como sendo – poderia supor-se que geneticamente – "propensos para os roubos").

Já aqueles com origem na chinesa Hong Kong foram, por sua vez, descritos como os turistas "mais confiáveis".

Colocou, em seguida, uma questão: "Mas qual é a nacionalidade dos turistas que mais indigna os cidadãos locais e faz os seus próprios compatriotas desculparem, embaraçados, os seus comportamentos?".

Seguiu-se, então, a prometida lista: China, Reino Unido, Alemanha, América do Norte, Israel e Rússia.

Coadjuvada’, de resto, por um conjunto de situações que a ‘enriqueciam’ e que, simultaneamente, a justificavam.

Terminou, no entanto, com uma chamada de atenção: eram os chamados turistas nacionais aqueles que pior se comportavam.

Ora, o que me motivou a recordar este artigo foi a generalização de comportamentos a todos os que faziam Turismo e que eram cidadãos da Argentina, de Singapura, da China (também de Hong Kong), do Reino Unido, da Alemanha, da América do Norte, de Israel, da Rússia ou de qualquer outro país.

Tudo se resumia – e resume –, quanto a mim, à chamada Educação: se se a tem é indiferente estar-se na ‘pele’ de turista ou noutra qualquer e, por sua vez, se se a não tem também é indiferente estar-se na ‘pele’ de turista ou noutra qualquer.

Poderá, por exemplo, tomar-se como o estereótipo do turista português o indivíduo tranquilo, agradável no trato e cumpridor das normas estabelecidas…

No entanto, se se generalizasse esse modo de estar (e de ser) a todos os turistas lusos, como explicar o que se passou com aquele grupo de jovens portugueses num hotel espanhol também já há alguns anos quando, na sequência de actos de vandalismo gratuito, foram, pura e simplesmente, expulsos?

Eu também cheguei a fazer uma "viagem de finalistas" e não me comportei de forma arruaceira nem de maneira turbulenta.

Nem, diga-se, aqueles e aquelas colegas com quem fui a Lloret de Mar, em Espanha.

Ora, teria sido, em minha opinião, muito mais exacto dizer-se o seguinte: "alguns turistas oriundos da Argentina e de Singapura (e seguramente que não estão sozinhos…) furtam objectos do quarto de hotel em que estão alojados" e "alguns turistas oriundos da China, do Reino Unido, da Alemanha, da América do Norte, de Israel, da Rússia ou, na realidade, de qualquer outro país poderão exibir, por razões várias (a ingestão de bebidas alcoólicas, por exemplo), comportamentos que a sociedade receptora poderá reprovar e condenar, moral e, até, judicialmente".

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