A
edição digital
do jornal de Hong Kong South
China Morning Post
publicou, há alguns
anos, um texto com o
título "Who
are the world’s worst tourists? Six nations that stand out – you
may be surprised".
O
seu autor optou, desde
logo, por fazer, desde
logo, referência a um "estudo" efectuado, por sua vez, em 2015, pelo sítio
Hotels.com:
nos lugares cimeiros do ‘pódio’ dos turistas que mais furtos
realizavam de artigos dos quartos de hotel em que se encontravam
alojados estavam os provenientes da Argentina e os de Singapura
(estes últimos foram mesmo descritos como sendo – poderia supor-se
que geneticamente – "propensos
para os roubos").
Já
aqueles com origem na chinesa Hong Kong foram, por sua vez, descritos
como os turistas "mais
confiáveis".
Colocou,
em seguida, uma questão: "Mas
qual é a nacionalidade dos turistas que mais indigna os cidadãos
locais e faz os seus próprios compatriotas desculparem, embaraçados,
os seus comportamentos?".
Seguiu-se,
então, a prometida lista: China, Reino Unido, Alemanha, América do
Norte, Israel e Rússia.
‘Coadjuvada’,
de resto, por um conjunto de situações que a ‘enriqueciam’ e
que, simultaneamente, a justificavam.
Terminou,
no entanto, com uma chamada de atenção: eram os chamados turistas
nacionais aqueles que pior se comportavam.
Ora,
o que me motivou a recordar este artigo foi a generalização de
comportamentos a todos os que faziam Turismo e que eram cidadãos da
Argentina, de Singapura, da China (também de Hong Kong), do Reino
Unido, da Alemanha, da América do Norte, de Israel, da Rússia ou de
qualquer outro país.
Tudo
se resumia – e resume
–, quanto a mim, à
chamada Educação:
se se a tem é indiferente estar-se na ‘pele’ de turista ou
noutra qualquer e, por sua vez, se se a não tem também é
indiferente estar-se na ‘pele’ de turista ou noutra qualquer.
Poderá,
por exemplo, tomar-se como o estereótipo do turista português o
indivíduo tranquilo, agradável no trato e cumpridor das normas
estabelecidas…
No
entanto, se se generalizasse esse modo de estar (e de ser) a todos os
turistas lusos, como explicar o que se passou com aquele grupo de
jovens portugueses num hotel espanhol também já há alguns anos
quando, na sequência de actos de vandalismo gratuito, foram, pura e
simplesmente, expulsos?
Eu
também cheguei a fazer uma "viagem de finalistas" e não me
comportei de forma arruaceira nem de maneira turbulenta.
Nem,
diga-se, aqueles e aquelas colegas com quem fui a Lloret de Mar, em
Espanha.
Ora,
teria sido, em minha opinião, muito mais exacto dizer-se o seguinte: "alguns turistas oriundos da Argentina e de Singapura (e
seguramente que não estão sozinhos…) furtam objectos do quarto de
hotel em que estão alojados" e "alguns turistas oriundos da
China, do Reino Unido, da Alemanha, da América do Norte, de Israel,
da Rússia ou, na realidade, de qualquer outro país poderão exibir,
por razões várias (a ingestão de bebidas alcoólicas, por
exemplo), comportamentos que a sociedade receptora poderá reprovar e
condenar, moral e, até, judicialmente".
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