31/12/2019

Gente e lixo

Séculos depois de o médico Garcia de Orta ter escrito – em "Colóquios dos Simples e Drogas da Índia" que "Digo que se sabe mais em um dia agora pelos portugueses, do que se sabia em 100 anos pelos romanos", parece-me oportuno lembrar alguns números que gostaria que não fossem esquecidos.

a) Todos os dias "há mais" cerca de 225.000 pessoas na Terra;

b) Todos os anos, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico ‘inundam’ os oceanos do planeta;

e

c) Todos os anos, no mundo, cerca de 50 milhões de toneladas de "lixo electrónico" (telefones móveis, computadores portáteis e "tablets", por exemplo) são deitadas fora – acompanhadas dos respectivos ‘fumos’, muitos deles tóxicos.

30/12/2019

A casa de Richard Wagner

A construção da casa que o compositor alemão Richard Wagner foi habitar na década de 1870 foi patrocinada pelo rei Luís II da Baviera (que ficaria 'conhecido' como "Luis, o rei louco").

A construção, apenas. Não o lema que o autor acabou por colocar na frontaria da casa: "Hier wo mein Wähnen Frieden fand – Wahnfried – sei dieses Haus von mir benannt" ("Aqui, onde a minha Loucura encontrou a Paz – Wahnfried – é a minha Casa", em português).

De facto, a loucura e a paz de Wahnfried permitiram a Wagner compor algumas das peças mais brilhantes da História musical europeia do século XIX como o drama (musical) "Parsifal".

Composto em 1882, "Parsifal" estrear-se-ia em Portugal (no Teatro Nacional de São Carlos) em 1921.

28/12/2019

Mudança de nome

Muitos países africanos mantiveram, durante décadas, em uso corrente no seu sistema monetário o Franco CFA.

Fruto da colonização francesa, sobretudo.

No entanto, durante o passado fim-de-semana, nem mais, nem menos, do que oito desses países - Benim, Burkina Faso (o antigo Alto Volta), Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo - acordaram com a França dar um novo nome a essa moeda: Eco.

Mas o Eco continuará, como o Franco CFA, a estar indexado ao Euro europeu.

Ou seja, mudança de nome mas ... pouco mais.

27/12/2019

Livros e homens

Há poucos dias, alguns funcionários de uma biblioteca – supus que pública – localizada na zona Noroeste da China, queimou, depois de uma ‘limpeza’, mais de meia centena de livros que considerou ilegais.

Ora, tal acto inquietou-me muito porque um livro é para mim preciosíssimo e, como tal, creio que era incapaz de o fazer de forma voluntária (não que tais funcionários o tivessem feito, bem entendido).

Mas também me inquietou porque me lembrei novamente das palavras que Heinrich Heine, poeta alemão do século XIX, escreveu (e que já citei aqui no blogue): "Quem começa por queimar livros, acaba por queimar homens".

26/12/2019

Os judeus e o Marquês de Pombal

O comendador Inácio Steinhardt lembrou já no seu livro "Raízes dos judeus em Portugal : entre godos e sarracenos" que quando "D. Afonso Henriques obteve o reconhecimento do seu reino independente, em 1143, já viviam judeus na Península há pelo menos um milénio".

Ora, o historiador e professor Charles Ralph Boxer, também no seu livro "O Império Marítimo Português 1415-1825" escreveu sobre a existência de "uma história muito conhecida segundo a qual D. José estava a considerar uma proposta da Inquisição no sentido de que todos os cristãos-novos [judeus convertidos ao cristianismo] do seu reino deveriam ser obrigados a usar chapéu branco como um sinal de que tinham sangue judeu. No dia seguinte, [o Marquês de] Pombal apareceu no gabinete real com três chapéus brancos, e explicou que tinha trazido um para o rei, outro para o inquisidor-mor e outro para si próprio".

De facto, segundo vários estudos genéticos que têm vindo a ser feitos, serão actualmente cerca de 20% (ou mesmo mais) dos portugueses aqueles que têm ascendência judaica.

Ou seja, atingindo uma percentagem talvez maior do que aquela existente, por assim dizer, em países como os Estados Unidos da América ou a Rússia, a muitos portugueses ‘dirá’ muito (desculpe-se-me a repetição) o lema de Israel – "ישראל" ("Israel", em português).


***


Quem quer que visite a igreja da Memória, em Lisboa, não deixará, decerto, de ficar impressionado com o facto de a urna que contém os restos mortais de Sebastião José de Carvalho e Melo – o Marquês de Pombal – ser tão pequena quando comparada com muitas daquelas que hoje conhecemos.

No fundo, como é que alguém que foi tão ‘grande’ em vida pôde, na morte, ‘habitar’ tão diminuta ‘caixa’?

Ora, talvez o(s) autor(es) daquilo que o Marquês de Pombal não teria deixado de considerar "uma tão grande afronta" tenha querido transmitir isso mesmo: na morte, todos somos iguais. Grandes e pequenos.






24/12/2019

A URSS e os talibãs

Soldados do exército da União Soviética invadiram no dia 24 de Dezembro de 1979 o território do Afeganistão para auxiliar o governo comunista que comandava o país na sua luta contra as guerrilhas de ‘inspiração’ muçulmana (que dariam ‘origem’ aos tristemente célebres talibãs…).

23/12/2019

Angola, Cabinda e Simulambuco

O lema da República de Angola é "Virtus Unita Fortior" ("A Unidade Dá Força", em português).

No entanto, nem todos em Angola parecem concordar com essa unidade.

De facto, com uma pequeníssima frase descreve a Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) a relação identitária, cultural e, de certo modo, "espiritual", que pensa existir entre a região e o país que, política e administrativamente, a controla: "Cabinda não é Angola!".

Criada no início de Agosto de 1963, a FLEC continua, actualmente, a reivindicar a independência de Cabinda.

Talvez, por isso mesmo, seja pertinente invocar o conteúdo integral de um comunicado que o porta-voz do movimento – que alguns consideram ser separatista –, Jean Claude Nzita, endereçou às redacções de vários órgãos noticiosos em 1 de Fevereiro de 2016 e que está disponível na "Internet".



"Na ocasião da celebração do 131º aniversário do Tratado Luso-Cabindês de Simulambuco, assinado a 1 de Fevereiro de 1885 e validado durante a Confere[ê]ncia de Berlim, a FLEC recorda, ao Governo Português que o Tratado de Simulambuco é um compromisso ainda vivo, e reafirmado em Simulambuco pelo presidente português Craveiro Lopes, que estabelece princípios de reciprocidade e o dever de Portugal obrar [zelar] pela protecção, liberdade, autodeterminação e soberania do povo de Cabinda que continua a respeitar o Tratado e a reclamar os seus direitos ao abrigo do Direito Internacional.


Portugal honrou os seus deveres [para] com o povo de Timor-Leste mas Portugal traiu o povo de Cabinda, ignorando o Tratado de Simulambuco, tentou vender a soberania do povo de Cabinda que aceitou a sua protecção, Portugal também tentou suprimir Cabinda simulando a sua integração no território de Angola, mas Portugal não consegui[u] extinguir [a] Identidade do Povo de Cabinda nem o seu desejo de independência.


1 de Fevereiro é também o Dia da Identidade do povo de Cabinda o alicerce da nação e unidade cabindesa e continuidade da força da nossa razão e luta.


Portugal continua a trair Cabinda e o seu povo, mas Cabinda não trai Portugal. A FLEC manifesta o seu contentamento por Portugal poder exercer democraticamente os valores da democracia que estão vedados a Cabinda, por isso felicita a vitória eleitoral do Dr. Marcelo Rebelo de Sousa e deseja que a sua presidência seja marcada pela coragem e reparação dos erros passados do país que vai presidir reconhecendo os direitos legítimos de Cabinda em nome dos laços que unem as duas nações que permanecem lavrados no Tratado de Simulambuco.


A FLEC acredita que o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa irá marcar com dignidade a sua presidência terminando corajosamente o processo de descolonização portuguesa inacabado reconhecendo os direitos e legitima soberania à última colónia lusófona, Cabinda.




A Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC)"




Existindo, aliás, uma descontinuidade territorial entre aquelas que são as fronteiras políticas e geográficas de Angola e aquelas do território de Cabinda, recorde-se que as instâncias políticas portuguesas (respaldadas pelos textos constitucionais) assumiram, até 25 de Abril de 1974, a soberania e a independência de Cabinda. Posição política diferente foi, no entanto, aquela que se verificou, em 1975, na chamada Conferência de Alvor na qual a região de Cabinda foi integrada no território de Angola.


Recorde-se, também, que Cabinda é, nos dias de hoje, uma das províncias de Angola que maior extração e exploração de petróleo proporciona.

21/12/2019

Terrorismo aéreo

Carregado de passageiros, um avião que partiu de um dos vários aeroportos da capital inglesa com destino a Nova Iorque explodiu exactamente quando sobrevoava a localidade escocesa de Lockerbie.

Todos os ocupantes e mais onze pessoas que se encontravam no solo morreram.

21 de Dezembro de 1988.

20/12/2019

"A Pátria Honrai Que A Pátria Vos Contempla"

Foi no ano de 1513 que os navegadores portugueses chegaram à terra que haveria de se chamar Macau.

Desconfiados, os chineses acabaram por erguer uma fronteira entre o território ‘dos’ portugueses e a China: a Porta do Cerco.

Ora, séculos depois, num restauro, foi-lhe incorporado o lema da Marinha Portuguesa – "A Pátria Honrai Que A Pátria Vos Contempla".

Mas, na verdade, se se passarem os olhos pelo livro do jornalista José Pedro Castanheira "Os 5 dias que abalaram Macau" talvez se consiga descobrir que "Macau sempre tinha sido olhado pela capital do império com menos atenção, desinteresse e indiferença".

E se se procurarem outros documentos escritos na época da mudança oficial de soberania (que aconteceu em 20 de Dezembro de 1999) – como peças jornalísticas, por exemplo – talvez se descubram ‘pérolas’ como a de um assessor do então governo (ainda português) de Macau referir que o território havia sido, até há poucos anos, um deserto absoluto de desinteresse por parte de Portugal. Ou o subdirector dos Serviços de Turismo de Macau – um português natural de Macau – declarar, em Maio de 2004, que Portugal nunca tivera a noção exacta do que era Macau pelo que não cumpria o seu papel perante a história.

No entanto, indiferente a tanta indiferença, a Porta do Cerco ainda hoje existe e consta, até, da lista de Património Mundial da UNESCO.

19/12/2019

Açores e Schultz Xavier

O governo regional dos Açores irá, brevemente, ‘servir-se’ de um navio da Marinha portuguesa para criar, junto a uma das suas ilhas, um recife artificial para fomentar, desde logo, o turismo de mar e, também, claro, a criação de melhores condições para o desenvolvimento da vida marinha (que, por sua vez, favorecerá esse mesmo turismo de mar…).

Ora, o navio será o "Schultz Xavier".

Júlio Zeferino Schultz Xavier nasceu em 1850 e foi um oficial da Armada portuguesa.

18/12/2019

Os migrantes

Desde há milhares de anos que o Homem se desloca na Terra em busca de melhores condições para a sua existência.

Ora, quando se assinala o Dia Internacional do Migrante creio ser relevante lembrar que mais de duzentos e setenta milhões de pessoas vivem actualmente fora do país em que nasceram.

17/12/2019

O "Comboio Maia"

"Os povos indígenas caracterizam-se por possuírem algumas das mais ricas e únicas dimensões culturais da Humanidade. Desenvolveram-se ao longo de milhares de anos por toda a Terra e estão espiritualmente ligados às suas [e dos seus antepassados] terras"*.

Ora, um relatório recentemente divulgado pela Organização Mundial de Turismo – "Recommendations on Sustainable Development of Indigenous Tourism" – refere isso mesmo.

Assim, tenho de facto a séria convicção de que o actual governo do México também reconhece a importância da sustentabilidade dessa particular dimensão do Turismo pelo que respeitará a decisão popular acerca da construção do chamado "Comboio Maia" – um projecto que visa ‘ligar’ diferentes locais ‘ocupados’ pela Civilização Maia (ao longo de cerca de 1500 quilómetros de extensão) com as suas fabulosas pirâmides a estâncias balneares de areias finas.










* Ou melhor, àqueles pedaços de terra em que os Brancos os deixam, ainda, viver...

16/12/2019

Baruch Spinoza e René Descartes

Aquele que viria a tornar-se uma das incontornáveis figuras da filosofia feita na Europa – por exemplo, o seu "Tractatus Theologico-Politicus" e a sua "Ética" foram, por seu lado, bastante influenciados pelas ideias do filósofo e matemático francês René Descartes, precursor do racionalismo e do método científico e que tinha como lema "De omnibus dubitandum est" ("Duvidai de tudo", em português) – no século XVII nasceu na capital holandesa em 1632 e adoptou como lema a palavra latina "Caute" ("Cautela", em português).

De facto, talvez tenha sido mesmo a cautela o motivo pelo qual os pais portugueses judeus de Baruch (ou Benedito) Spinoza decidiram fugir à Inquisição.

Isso e o poderem ter ‘incorporado’ o versículo doze do quarto capítulo do livro do Génesis da Bíblia – "Serás um fugitivo errante sobre a terra" – sendo que Spinoza defendia, precisamente, que a principal diferença entre Deus e o mundo (terreno, pois) não era senão de pontos de vista.

Quanto a Descartes, e uma vez que duvidava de tudo, terá também duvidado que alguém – no caso, o neurologista português António Damásio – pudesse, mais de trezentos anos após a sua morte, ter dúvidas em relação a uma parte do seu trabalho propondo, por isso, uma nova interpretação do mesmo com "O Erro de Descartes".

Ora, quer Spinoza, quer Descartes, por este ‘percurso’ livre não deixaram de ser incluídos no Índex (Index Librorum Prohibitorum), lista de obras cuja leitura estava interdita aos seguidores da fé católica.

14/12/2019

O Plutónio e Roald Amundsen

Foi no dia 14 de Dezembro de 1940 que o elemento químico Plutónio foi produzido e isolado pela primeira vez.

Em breve, este provaria o quão eficaz na libertação de energia como resultado da fissão nuclear poderia ser: no Japão, milhares de pessoas dela foram vítimas.

Apesar disso, o mundo conta actualmente com cerca de quatorze mil, quinhentas e cinquenta ogivas nucleares que poderiam destruir o planeta Terra várias vezes (se isso pudesse ser possível)...


***


Também neste dia mas em 1911 o explorador norueguês Roald Amundsen tornou-se no primeiro ser humano a liderar uma expedição ao Pólo Sul.

13/12/2019

"Robinson Crusoe"

O autor inglês Daniel Defoe publicou há exactamente duzentos anos aquele que viria rapidamente a tornar-se num "best seller": "Robinson Crusoe".


12/12/2019

Pompeia e Braga

Desde o fim do passado mês de Novembro que, em Pompeia - cidade romana 'submersa' pela lava e cinza expelidas pelo Vesúvio no ano 79 da chamada era cristã -, é possível contemplar frescos que estavam 'escondidos' desde (peço desculpa por repetir a utilização do termo...) esse mesmo ano.

Ora, o desejo de exibir ao Turismo uma nova perspectiva da identidade histórica da localidade italiana entra em choque frontal com a vontade de se não exibir o conjunto de sepulturas que há poucos dias abordei.

E isso é extraordinariamente elucidativo sobre quais são os ideais em 'jogo' perante a História e a Cultura, enfim.

11/12/2019

Shakespeare ou não, eis a questão

De acordo com o britânico The Shakespearean Autorship Trust, "há quatro séculos que existem dúvidas sobre se terá sido efectivamente William Shakespeare a escrever os trabalhos que lhe foram atribuídos".

Ora, não sendo eu especialista em Shakespeare (nem no seu suposto legado literário), por assim dizer, resta-me imaginar cenários económicos e culturais que poderiam tornar-se reais se um dia se conseguisse chegar à conclusão de que não, de que Shakespeare não havia sido o autor de "Hamlet", de "Sonho de Uma Noite de Verão" ou de "Ricardo III" uma vez que, como já escrevi aqui no blogue, "todos os anos a pequena cidade britânica de Stratford-upon-Avon recebe não apenas o Festival Literário mas também milhões de turistas que querem calcorrear as ruas e os locais que um dos mais famosos (se não mesmo o mais famoso...) escritores de língua inglesa terá percorrido".

10/12/2019

Leitura bipolar

Extremamente contente.

Foi como me senti depois de ter lido, há já alguns dias no jornal digital O Minho, que cerca de "oito sepulturas, com construção estimada entre o final do período romano (século IV) e o início da idade média (século VIII)" haviam sido encontradas durante a realização, numa obra num prédio, de sondagens arqueológicas na cidade de Braga.

No entanto, algumas linhas depois, pude também ler que as referidas "sepulturas, depois de devidamente identificadas" iriam ser destruídas porque seria impossível a musealização das mesmas.

Assim, depois de uma alegria desmedida, uma angústia imensa.

09/12/2019

Analfabetismo na "África Portuguesa"

"As taxas de analfabetismo, em 1950, eram de 98,8% na Guiné, 97,8% em Moçambique e 96,4% em Angola. A maioria dos alunos, sobretudo no ensino secundário e técnico, era constituída por brancos"...


Fonte: manual escolar

07/12/2019

José Hermano Saraiva

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, homenageou, no início desta semana, José Hermano Saraiva.

Considerou então, por exemplo, que "ninguém usou com tanto brilho a oratória televisiva" como historiador e que o Professor havia sido "um mágico do verbo".

Acho, efectivamente, perfeitamente justo homenagear-se um homem que nasceu em 1919 (e que faleceu em 2013) e que, profissionalmente, foi jurista, ministro da Educação, historiador e apresentador de programas televisivos de divulgação cultural e patrimonial.

Foi, seguramente, uma das pessoas que mais – e melhor – divulgou a cultura e o património, material e imaterial, em Portugal.

Agradeço-lhe por isso - embora tardiamente e escrevendo algumas linhas num texto - e cito-o.


"De certo modo – claro, há muitas pessoas que são pela tradição, há muitas pessoas que são pela revolução – e, de um modo geral, a regra é esta: quem está bem é pela tradição, não quer que as coisas mudem, está bem, deixa-se estar; quem está mal, se sente, enfim, com dificuldades, mal instalado, com fome ou com sede de melhor justiça, pretende a revolução e, portanto, quer que as coisas mudem. Quer a mudança".

06/12/2019

Israel e o Vale do Jordão

As autoridades de Israel propõem anexar, 'sem demora', o Vale do Jordão.

Ora, a wikipedia refere que este é "uma longa depressão que se estende por Israel, Jordânia, Cisjordânia e chega ao sopé dos Montes Golan. Na região encontram-se o rio Jordão, o Vale de Hula, o Lago de Tiberíades e o Mar Morto, o local de menor altitude da Terra.
É rico em património natural de interesse para a paleogeografia".

E, extremamente importante, "constitui a região agrícola mais fértil de Israel e Jordânia".


05/12/2019

A Hemeroteca Digital do Algarve e António Aleixo

A Hemeroteca Digital do Algarve vai organizar o arquivo de centenas de publicações editadas naquela que é a região mais meridional de Portugal Continental desde o ano 1810.

Ora, penso não ser totalmente desprovida de sentido a "apropriação", assim, de uma quadra escrita por um dos mais notáveis autores oriundos do Algarve – António Aleixo – e que é possível encontrar em "Quando começo a cantar...".

Quadra que, de resto, me parece poder ‘ilustrar’ perfeitamente algumas dimensões da realidade, portuguesa e não só, como, por exemplo, a invenção de títulos académicos:


"Há pessoas muito altas
de nome ilustrado e sério,
porque o oiro tapa as faltas
da moral e do critério".

04/12/2019

A taxa cultural africana


Acabei de ler um texto a que o jornalista senegalês Ousseynou Nar Guèye deu o título "Non à la restitution du patrimoine africain, oui à une taxe culturelle sur les musées occidentaux".

Reconhecendo que muitos dos objectos culturais originários de países africanos que integram actualmente o espólio de espaços museológicos "ocidentais" não foram roubados pois sendo esses países, à época, colónias e sendo estas parte da chamada metrópole a sua "transferência" não foi ilegal, este jornalista propõe, assim, que em vez da mera devolução de objectos esses museus "ocidentais" imponham uma taxa – a "taxa cultural africana", como a definiu – no valor de todos os bilhetes de entrada que fossem cobrados.

Ora, esta foi, talvez, uma das propostas mais lúcidas e inteligentes que já li sobre esta matéria, por assim dizer.



***



O mundo da Química, por assim dizer, celebra, em 2019, a criação, pelo cientista russo Dmitry Mendeleev, do Sistema Periódico dos Elementos Químicos - vulgo, Tabela Periódica.



Em 1869.



Há cento e cinquenta anos, pois.



Mas celebra também, estou absolutamente certo, a inclusão, neste ano do século XXI, de cento e dezoito novos elementos químicos na referida tabela.








03/12/2019

De escravos a cidadãos

No ano em que se assinalam os quatrocentos anos do início do comércio negreiro - a escravatura... - para o território que hoje 'é' os Estados Unidos da América (embora esse território tivesse começado a 'receber' escravos africanos antes de 1619), o Gana, hoje um país que chegou a 'acolher' cerca de setenta e cinco por cento das então chamadas feitorias que negociavam, também, seres humanos, decidiu atribuir a cidadania a cento e vinte e seis afrodescendentes e afrocaribenhos descendentes desses escravos.

Medida essencialmente de carácter administrativo mas, também e sobretudo, emocional, cultural e identitário.

E, assim, justíssima.

02/12/2019

1640

"Os pesados impostos e as reformas administrativas que Filipe IV [III em Portugal] mandou aplicar fizeram renascer o espírito de independência em algumas províncias do seu reino, levando-as à revolta em 1640.
Quando o rei espanhol manda os seus exércitos para Barcelona (na Catalunha), os conspiradores portugueses aproveitam a ocasião e põem em prática o seu projecto de revolução".


Fonte: manual escolar que utilizei...






Painel de azulejos que 'ilustra' uma das salas de leitura do Palácio Galveias, em Lisboa.

30/11/2019

A efemeridade e a eternidade

A temática central, por assim dizer, do pequeníssimo texto que agora escrevo é o furto, na Alemanha, há poucos dias, de 'jóias nacionais'.

Ora, se há muito que sei que há quem, por amor ao efémero dinheiro, se apodere ilicitamente de objectos importantes para a História - e, claro, também para a Identidade - de um país (pense-se no 'caso' de alguma azulejaria em Portugal, por exemplo), fico atónito sempre que alguém, através de métodos aparentemente simples, por assim dizer, consegue como que enganar/iludir os supostos sistemas de 'alta segurança' de um espaço físico (um museu, por exemplo) e roubar (ou furtar) 'peças' imensamente importantes.

Mas, a verdade é que os indivíduos e os seus malabarismos criminosos desaparecerão (que pena tenho que nunca se lembrem disso...) enquanto que um país e a sua História viverão sempre (quanto mais não seja nos livros).

29/11/2019

Ainda das religiões

Tenho aqui escrito ultimamente sobre religiões.

Não sendo este um blogue religioso, por assim dizer, quero apenas fazer (mais) uma citação.

Esta de um escritor francês – Stendhal (psudónimo de Henri-Marie Beyle), que viveu em dois séculos, de 1783 a 1842: "Todas as religiões são fundadas sobre o temor de muitos e a esperteza de poucos".

28/11/2019

A origem do monoteísmo

Segundo um manual escolar da disciplina de História que "uma vez" usei, "A grande originalidade da civilização hebraica reside na revolução religiosa, operada, gradualmente, num período que podemos situar entre 1500 e 600 a.C [antes da data geralmente atribuída ao nascimento de Jesus Cristo]. Ao contrário dos outros povos do seu tempo, que eram politeístas, os Hebreus adoptaram o monoteísmo: acreditavam que o seu deus – Jeová ou Javé – era superior a todos os outros deuses e os conduziria de novo à Terra Prometida, tal como tinham feito Abrãao e Moisés. Mais tarde, os Hebreus passaram a acreditar que o seu Deus era único e fora ele que criara e governava todos os homens da Terra (Todo-Poderoso). Tratando-se de um deus espiritual, não era representado através de imagens".

27/11/2019

"Haj"

Já aqui escrevi algumas vezes sobre o Islão.

Mas não isto: são milhões aqueles que, todos os anos, partem de vários lugares do mundo, da Turquia à Indonésia, por exemplo, com o objectivo de cumprir o último dos cinco 'mandamentos' da doutrina de Maomé - a peregrinação ("Haj", em árabe), por todos os muçulmanos, a Meca (na Arábia Saudita) pelo menos uma vez na vida.

26/11/2019

Dupla vitória

A recente vitória de um português treinador de futebol numa competição internacional ao serviço de um clube estrangeiro - neste caso, brasileiro - trouxe-lhe, sem dúvida, reconhecimento profissional (e pessoal).

No entanto, tendo em conta a enormíssima cobertura mediática que envolveu essa vitória, penso que existiu uma outra personalidade que obteve também uma melhoria na projecção da sua imagem pública, sim, mas igualmente cultural e identitária: refiro-me ao país Portugal.

Uma personalidade colectiva, claro.

A vitória de Jorge Jesus deu a Portugal uma imagem - renovada?? - de um país 'berço' de gente inovadora, sagaz, empreendedora e sem medo de arriscar.

Imagem verdadeira?

Ou falsa?

25/11/2019

"Citius, Altius, Fortius" em Macau

É claro que os mais de setecentos atletas que participaram na primeira edição dos Jogos da Lusofonia que aconteceu em Macau, na China, no ano de 2006 (de 7 a 15 de Outubro) quiseram obter (pelo menos) uma das cento e cinquenta e três medalhas em disputa, em quarenta e oito modalidades.

E talvez tenham tido também presente o lema dos Jogos Olímpicos – "Citius, Altius, Fortius" (ou, em português, "Mais rápido, mais alto, mais forte").

Mas de certeza que também se lembraram, em cada momento de concentração mental nesse evento, da tradução portuguesa da versão originalmente composta em língua inglesa do lema "4 Continents, 1 Language, United by sport!" (ou, em português, "4 Continentes, 1 Língua, Unidos pelo desporto!") que adoptou – bem como, talvez, na frase que o compositor e cantor brasileiro Caetano Veloso incluíra vinte anos antes na canção "Língua" – "Minha pátria é minha língua".

23/11/2019

O assassinato de JFK e a Verdade

Assinalaram-se ontem os cinquenta e seis anos do assassinato do presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy (JFK).

Foi efectivamente em 22 de Novembro de 1963 que JFK foi morto.

Por quem e por que razões são perguntas a que a Verdade talvez nunca venha a responder definitivamente.

22/11/2019

Fidalgos intemporais

"Os fidalgos, a quem o soberano fazia doações de vilas e outros lugares, não só não guardavam aos moradores os seus usos e costumes, os seus foros e liberdades, evitando por todos os modos que as queixas dos oprimidos chegassem aos ouvidos do Rei, mas com a numerosa e insolente comitiva que os acompanhava, cometiam toda a casta de violência. Tomavam as roupas alheias, e serviam-se delas até as inutilizarem; roubavam as galinhas, a palha e a lenha; forçavam as mulheres e filhas dos habitantes dos lugares; praticavam, enfim, malfeitorias de tal ordem que os moradores, diz o povo, queriam antes que os vendessem a mouros, do que os deixassem ficar na sujeição em que se encontravam".


Esta não é uma citação que ‘retirei’ do livro de Luís Sá (dirigente do Partido Comunista Português), publicado no ano 2000, "Traição Dos Funcionários? Sobre a Administração Pública Portuguesa" mas uma citação que li ‘retirada’ do livro escrito por Henrique da Gama Barros em 1885 "História da Administração Pública dos sécs. XII a XV".

Mas será que descendentes dos fidalgos de outrora e muitos dos seus costumes aqui descritos, apesar de ‘adaptados’ ao tempo de hoje, não continuam a existir em Portugal?