31/03/2020

"Emoglyphs"

O Museu de Israel, em Jerusalém, abriu ao público em meados do mês de Dezembro de 2019 a exposição "Emoglyphs".

Ora, limito-me a citar (depois de traduzir, claro) o texto na página a ela dedicada no sítio do museu na "Internet":


"A escrita hieroglífica nasceu no Egipto há cerca de cinco mil anos. Inicialmente composta por centenas de imagens, a passagem do tempo ditou que essas mesmas imagens fossem substituídas por um código escrito contendo aproximadamente vinte sinais que constituem, ainda hoje, a cultura ocidental escrita.
Ora, poderia, em dado momento da História, parecer que a escrita através de imagens – ou, se se quiser, símbolos – havia sido abandonada para sempre. No entanto, num século XXI essencialmente digital, a imagem/símbolo – agora designada por emoji – "regressou à escrita com toda a força".
Assim, esta exposição ‘percorre’ os milhares de anos que ‘separam’ a Antiguidade da Contemporaneidade através da exibição de um fundo de descobertas com origem no Antigo Egipto e o uso moderno de emoji’s: filmes e ‘postos’ multimédia explicam como na "Idade das Pirâmides" bem como na "Idade Cibernética" actual as imagens/símbolos podem ser a base de um complexo sistema de comunicação visual.
Muitos dos objectos aqui expostos – entre eles vários que podem ser vistos pela primeira vez –, integram o espólio do Museu de Israel enquanto que outros provêm de uma colecção privada com origem na capital do Reino Unido".


Acrescento que o dia 12 de Outubro de 2020 era o dia inicialmente previsto para encerramento das visitas a esta exposição. Todavia, dado o Museu de Israel se encontrar actualmente encerrado devido à pandemia que está a ‘varrer’ o mundo, não custará a imaginar uma outra data de fecho.

E acrescento também que no mês de Outubro - mas de 2019 - o consórcio que regula a utilização de emoji's - o norte-americano Unicode Consortium - aprovou o 'uso' de cento e sessenta e oito novos emoji's: não deixará, de facto, de ser interessante analisar-se os já mais de três mil emoji's a partir de uma perspectiva geopolítica.

30/03/2020

O Alasca

Foi exactamente no dia que hoje 'passa', 30 de Março, mas do ano 1867 - há cento e cinquenta e três anos, portanto - que os Estados Unidos da América compraram à Rússia uma parcela de território.

Uma parcela com o 'tamanho' de mais de um milhão e setecentos mil quilómetros quadrados (recordo que Portugal tem uma dimensão territorial de cerca de noventa mil quilómetros quadrados).

De facto, foi durante o tempo de governo do presidente Andrew Johnson (através do secretário de Estado William Seward) que foi assinado o tratado respeitante à compra daquele que é hoje o maior dos cinquenta estados que compõem a federação Estados Unidos da América - em termos de dimensão física, por assim dizer: o Alasca*.



* o segundo maior estado é o Texas com cerca de seiscentos e noventa e cinco mil quilómetros quadrados.

28/03/2020

Reescrever a História

"O único dever que temos para com a História é o de a reescrever".



Oscar Wilde (1854-1900), escritor e dramaturgo irlandês




***




"Se a história se repete e se o inesperado sempre acontece, que incapaz deve ser o Homem de aprender com a experiência".



George Bernard Shaw (1856-1950), escritor e dramaturgo irlandês

27/03/2020

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Originalmente fundado em 1863, o actualmente designado Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é um organismo independente e politicamente neutro que actua exclusivamente do ponto de vista humanitário tentando proteger as vidas e a dignidade das vítimas de conflitos armados e de outras situações em que precisem de ajuda.

Ou seja, em tempo de guerra e em tempo de ‘paz’.

Adoptou, por isso, dois lemas: "Inter armas caritas." e "Per humanitatem ad pacem.".

Em português: "Entre as armas está a caridade." e "Em direcção à paz, pela humanidade.".

E foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 1917 e em 1944.

Ora, aquela que viria a adquirir o ‘nome’ de Cruz Vermelha Portuguesa foi por sua vez criada – através de decreto – em 1865 e instalou a sua sede na antiga residência do Conde de Óbidos, em Lisboa.

26/03/2020

A higiene

Ouvindo, há dias, o presidente sérvio Aleksandar Vucic declarar, a propósito da doença COVID-19, que a solidariedade europeia não existia - era um "conto de fadas" -  e que o seu país se encontrava numa situação complicada (à semelhança de tantos outros, aliás), não pude deixar de me lembrar do que tinha já lido a propósito do servo-americano Nikola Tesla - no livro "Wizard: The Life and Times of Nikola Tesla" que o autor Marc Seifer escreveu e que a editora Citadel Press publicou em 2001: que aquele era um fanático pela higiene ("hygiene freak", no original em língua inglesa) e que, nos últimos anos de vida, estas "obsessões" se tornaram mais 'intensas', levando-o (supus que se quisesse insinuar que estas "obsessões" fossem uma espécie de consequência directa) a falecer só (e também na "miséria") num quarto de hotel.

Ou seja, aquilo que o autor 'classificou' como sendo negativo - um "fanático pela higiene" - já que levou Tesla a falecer em solidão é, curiosamente, o que se exige por estes dias de pandemia (e, portanto, positivo): que se seja uma espécie de "fanático pela higiene" e que se fique, tanto quanto possível, só.

Mudam-se os tempos...

25/03/2020

Profissão de alto risco: imperador Romano

Ainda ontem aqui escrevi algumas palavras acerca de um imperador Romano.

Calígula, no caso.

Ora, não sei se o imperador Calígula se 'enquadrou' naquilo que o engenheiro e docente universitário norte-americano Joseph Saleh concluiu num estudo publicado digitalmente pelo jornal Palgrave Communications em Dezembro passado (em 2019) - "Statistical reliability analysis for a most dangerous occupation: Roman emperor": segundo revelou, os próprios gladiadores tinham uma maior probabilidade de sobreviver aos brutais combates a que eram obrigados a manter na arena do que os imperadores de morrerem de causas naturais, por assim dizer.

Efectivamente, observou, quarenta e três dos sessenta e nove (ou seja, 62%) imperadores que governaram Roma entre os anos 14 e 395 depois do (suposto) nascimento de Jesus Cristo morreram de forma violenta (em batalhas ou às mãos de assassinos).

24/03/2020

Calígula

Lembro-me bem das expressões que há dias aqui utilizei: "tempos draconianos" e "esforços draconianos".

Servindo para (tentar) descrever o Tempo que grande parte do mundo vive actualmente, o nome do legislador ateniense da Antiguidade não é, seguramente, o único que poderia servir de base, por assim dizer, para a utilização de expressões que pudessem descrever este mesmo contexto de pestilência e de medidas securitárias.

Ora, recordo-me de um outro: Calígula.

De facto, apesar de não ter governado mais do que quatro anos, o imperador romano Calígula deixou a "sua marca": cobrou impostos, extorquiu e confiscou os seus concidadãos.

"Lembrem-se que eu tenho o direito de tudo fazer a quem quer que seja", terá afirmado um dia.

23/03/2020

O Museu Nacional de Arte Antiga

"O Museu Nacional de Arte Antiga está instalado, desde a sua fundação [em 1884], no palácio mandado construir, em finais do século XVII, pelo 1º conde de Alvor, D. Francisco de Távora, após o seu regresso da Índia, onde fora vice-rei. Em 1744, o edifício  passaria à posse de Matias Aires Ramos da Silva de Eça, Provedor da Moeda, que o arrendou ao embaixador da Alemanha e depois, em 1762, ao Contratador dos Diamantes e cônsul da Holanda, Daniel Gildemeester, que nele residiu durante décadas, realizando avultadas obras de beneficiação dos interiores. Com a morte de Matias de Aires, passou à posse de Paulo de Carvalho, que em 1768 o arrematou em praça por intermédio de Gildemeester, e, por morte daquele, à do marquês de Pombal, seu irmão, mantendo-se nesta família até à sua compra pelo Estado, em 1883, para instalação do Museu Nacional de Belas Artes. Foi também residência da duquesa de Bragança, viúva de D. Pedro IV, que aqui morreu em 1873".



Fonte: página na "Internet" do Museu Nacional de Arte Antiga





O Museu Nacional de Arte Antiga.

21/03/2020

A virtude dos tolos e não ter medo

"O silêncio é a virtude dos idiotas".



(Sir) Francis Bacon (1561-1626), político e filósofo inglês





***





"Quando os nazis vieram um dia e levaram o meu vizinho que era judeu, eu nada disse pois não era judeu. Voltaram no dia seguinte em busca do meu vizinho que era comunista. Mas, como eu não era comunista, nada disse. Ao terceiro dia vieram uma vez mais. Desta feita em busca do meu vizinho católico. No entanto, não sendo eu católico nada disse. E no quarto dia vieram ainda. Levaram-me a mim. Mas já não sobrava quem quer que fosse para me ouvir".



Martin Niemöller (1892-1984), teólogo e religioso alemão



                                                                               *** 



"Nunca tenhas medo. Nunca tenhas medo de defender a honestidade, a verdade e a compaixão face à injustiça, à mentira e à ganância".



William Faulkner (1897-1962), escritor norte-americano


20/03/2020

Peço desculpa

"Em sintonia com o conteúdo de anteriores declarações feitas por diversos governantes holandeses, eu* gostaria de declarar – e reiterar – o meu arrependimento e as desculpas pela violência excessiva utilizada pela Holanda durante aqueles anos**. E faço-o compreendendo perfeitamente que a dor e o sofrimento por esta infligidos continuam a ser sentidos".


Fazendo parte da declaração do rei holandês em visita recente à Indonésia, estas frases mostram algo que nunca ouvi, nem li, por parte de governantes portugueses em relação à guerra que Portugal manteve de 1961 até 1974 com vários países africanos na luta pela sua independência: um pedido de desculpa.

Para já nem falar de um pedido de desculpa pela escravatura e, enfim, pelo colonialismo.




* O actual monarca holandês, Guilherme Alexandre;

** A Indonésia declarou em 1945, perante a potência colonial Holanda, a sua independência mas apenas a viu ser reconhecida quatro anos mais tarde, em 1949.

19/03/2020

Ladrão que rouba ladrão, tem...

De acordo com um texto – "NATO Seen Favorably Across Member States" – que o instituto de estudos de opinião norte-americano Pew Research Center publicou na sua página na Internet no início do passado mês de Fevereiro (de 2020) a propósito de um estudo por si efectuado, observou-se que – atenção que desconheço a ficha técnica a que ‘obedeceu’ a elaboração deste estudo – 60% da população de Espanha não considerava que existissem ‘porções’ de outros países que pertencessem, por direito, a Espanha.

Mas também se observou que eram cerca de 40% (37%, na verdade) aqueles, no conjunto da população de Espanha, que achavam que outros países (Portugal e/ou a França e/ou o Reino Unido, sobretudo) haviam roubado (com ou sem aspas) a Espanha, ao longo da História, parcelas do seu território.

Ora, lamento dois factos: o primeiro é que Portugal, por assim dizer, não tenha participado neste estudo de opinião – repito: desconheço a ficha técnica a que ‘obedeceu’ a elaboração deste estudo. O segundo é a referência ao facto de me parece que muitos dos que sentem que Espanha foi espoliada de parte do seu território como país soberano se esqueceram – e esquecem –, seguramente, de Olivença*.

Concordo que um roubo não ‘desfaz’, nem ‘apaga’, outro roubo, mas...










* Recordo que foi, efectivamente, com a chamada "Guerra das Laranjas" (que foi levada a cabo em pouco mais do que duas semanas) que, em 1801 (durante o caos causado pela 1.ª Invasão Francesa em Portugal), Espanha – liderada pelo primeiro-ministro e chefe militar Manuel Godoy – ocupou um conjunto de localidades portuguesas situadas junto à fronteira. Ora, na sequência da assinatura de um outro tratado – o Tratado de Badajoz –, em Junho de 1801, foram restituídas a Portugal as localidades ocupadas: Arronches, Barbacena, Juromenha, Castelo de Vide, Ouquela e Campo Maior, por exemplo. Mas não Olivença. Anos mais tarde, em Junho de 1815, o Congresso de Viena decidiu a "devolução" de Olivença a Portugal sem que, no entanto, as autoridades espanholas lhe tivessem dado seguimento… Até hoje.



Post scriptum: o presidente da República Portuguesa declarou ontem o "estado de emergência". Ora, em quase novecentos anos de história só muito raramente (ou nunca, de facto...) Portugal - e os seus habitantes, evidentemente) - foram obrigados a submeter-se a um tal 'regime' de isolamento social.

18/03/2020

O discurso e a realidade

O presidente chinês Deng Xiaoping proclamou no início da década de 1980 a fórmula para a República Popular da China enfrentar a reunificação: "一国两制" ("Um País, Dois Sistemas", em português).


Efectivamente, à meia-noite de 1 de Julho de 1997 a "Union Jack", a bandeira do Reino Unido, foi substituída em Hong Kong pela bandeira de Pequim tornando-se essa região – juntamente com a ‘portuguesa’ Macau dois anos e meio mais tarde – uma região administrativa especial da China governada, claro está, sob a égide da referida política "一国两制" ("Um País, Dois Sistemas", em português).


Ora, à margem da reunião da ASEAN (sigla em língua inglesa) no início de Agosto de 2019, o então novo ministro dos Negócios Estrangeiros do país antigo colonizador desse território chinês pediu à China que respeitasse as manifestações (pacíficas, em seu entender) que já há algumas semanas estavam a decorrer em Hong Kong e que, enfim, cumprisse a Declaração Conjunta que os dois países – Reino Unido e China – haviam assinado antes da ‘devolução’ de Hong Kong.


No entanto, a importância de Hong Kong nem sempre parece ter sido levada na devida ‘conta’ pelo reino de Sua Majestade (que chegou a ‘acordo’ com a China após as guerras do ópio para colonizar Hong Kong): foi em Julho (no dia 24) de 2018 que a edição digital do jornal South China Morning Post escreveu o seguinte (no artigo "Britain’s ‘disgraceful’ pre-handover efforts to deny nationality to Hongkongers revealed in declassified cabinet files"):




"Antes do retorno das duas cidades, Hong Kong e Macau, para o domínio chinês, a Grã-Bretanha pressionou de forma repetida Portugal por forma a não conceder a nacionalidade lusa [nem demais direitos] aos seus residentes em Macau para evitar que os de Hong Kong pedissem o mesmo tratamento, revelaram documentos recentemente desclassificados".

17/03/2020

Epidemia e Pandemia

A Organização Mundial de Saúde declarou, há dias, que o surto de coronavírus (e a doença COVID-19 que 'originou') que estava - e está - a assolar o Mundo era uma pandemia.

Assim, não já uma epidemia mas uma pandemia.

Mas qual é a exacta diferença etimológica entre as palavras epidemia e pandemia?

Lembro que até cerca de meados do século XIX ambas as palavras eram utilizadas indiferentemente nos dicionários e documentos médicos.

Ora, a ‘origem’ é a palavra endémico.

Que significa que algo (uma doença, por exemplo) é originário de um determinado lugar.

É, portanto, específico.

Endémico provém do Grego en ("em") + demos ("gente") + o sufixo ic ("pertencente a um lugar").

Efectivamente, também a palavra epidemia tem uma ‘origem’ grega: Epi significa "entre".

Já a palavra pandemia tem, também, uma ‘origem’ grega: pan significa "comum", "todos".

Ou seja, uma epidemia ‘apenas’ existe numa comunidade relativamente diminuta em termos do número de pessoas (afectadas) enquanto que uma pandemia tem subjacente uma dimensão geográfica e humana muito maior.

Mas, como quase sempre, as definições têm explicações – e implicações, pois – políticas e económicas.

16/03/2020

Tavira, cidade

Embora tivesse começado a ser habitada alguns séculos antes da data atribuída ao nascimento de Jesus Cristo, só em 1520 o rei português D. Manuel I outorgou a Tavira o título de "cidade".


No dia 16 de Março de 1520, precisamente.


Ora, talvez a esta decisão real não tivesse sido alheia a ‘questão’ populacional já que os censos de 1527 registariam essa cidade como sendo o maior aglomerado populacional do Algarve.

 

 


 

15/03/2020

Origem: Drácon

"Tempos draconianos".

"Esforços draconianos".

Duas expressões que, em tempos de pandemia, é comum ouvir.

No entanto, qual é a origem?

Efectivamente, ambas as citações remetem para um nome: Drácon.

Drácon, nascido no ano 620 antes do suposto nascimento de Jesus Cristo, foi quem primeiro elaborou um conjunto de leis escritas que, de certo modo, como que regulamentavam a vida na sociedade ateniense de então afirmando, igualmente, a autoridade do Estado.

Começou esse conjunto legislativo por ser, desde logo, considerado como extremamente severo e rígido.

O facto de ainda hoje, em 2020, o ser explica que expressões como as que expus há algumas linhas atrás revelem a dureza e a gravidade de um determinado momento social, económico e político.


***


Num artigo de opinião que o jornal Negócios ("O coronavírus e a economia global") publicou no passado dia 5 de Março de 2020, Simon Johnson, antigo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e professor universitário norte-americano escreveu, entre muitas outras coisas, claro, o seguinte: "Parece improvável que esta doença se mostre tão mortífera quanto algumas doenças de que padeceram os nossos antepassados".

Ainda que eu não tenha conhecimentos para confirmar ou não a probabilidade da gravidade do vírus ‘baptizado’ COVID-19, limito-me a desejar que a sua opinião se venha a confirmar.

14/03/2020

O Dia Internacional da Matemática

Assinala-se hoje, 14 de Março de 2020, pela primeira vez, o Dia Internacional da Matemática.

Estranho somente que apenas em 2020 se comemore este "ramo" do conhecimento humano quando, por exemplo, a construção de estruturas - pirâmides - por povos em África (no Egipto) e na América (no actual México e não só) que necessitou de complicadíssimos cálculos matemáticos tenha começado há muitas centenas de anos.

13/03/2020

Então, se necessário for, molde-se ("manipule-se")

"O sentimento público é tudo. Com ele nada poderá falhar; sem ele nada poderá ter êxito".



Abraham Lincoln (1809-1865), político norte-americano

12/03/2020

A ponte e o padrão de Arcos de Valdevez

Já aqui escrevi sobre o chamado Padre Himalaia.

No entanto, as palavras que hoje escrevo não se referem a este extraordinário 'filho' da localidade minhota de Arcos de Valdevez mas sim à sua ponte e ao Padrão Comemorativo do Recontro/Torneio de Valdevez.


"A actual ponte que liga as duas margens da Vila de Arcos de Valdevez é uma construção do século XIX, iniciada em 1876 e finalizada em 1880, que substituiu integralmente um exemplar de origem medieval, de estrutura marcadamente românica, construída, provavelmente, entre os finais do século XII, inícios do século XIII, uma vez que nas Inquirições de 1258 o topónimo Arcos surge já referenciado.
A existência da ponte e sua associação com a feira local, de significativa dimensão e importância no século XV, bem como uma importante rede viária de e para o exterior, estiveram na base do desenvolvimento histórico, económico e social da vila dos Arcos".


***


"No âmbito das comemorações dos 800 anos do “Recontro de Valdevez”, ocorridas em Junho de 1940, a Câmara Municipal decide realizar, nesse mesmo ano, este padrão evocativo da efeméride. Colocado inicialmente no então denominado “Campo Almirante Reis”, hoje “Campo do Trasladário”, foi movido para uma nova localização, junto à Igreja do Espírito Santo, fruto das necessidades de intervenção na zona marginal. A atual implantação procura restituir ao monumento o seu anterior significado, devolvendo-o a um espaço simbólico original, marcado pela Avenida e pelo monumento equestre de homenagem ao “Recontro”, da autoria do escultor José Rodrigues, formando um percurso pelos símbolos e interpretações contemporâneas desse singular episódio histórico do século XII, um dos marcos essenciais na formação e génese de Portugal.
Ocorrido no Vale do Vez em 1141, o “Recontro”, “Torneio” ou “Bafordo” de Valdevez marcou as aspirações de independência do nosso futuro primeiro monarca Afonso Henriques, uma vez que do seu desfecho, vantajoso para os “portucalenses”, resultou, em 1143, um importante tratado de paz com Afonso VII de Leão e o uso, pela primeira vez, do título de “Rei” (rex), embora a soberania portuguesa só fosse reconhecida definitivamente, pelo Papa, em 1179.
Na inscrição patente neste Padrão lê-se: Recontro de Valdevez 1141. Aos cavaleiros de Afonso Henriques os portugueses de 1940".

11/03/2020

Fra Angelico

Foi por volta do ano 1436 que Guido di Pietro se tornou num dos habitantes do recém-construído Mosteiro de São Marcos, em Florença, Itália.

Um homem do Renascimento – artista (pintor), pois – tornado frade num espaço dominicano.

Sabendo das suas capacidades artísticas, o patrono do mosteiro, Cosme de Médicis, encarregou-o da decoração (e da inspiração…) das celas dos companheiros de reclusão.

Ora, tais trabalhos de pintura deram-lhe um reconhecimento artístico tal que terá mesmo chegado a afirmar o seguinte: "Colui che fa il lavoro di Cristo deve rimanere sempre con Cristo" ("Aquele que faz o trabalho de Cristo terá que ficar sempre com Ele", em português).

Este lema valeu a Fra Angelico – o nome atribuído a di Pietro não muito depois da sua morte – o ser beatificado pelo papa João Paulo II em 1982 sendo que é, actualmente, considerado o padroeiro dos artistas.

Portugal também teve, no entanto, quem se identificasse com aquelas palavras: Nuno Gonçalves, autor dos Painéis de São Vicente de Fora é, apenas, o mais conhecido.

10/03/2020

A constatação

Apresentando o próximo Congresso Nacional da APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, o seu presidente, Pedro Costa Ferreira, fez algumas afirmações que me parecem ter sido muito pertinentes e razoáveis tendo em consideração a histeria que, creio sinceramente, grassa actualmente em muitos ‘pontos’ da Terra em virtude de um vírus.

De facto, afirmou então que nesse ‘conclave’ estar-se-ia "a lutar pela modernidade, contra um mundo antigo" assim como "a lutar pela solidariedade e pela tolerância, contra os muros e os estigmas".

E concretizou: "A pandemia do Covid-19 revelou, em pouco tempo, como habitamos um mundo antigo", com a criação de estigmas e estereótipos sobre a comunidade chinesa tal como se apedrejaram supostos infectados ucranianos, por exemplo.

Tudo revelador (desculpe-se-me a repetição), em seu entender, da escolha do "medo" em detrimento de uma ‘escolha’ baseada em factos (e, portanto, em dados objectivos).

Ou seja, seres humanos por fora modernos e cosmopolitas mas por dentro preconceituosos e xenófobos como sempre foram, por assim dizer.

09/03/2020

A VOC e a "Peregrinação"

Volto à "Vereenigde Oostindische Compagnie" – VOC –, a Companhia Holandesa das Índias Orientais.

Constituída em 1602 (e dissolvida em 1798) e agrupando mercadores de várias cidades da Holanda, a VOC tinha como principal objectivo adquirir, e consolidar, um lugar no Comércio com o Oriente suplantando os seus inimigos ingleses (com a sua "East India Company") e portugueses (com a sua "Carreira da Índia").

Ora, sobrepor-se aos demais concorrentes significava para a VOC ter de participar em operações militares: eis a razão de, no seu seio, se ter formado um grupo constituído por mercenários suíços.

Grupo que, de resto, tinha como lema "Terra et Mare" e "Fidelitas et Honor" (ou, em português, "Na Terra e No Mar" e "Fidelidade e Honra").

Ou seja, superioridade militar.

Mas não só.

De facto, a muitos funcionários da Companhia Holandesa das Índias Orientais era solicitada a leitura da "Peregrinação" antes de embarcarem rumo ao Oriente.

Na verdade, assinalaram-se, em 2014, os 400 anos da publicação da "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto.

"Peregrinação" foi uma obra escrita em Almada (numa altura em que o autor se encontrava já afastado das suas jornadas mais aventureiras e agitadas) e publicada, postumamente, em 1614. Desde logo, em língua portuguesa, mas, pouco depois, noutros idiomas: em castelhano (a primeira edição espanhola data de 1620), em francês (com a sua primeira edição a ter lugar em Paris em 1625), em neerlandês (1652), em inglês (1653) e em alemão (1671).

É que "Peregrinação" – como destacava a capa da primeira edição inglesa – relatava as vivências e impressões do autor em muitos "reinos do Oriente" como o da Malásia, o do Sião (hoje, a Tailândia), o do Pegu (hoje, a Birmânia) ou o da China ao mesmo tempo que descrevia a sua "religião, leis, riquezas, costumes e formas de governo".

Mas a "Peregrinação" era, simultaneamente, como refere uma recente edição portuguesa, "um romance de crítica à sociedade do tempo: denúncia de atrocidades, ingratidões, desmandos, fraudes, hipocrisia e falsa religiosidade".

Sociedade de que, relembre-se, Fernão Mendes Pinto também fazia parte pelo que não podia, ele próprio, escapar às críticas tecidas.

Foi, no entanto, muito provavelmente, Fernão Mendes Pinto (para além de "marinheiro, senhor, escravo, jesuíta, pirata, mercador, juiz, escritor" como evoca o monumento erigido no Pragal, em Almada, por ocasião do 4.º centenário da sua morte, em 1983), independentemente da sua maior ou menor imaginação, o primeiro a recorrer, de forma sistemática e exaustiva, aos métodos fundamentais que, séculos mais tarde, viriam a ser reclamados pela ciência etnográfica para a obtenção de informação e simples relatos descritivos, isto é, a observação e a participação directas (na ‘primeira pessoa’) nos acontecimentos.

Contributo maior para a Europa ganhar uma maior consciência dos outros e, portanto, de si própria (e, talvez, um precioso auxílio para espoletar ou acelerar o início do fim do império português em terras do Oriente…), "Peregrinação" é, ainda hoje, um dos títulos em língua portuguesa mais traduzidos em todo o mundo.

07/03/2020

Conhecimento e ignorância

"Se o conhecimento pode criar problemas, não será através da ignorância que os resolveremos".



Isaac Asimov (1920-1992), escritor norte-americano nascido na Rússia

06/03/2020

Magalhães e Guam

O navegador Fernão de Magalhães ‘descobriu’ a ilha de Guam no dia 6 de Março de 1521. Há quatrocentos e noventa e nove anos, portanto.

05/03/2020

Macau e o Belo

Recordo o que o arquitecto italiano Leon Battista Alberti explicou no livro "Da Re Aedificatoria" (no século XV) a sua própria definição de Belo: "Todo e qualquer objecto ao qual nada possa ser acrescentado ou subtraído sem que a harmonia do todo se altere".

Por outro ‘lado’, o Dia Mundial da Arquitectura que se assinalou no ano 2013 (Dia celebrado anualmente, desde 1986, na primeira segunda-feira do mês de Outubro) teve como lema "Architecture and Culture" (ou, em português, "Arquitectura e Cultura").

De facto, se se tiver em consideração exemplos arquitectónicos ‘espalhados’ pelo mundo não será difícil perceber-se a dificuldade – também motivada pela falta de vontade – em atingir essa simbiose.

Quer na teoria, quer na prática, portanto.

Mas outros, pelo contrário, exibem-na facilmente.

Ora, se, efectivamente, a igreja de São Paulo, deixou de ser bela por causa de um incêndio, o que sobrou não deixou de ser arquitectura, nem cultura: foi pouco antes da soberania de Macau mudar oficialmente (de Portugal para a China) que o então presidente da República Federativa do Brasil, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, a visitou.

Eis o que declarou: "a gente chega e leva um choque porque quase ninguém fala a nossa língua, mas basta parar um pouco em frente às ruínas da igreja de São Paulo para ver que naquela fachada está sintetizada toda a cultura portuguesa".

04/03/2020

"Semper Fi", John Philip Sousa

Criados em Novembro de 1775 (oito meses antes da declaração de independência dos Estados Unidos da América), os Marines ("United States Marine Corps") participaram ao longo do tempo, como "ramo" das Forças Armadas do país, em inúmeras operações militares em vários continentes.

Ora, o que tem também vindo a acompanhar os Marines – cujo lema é "Semper Fi [delis]" ("Sempre Fiel", em português) – ao longo de muito tempo – desde o fim do século XIX – é o seu hino: composto pelo líder da banda musical do referido corpo de fuzileiros navais norte-americano, o lusodescendente John Philip Sousa, para representar os valores honra, coragem e compromisso e, no fundo, o espírito de união para com o país, é ainda hoje um dos ‘símbolos’ do poder militar (e não só) do país além-fronteiras.

De facto, os soldados vêm e vão mas a música ficará para sempre!

03/03/2020

"A Água é o Nosso Mundo"

Para poder utilizar a piscina pública sem quaisquer restrições, qualquer criança a viver na Holanda tem que ‘conquistar’ primeiro um certificado que exige saber nadar vestida e calçada.

Ora, o lema escolhido pela Federação Internacional de Natação para assinalar o seu centésimo aniversário (em 2008) foi "Water is Our World" ("A Água é o Nosso Mundo", em português) poderá ter sido, de forma involuntária, claro, uma espécie de alerta para as consequências das alterações climáticas que já então exigiam – e exigirão cada vez mais no futuro – a adopção de competências técnicas como a habituação ao meio aquático ou o saber nadar.

Adopção a que Portugal não escapará até porque como o Prof. Filipe Duarte Santos escrevera já no seu artigo "Alterações climáticas: situação actual e cenários futuros" (de 2004), "as alterações climáticas induzidas pelo homem são já inevitáveis durante vários séculos. Será apenas possível controlar a sua intensidade por meio da diminuição do valor global das emissões. Face a esta realidade, há essencialmente dois tipos de respostas que se complementam: mitigação e adaptação" e que "Portugal, em relação ao continente Europeu, é um país bastante vulnerável às alterações climáticas, tal como todo o Sul da Europa e região Mediterrânea [Mediterrânica]".

02/03/2020

Chopin

Aquele que viria a ser um dos ‘maiores’ compositores da música feita na Europa, Fréderic Chopin (ou Fryderyk Chopin), nasceu no dia 1 de Março de 1810 na vila polaca Zelazowa Wola (localizada "perto" da capital Varsóvia).


Ora, o seu pai era um francês que vivia na Polónia há já muitos anos.