30/11/2020

A "Revolução Industrial"

Lembro-me perfeitamente de, enquanto estudante, ter ‘tropeçado’ na expressão "Revolução Industrial".


O que não sabia era que esta havia sido amplamente divulgada – e não "inventada" – por Arnold Toynbee, historiador económico inglês que viveu no século XIX, como ‘forma’ de explicar a importância de um movimento económico, social, cultural e político que Inglaterra conhecera entre, sensivelmente, 1760 e 1830.

28/11/2020

O Auto e a Fábula

Segundo a obra "Termos Básicos de Literatura, Linguística e Gramática" (Publicações Europa-América), "Auto" é um "termo que surge nos finais da Idade Média, durante os séculos XVI e XVII, aplicado ao teatro tradicional sob os mais diversos temas, que, ao mesmo tempo, divertia e moralizava pela sátira de costumes. Foi cultivado sobretudo em Espanha e Portugal por Juan del Encino e Gil Vicente" e "Fábula" é uma "composição de sentido alegórico e moral cujas personagens são animais que falam e têm como principal objectivo cativar, para transmitir moralidade e criticar os vícios".

27/11/2020

Mongol e Mogol

Vi e ouvi há dias, no canal 2 da R.T.P., um documentário sobre a Pérsia. Documentário produzido e realizado pela "British Broadcasting Corporation" (ou B.B.C.), acrescente-se.


Assim, em dado momento, fez-se referência a uma invasão chefiada por Gengis Khan.


Ou seja, pelo exército mongol, espécie de ‘personificação’ do Império Mongol, precisamente.


Mas a(s) pessoa(s) encarregada(s) da legendagem de tal ‘peça’ televisiva optou(aram) por designar a referida invasão de...Mogol.


Ora, se é um facto histórico que os Mongóis invadiram (militarmente, pois) a Pérsia (ou Irão, como é, quase sempre, actualmente, designada), a Pérsia nunca esteve sujeita ao Império Mogol.


Foi apenas no século XVI que um descendente do mongol Gengis Khan invadiu o chamado subcontinente indiano tornando-se, de seguida, o primeiro governante num ‘espaço’ de tempo (mais de dois séculos, recordo) em que o território indiano esteve sujeito ao islamismo: o Império Mogol.


De facto, confundir – repetidamente, diga-se – Império Mongol (e Pérsia) com Império Mogol (e Índia) e os respectivos períodos de tempo em que se relacionaram, por assim dizer, é manifestar, desde logo, uma ausência de rigor histórico.


E mais não digo (escrevo)...

 


 Pérsia: Mongóis ou Mogóis?

26/11/2020

Estados Unidos da América, Espanha e Filipinas

Como ‘parte’ integrante de um tratado de paz estabelecido em 1898 – o Tratado de Paris – entre Espanha e os Estados Unidos da América, este último comprou – note-se, comprou – à Espanha as Filipinas por cerca de vinte milhões de dólares.


Ainda assim, mais do que os sete milhões que, três décadas antes, tinha pago pela compra, à Rússia, do Alasca.

25/11/2020

Trotsky e o "exército vermelho"

Léon Trotsky foi a quem, depois da "Revolução de Outubro", foi atribuída a tarefa de reorganizar o exército russo, daí em diante designado "exército vermelho".

24/11/2020

A "espada de Dâmocles"

Já escrevi aqui neste ‘espaço’ sobre a expressão "vitória de Pirro".


Do facto de, apesar de a utilizar, pouco – ou nada… – saber sobre a sua ‘origem’.


Ora, o mesmo se ‘aplica’ à expressão "espada de Dâmocles".


A sua origem remonta às "Tusculanae Disputationes", obra escrita pelo filósofo romano Cícero em no ano 45 antes do ano atribuído ao nascimento de Jesus Cristo. Dionísio II, rei que havia sido da cidade siciliana Siracusa que governava com "mão de ferro" e, talvez por isso, vivia amedrontado com o facto de poder ser assassinado, residia num luxuoso palácio rodeado de criados. Um deles, de seu nome Dâmocles, bajulador ("engraxador"), invejava-lhe a posição e o poder supremo. Certo dia, o rei, cansado de o ouvir, sugeriu-lhe que, por um dia, fosse ele o rei. Dâmocles, claro, ficou extasiado e aceitou. Coroado e rodeado de riquezas e luxo, Dâmocles sentiu-se o homem mais feliz a viver à face da terra. Banqueteando-se abundantemente (e inebriantemente) e ouvindo música, reparou que, pendendo sobre a sua cabeça, pairava uma espada com uma lâmina aguçada e reluzente presa ao tecto apenas por um fino cabelo. Rapidamente, pois, o estado de arrebatamento o abandonou: era essa mesma espada presa ao tecto por um só cabelo que Dionísio via todos os dias. E com medo que algo ou alguém o cortasse.



Assim, ao popularizar a expressão "espada de Dâmocles", Cícero pretendia como que lembrar o perigo constante como "preço a pagar" pelo exercício do poder...


 

23/11/2020

A "Revolução Gloriosa"

A "Revolução Gloriosa" refere-se aos acontecimentos que caracterizaram Inglaterra em 1688 e em 1689: a deposição do monarca reinante, Jaime II, e a sua ‘substituição’ pela sua filha, Maria II, e pelo marido desta, Guilherme II, príncipe de Orange e governante dos Países Baixos.

21/11/2020

As "raízes" da Constituição dos Estados Unidos da América

Partiu de Plymouth, em Inglaterra, em Setembro de 1620, o navio mercante "Mayflower".


Só que dessa vez não transportava qualquer mercadoria.


Apenas passageiros.


Mais de cem.


Que queriam começar, no outro ‘lado’ do Atlântico, na então colónia inglesa que se viria a ‘chamar’ Estados Unidos da América, uma ‘nova’ vida.


Ora, uma vez aí chegados decidiram alguns desses passageiros elaborar um documento – o "Pacto de Mayflower".


Este pacto foi assinado no dia 11 de Novembro de 1620 (que corresponde ao dia 21 do referido mês de acordo com o actual calendário) e, sendo uma espécie de acordo de princípio para o ‘funcionamento’ democrático da nova colónia a criar, inspirou as ‘bases’ da Constituição dos Estados Unidos da América.

20/11/2020

D. Pedro IV e a Monarquia Constitucional

Foi em 1870 que foi inaugurado, em Lisboa, o Monumento a D. Pedro IV.

Precisamente meio século após a Revolução Liberal – em 1820.

Ora, a instauração, em Portugal, da Monarquia Constitucional correspondeu à última fase do regime monárquico no país.

19/11/2020

Tanques em Cambrai

Centenas de tanques (veículos armados) ‘invadiram’, no dia 20 de Novembro de 1917, as linhas da frente de guerra controladas pelos soldados alemães na cidade francesa Cambrai.


Foi o maior desfile de tanques.


Num contexto de guerra, evidentemente.

18/11/2020

A Arménia cristã

O primeiro país do mundo a adoptar o Cristianismo como doutrina religiosa oficial do Estado – e dos seus cidadãos – foi a Arménia.


No século IV (depois da data atribuída ao suposto nascimento de Jesus Cristo).

 

17/11/2020

O Real Edifício de Mafra

Foi no dia 17 de Novembro de 1717 que o rei português D. João V ‘lançou’ a primeira pedra daquele que viria a ser designado "Palácio Nacional de Mafra".


Pedra necessariamente abençoada pelo Patriarca de Lisboa (Ocidental) perante o olhar de toda a Corte.


Aproveito para lembrar que a direcção da construção coube a João Frederico Ludovíce, ourives alemão com formação em arquitectura em Itália, e que o número de operários – provenientes de todo o país – chegou a exceder cinquenta mil num determinado ano.

 

 22 de Outubro, data em que D. João V comemorou o seu 41.º aniversário, foi a data escolhida para a sagração da Basílica (dedicada a Nossa Senhora e a Santo António).

16/11/2020

Um súbdito nada neutral

Nada quero escrever, evidentemente, sobre o facto de o artista búlgaro Christo (que faleceu em Maio deste ano) ter sido 'alvo', na década de 1980 enquanto vivia e trabalhava em Nova Iorque, de espionagem por parte do regime comunista que governava a Bulgária. 

 

Mas sim sobre Cícero.

 

Cícero foi o pseudónimo escolhido por um indivíduo nascido no seio do Império Otomano (no actual Kosovo) e que, durante a II Guerra Mundial, ‘trabalhou’ (espiou…) para o regime nacional-socialista alemão enquanto estava ao serviço do embaixador britânico destacado na Turquia (que, recordo, era neutra).

14/11/2020

A capital do Brasil

A capital do Brasil após a independência nem sempre foi Brasília.


Na verdade, até 1960, a capital brasileira era a "cidade maravilhosa": Rio de Janeiro.


Só após 1960, a capital foi ‘transferida’ para Brasília, uma cidade projectada e construída a partir do nada, por assim dizer, pelos arquitectos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.

13/11/2020

Čapek e o "robot"

Foi há exactamente um século que o escritor e argumentista checo Karel Čapek deu a conhecer a palavra "robot" – para descrever seres humanos artificiais, por assim dizer ("robô" em língua portuguesa).

No livro "Rossum’s Universal Robots" (publicado em Novembro de 1920).

Palavra inventada, diga-se, com a ajuda do seu irmão Josef.

Ora, tal livro daria não apenas ‘origem’ a uma peça de teatro (que estreou em Janeiro de 1921) mas seria também o precursor de inúmeros trabalhos de ficção científica no ‘campo’ do entretenimento (livros e filmes, por exemplo) e de numerosas investigações no ‘plano’ académico e, enfim, da designada vida real...

 


 

 

12/11/2020

A breve história de um escritor

O ‘sentido’ revolucionário e activista das palavras escritas pelo autor norte-americano John Reed levaram-no, primeiro, a ser encarado como herói por muitos intelectuais mas, também, como traidor pela Justiça dos Estados Unidos da América.


Acabou, assim, por fugir para a União Soviética onde, após morrer de tifo, os seus restos mortais foram sepultados juntamente com os de vários líderes políticos – bolcheviques – no Kremlin, em Moscovo.

11/11/2020

O fim da I Guerra Mundial

Cerca das cinco horas da manhã do dia 11 de Novembro de 1918, os emissários dos países Aliados e os da Alemanha assinaram a rendição desta pelo que, horas depois, chegou ao fim um dos conflitos mais mortíferos na história humana até então: a I Guerra Mundial.

10/11/2020

A Batalha de Varna

Volto a Istambul.

Bem, não literalmente.

Infelizmente.

Foi no dia 10 de Novembro de 1444 que se consumou a Batalha de Varna.

Foi nessa mesma batalha que se verificou a vitória de soldados turcos (em conjunto com mercenários, claro) sobre uma força húngara (e não só).

Ora, a vitória turca e a consequente derrota húngara significou, assim, o fim da tentativa europeia de impedir que não apenas Constantinopla (actualmente Istambul) como toda a região que a geopolítica definiria depois como Balcãs "caísse em mãos turcas".

09/11/2020

O poder da leitura

O Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas (no concelho de Sintra) contém, numa das suas divisões, a seguinte inscrição:


"Ora . Lege . Lege . Lege . Relege . Labora . Et . Invenies".


Em latim, portanto.

 

Em português: "Reza . Lê . Lê . Lê . Relê . Trabalha . E . Conseguirás".

 

De facto, o filósofo francês Montesquieu (1689-1755) escreveu que "estudar tem sido, para mim, a melhor solução para enfrentar as desilusões da vida. Nunca identifiquei um qualquer problema que, após uma hora de leitura, continuasse a sê-lo"….

 

 


Ler, ler e ler...

07/11/2020

Os "Belgae" e a "Bélgica"

Nada quero escrever em relação ao facto de a Bélgica ser, actualmente, um dos países do continente europeu (ou euro-asiático…) onde a taxa de infecção da ‘sua’ população pelo vírus "SARS-CoV-2" é mais elevada.


O que quero lembrar é, sim, o facto de o nome "Bélgica" ter origem no nome "Belgae", uma das tribos (de ‘origem’ celta) que, na pré-história, se fixou no território que todos designamos "Bélgica"…

 

06/11/2020

A Guerra de 1812

A Guerra de 1812 foi um conflito bélico entre os exércitos dos Estados Unidos da América e o do Reino Unido e Irlanda.


Foi um confronto que se iniciou em 1812, precisamente, e que só terminaria em 1815 depois da assinatura, em 24 de Dezembro de 1814, de um tratado: o Tratado de Gent ("Gent", em flamengo, ou "Gant", em francês, cidade belga).

05/11/2020

O racismo na Tunísia: mais um passo

A escravatura foi oficialmente abolida na Tunísia em 1846 mas não foi senão há poucos dias que um cidadão do país conseguiu, perante a Justiça, que um dos seus apelidos – "ateeq", que significa "descendente de escravos" – fosse "eliminado" dos registos.


Recordo que os Negros – como este cidadão – perfazem cerca de quinze por cento da população daquele país do Norte de África mas continuam a ver-lhes negado o acesso, por exemplo, a muitas oportunidades de trabalho.

04/11/2020

Londres, Fénix renascida

Ainda ontem aqui escrevi sobre Londres, a capital inglesa.


Retorno, assim, à cidade.


Em sentido figurado, evidentemente.


Longe, muito longe, no Tempo, está o Grande Fogo de Londres: em 1666.


Ora, muitos terão, então, abandonado a cidade.


No entanto, tal como Fénix renasceu das cinzas, também Londres, de então para cá, se tornou uma cidade cosmopolita e vibrante.


De facto, podem, em 2020, ouvir-se nas escolas da cidade mais de trezentos idiomas...

03/11/2020

O urbanismo: passado e futuro

Depois dos seljúcidas terem reinado no território que actualmente – e desde há décadas – se designa por "Turquia" desde, sensivelmente, meados do século XI até meados do século XIII e depois da invasão por parte dos mongóis, os turcos otomanos fundaram e consolidaram, entre os séculos XIV e XX um dos ‘maiores’ impérios que a História humana já havia testemunhado.


Não admirará, por isso, que cerca do ano 1650, Istambul tenha sido a cidade mais populosa do mundo com uma população estimada em setecentas mil pessoas.


Tal como não admirará a previsão da Organização das Nações Unidas (a O.N.U.) do crescimento, ao ‘longo’ dos próximos anos, do fenómeno urbano no mundo.


Ora, sendo Istambul a única cidade do mundo que ‘assenta’ em dois continentes – Europa e Ásia –, parece-me importante recordar que, ainda segundo as previsões da O.N.U., Londres será, na Europa, e já em 2030, a cidade mais densamente povoada com quase dez milhões de habitantes.


Na Ásia, por "outro lado", Ho Chi Minh (a antiga Saigão vietnamita) será, com vinte e oito milhões de pessoas, a cidade mais populosa.

02/11/2020

O terramoto de 1755

1 de Novembro de 1755.

 

Cerca das 9h30.

 

O continente português (não só a tantas vezes invocada Lisboa mas também a costa alentejana e a do Algarve) foi ‘sacudido’ por um terramoto que, supõe-se actualmente, terá atingido os nove graus da "Escala de Richter".

 

Ora, num país em que a maioria da população professava o catolicismo, as igrejas estavam a abarrotar para se celebrar os dias de Todos os Santos e o de Finados.

 

Estima-se, de facto, que um terço das cerca de trezentas mil pessoas que habitavam Lisboa tenha perecido em consequência dos sete a oito minutos que terá durado o sismo – e das suas dezenas de réplicas – mas, igualmente, do maremoto (ou "tsunami") e dos incêndios.

 

Vítimas da Natureza?

 

Sem dúvida.

 

Mas com ou sem intervenção divina?