Já escrevi aqui neste ‘espaço’ sobre a expressão "vitória
de Pirro".
Do facto de, apesar
de a utilizar, pouco – ou nada… – saber sobre a sua ‘origem’.
Ora, o mesmo se
‘aplica’ à expressão "espada de Dâmocles".
A sua origem
remonta às "Tusculanae Disputationes", obra escrita pelo
filósofo romano Cícero em no ano 45 antes do ano atribuído ao
nascimento de Jesus Cristo. Dionísio II, rei que havia sido da
cidade siciliana Siracusa que governava com "mão de
ferro" e, talvez por isso, vivia amedrontado com o facto de
poder ser assassinado, residia num luxuoso palácio rodeado de
criados. Um deles, de seu nome Dâmocles, bajulador ("engraxador"),
invejava-lhe a posição e o poder supremo. Certo dia, o rei, cansado
de o ouvir, sugeriu-lhe que, por um dia, fosse ele o rei. Dâmocles,
claro, ficou extasiado e aceitou. Coroado e rodeado de riquezas e
luxo, Dâmocles sentiu-se o homem mais feliz a viver à face da
terra. Banqueteando-se abundantemente (e inebriantemente) e ouvindo
música, reparou que, pendendo sobre a sua cabeça, pairava uma
espada com uma lâmina aguçada e reluzente presa ao tecto apenas por
um fino cabelo. Rapidamente, pois, o estado de arrebatamento o
abandonou: era essa mesma espada presa ao tecto por um só cabelo que
Dionísio via todos os dias. E com medo que algo ou alguém o
cortasse.
Assim, ao
popularizar a expressão "espada de Dâmocles", Cícero
pretendia como que lembrar o perigo constante como "preço
a pagar" pelo exercício do poder...