29/02/2020

O passado

"O passado nunca morre. O passado ainda nem sequer é passado".




William Faulkner (1897-1962), escritor norte-americano

28/02/2020

A união do sangue

Escreveu a professora Maria Cristina Cunha no seu "Estudos sobre a Ordem de Avis (séc. XII – XV)" o seguinte:


"As ordens militares nascidas na civilização ocidental medieval são, antes de mais, uma resposta encontrada pela Igreja e pela sociedade do século XII para o(s) problema(s) levantado(s) pela guerra contra o Infiel".


Mas não foi já na época medieval que foi fundada a Ordem de São Januário (nem o motivo foi a luta contra o ‘Infiel’): foi no século XVIII que esta ordem de cavalaria nasceu tendo como lema "In Sanguine Foedus" ("No Sangue, a União", em português). No Reino das Duas Sicílias, extinto pouco antes da formação do Reino da Itália, em 1861.

Ora, cerca de dois séculos depois da constituição da Ordem de São Januário, uma irmã de D. Maria da Glória – que viria a ser a rainha D. Maria II em Portugal –, a infanta D. Januária Maria, contraiu casamento com o filho do rei do Reino das Duas Sicílias.
 
 
 
post scriptum: aproveito para lembrar que Sicília era, então, parte do continente (e do Estado) italiano mas era também governada isoladamente. Ou seja, uma região – a Sicília – com duas identidades políticas: uma colectiva e outra individual, por assim dizer. Daí a designação "Reino das Duas Sicílias".

27/02/2020

A Legião Estrangeira

"Mercenários".

Uma simples palavra parece chegar para descrever quem integra a Legião Estrangeira de França, força militar criada na primeira metade do século XIX para defender os interesses do país no Hemisfério Sul (em África e na América do Sul, por exemplo).

Mas, mercenários ou não, certo é que existem portugueses nas suas fileiras – serão cerca de cem – entre os pouco mais de oito mil que integram a força.

Ao fazerem-no vincularam-se a uma espécie de código de honra próprio: o lema da Legião Estrangeira de França é "Legio patria nostra" ("A Legião é a nossa pátria").

26/02/2020

O Mar, Portugal e o Mundo

A última Exposição Internacional do século XX realizou-se em 1998 (de 22 de Maio a 30 de Setembro, recorde-se) na cidade de Lisboa: a Expo’98.

Ora, se, por um lado, foi através da realização da Expo’98 que Portugal procurou lembrar a importância histórica dos chamados Descobrimentos – o então presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, chegou mesmo a frisar que "Portugal fez do mar a via para se encontrar consigo, com os outros, com o Mundo" –, também foi através dela que, baseando-se no lema "Os Oceanos, um Património para o Futuro", queria projectar uma mensagem a todos aqueles que a visitassem – e foram cerca de dez milhões: a responsabilização de todos e de cada um na urgência da protecção de um património que ocupa cerca de 70% da superfície do planeta Terra.

24/02/2020

"A Minha Honra é a Lealdade"

Nunca Portugal teve, ao longo dos seus quase nove séculos de História, um só povo e um só líder embora tivesse conseguido formar – e manter – um império.

Ao contrário da Alemanha nacional-socialista: durante os seus doze anos de ‘vigência’ (de 1933 a 1945), o seu lema foi "Ein Volk, Ein Reich, Ein Führer" ("Um Povo, Um Império, Um Líder", em português).

Ora, em determinado momento da sua governação, a taxa de aprovação/satisfação pelos eleitores alemães chegou a ser extremamente elevada.

É claro que a melhoria da capacidade económica e da ‘desenvoltura’ social da generalidade da sociedade alemã influenciou grandemente uma vastíssima percentagem do povo germânico a aprovar o seu líder mas talvez tão (ou mesmo mais) importante do que a dita elevação económica e social da Alemanha tenha sido o facto de Adolf Hitler – e seus algozes – terem ‘dito’ a cada um desses alemães que pertencia a uma suposta raça superior.

Efectivamente, Hitler e o nacional-socialismo mais não fizeram do que dizer (porque talvez não existam grandes dúvidas de que o ‘sentimento’ de suposta superioridade étnica e racial já existia) aquilo que a maior parte dos alemães queria ouvir: que eram "grandes" e "importantes".

O que depois se veio a passar já todos (feliz e infelizmente) conhecemos.

De facto, foi esse mesmo discurso que foi cativando a força militar que começou por constituir a guarda pessoal de Adolf Hitler mas que se tornou num dos principais ‘braços’ do regime nacional-socialista e da sua brutalidade: a Schutzstaffeln (ou SS).

Que tinha como lema "Meine Ehre heißt Treue" ("A Minha Honra é a Lealdade", em português).

O seu dirigente máximo desde o início de 1929, o Reichsführer – SS Heinrich Himmler, empenhou-se em radicalizar a organização pelo que esta cometeu as maiores atrocidades a coberto da guerra (a II Guerra Mundial).

Na verdade, tal envolvimento poderá ser facilmente compreendido se se lerem as palavras de um discurso que Himmler pronunciou no dia 4 de Outubro de 1943 em Poznan, na Polónia, perante algumas centenas de oficiais da dita SS.

Através desse discurso procurou lembrar à sua audiência a lealdade que esperava no extermínio dos Judeus (o Holocausto) que estava a ser levado a efeito pelo regime alemão.

Assim, afirmou, por exemplo, o seguinte: "A maioria de vós sabe o que é estar junto a 100, a 500 ou mesmo a 1000 corpos. Ora, sabê-lo e ter conseguido permanecer decentes tornou-nos duros".

Precisamente, também o filósofo Claude Polin, no seu "O totalitarismo", reflectiu sobre esta questão da punição pela guerra: "Em todas as guerras existe um inimigo, mas que só o é condicionalmente, e a prova disso é que apenas se pretende que ele desista da luta. Se pretendermos tornar a luta em algo de absoluto, é preciso que o inimigo também o seja".

Ou seja, o Outro e quem será o Outro, já agora? – é, não raras vezes, "um inimigo que não sabe que o é, mas que continua a ser um inimigo sem o saber e sem querer, faça o que fizer".

Himmler, no entanto, é que parece não ter sido honrado, nem leal, quando, pressentindo o fim da guerra (e a derrota alemã), se apressou a tentar encetar negociações com os Aliados ‘ocidentais’ sem o conhecimento de Hitler.

Ao contrário do que se passou com o português Aristides de Sousa Mendes: o cônsul de Portugal em Bordéus optou por ser leal a si próprio pelo que, depois de ter salvo do Holocausto nazi milhares de pessoas, regressou a Portugal pagando com a aposentação compulsiva a sua insubordinação à neutralidade do Estado.

E ao contrário do cidadão português que foi morto a tiro na cidade de Paris em 1944 às mãos de soldados alemães…

22/02/2020

O Homem ou a vã ambição

"A inclinação mais natural, mais viva, e que mais fortes e profundas raízes tem lançado na natureza humana é o desejo ou apetite da glória".




António Vieira (1608-1697), padre e escritor português

21/02/2020

Paris e André de Gouveia

Saber ler e escrever era, na chamada Idade Média europeia, privilégio de poucos: o único grupo social com acesso à Cultura era o clero.

No entanto, a partir do século XII, e a pouco e pouco, as coisas foram mudando: a crescente complexificação da actividade social, económica e cultural das cidades implicava a necessidade de saber cada vez mais.

Assim surgiram as Universidades.

A primeira surgiu em Itália mas depressa se espalharam por praticamente todos os países da Europa.

A de Paris, por exemplo.

Que cresceu, naturalmente.

De facto, se a França é o país mais visitado do mundo, a Universidade de Paris acolhe hoje cerca de cento e vinte mil estudantes: não terá sido por mero acaso que o lema daquela tenha sido, até há não muitos anos, "Hic et Ubique Terrarum" (ou, em português, "Aqui e em Todo O Lado Na Terra").

Hoje, o lema já não é o mesmo mas o conceito é: "Hic et Ubique Mundi" ("Aqui e em Todo O Lado No Universo", em português).

Ora, foi de Portugal, precisamente, que, no século XVI, o então estudante André de Gouveia se dirigiu para Paris para aí prosseguir os seus estudos.

Para se tornar, anos depois, no reitor da Universidade de Paris.

Mas, cinco séculos passados, não é apenas o seu nome que a Casa de Portugal que se situa no "campus" da Cidade Universitária Internacional de Paris evoca – Casa de Portugal André de Gouveia.

É, também, o seu exemplo.

20/02/2020

A liberdade dos Açores

Actualmente, a Região Autónoma dos Açores é uma das sete regiões ultraperiféricas da União Europeia.
Ora, uma das razões por que uma região é considerada ultraperiférica tem a ver com a sua dependência económica de uma pequena quantidade de produtos.
A região – que se localiza a cerca de 1600 quilómetros do continente português** e tem como lema "Antes morrer livres que em paz sujeitos" –, livre e em paz, mas pobre, estará cada vez mais nas mãos do Turismo para que se possa desenvolver económica, social e culturalmente.



** E a cerca de 2454 quilómetros do continente americano (do Canadá).

19/02/2020

Descubra as diferenças

Talvez não seja assim tão difícil qualificar a artista peruana Daniela Ortiz com uma das palavras que compõem o lema do seu país: "Firme y feliz por la Unión" ("Firme e feliz pela União", em português).

A palavra firme, claro.

Ora, a exposição "O ABC da Europa Racista" que esteve patente, já em 2019, na Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, em Almada, foi assim descrita por uma espécie de folheto explicativo:


"A obra de Daniela Ortiz (Perú, 1985) debruça-se sobre a continuada presença na estrutura da sociedade contemporânea (especialmente na europeia) de um sistema colonialista sobre as políticas racistas e de controlo migratório no espaço europeu.
Ortiz apresenta-se como uma voz radical que critica abertamente a dimensão histórica e contemporânea do racismo e do colonialismo, e que usa o espaço do museu como lugar para desvendar, tornar visível e condenar um sistema que perpetua estas duas realidades".

18/02/2020

O destruidor fiel

O lema do estado alemão da Baviera antes do termo da I Guerra Mundial era "In Treue fest" (ou, em português, "Firme na Lealdade").

Embora não tenha a (absoluta) certeza se era este ou não o lema na Alemanha na "segunda metade" do século XVI, o livro que o historiador Joel Harrington na Universidade de Vanderbilt (no estado norte-americano Tennessee) publicou há cerca de seis anos sobre a vida de um carrasco de profissão, Frantz Schmidt, oriundo desse estado germânico, não hesitou em classificá-lo de fiel: "The Faithful Executioner: Life and Death, Honor and Shame in the Turbulent Sixteenth Century" (livro não traduzido em português).

Ora, a exposição "Instrumentos Europeus de Tortura e Pena Capital – Desde a Idade Média até ao Século XIX" que o Palácio das Galveias, em Lisboa, acolheu no fim da década de 1990 permitiu aos visitantes perceberem melhor uma dimensão dessa firmeza e dessa lealdade e terá também permitido, sobretudo, colocarem uma só questão a si próprios: como é que o espírito humano pode inventar instrumentos para, fisicamente, torturar o Outro e, espiritualmente, destrui-lo inteiramente?

De facto, como escreveu o astrofísico canadiano Hubert Reeves no seu "Malicorne": "No pequeno Homo Sapiens tudo é excessivo. Nele, intimamente misturados, estão o sublime e o horrível. Há nele, em potência, Wolfgang Amadeus Mozart e Adolf Hitler".

15/02/2020

A educação

"Educação é aquilo que a maior parte das pessoas recebe, muitas transmitem e poucas possuem".



Karl Kraus (1874-1936), escritor austríaco

14/02/2020

Liberdade, justiça e a escravatura

O lema actual da República do Gana é "Freedom and Justice" ("Liberdade e Justiça", em português).

Ora, não foi em liberdade e, muito menos, com justiça que um par de seres humanos se uniu matrimonialmente em A-dos-Cunhados há já alguns séculos.

Leia-se, de facto, o respectivo assento que então foi registado na igreja local:


"Aos dezasete dias do mes de Maio de mil e setecentos e quarenta e dois annos nesta Igr.ª de Nossa S.ra da Lus do lugar Dos Cunhados Tr.º da villa de Torres Vedras [A-dos-Cunhados, localidade pertencente ao concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa]: Em minha prezença, e das testemunhas abaixo assignadas se cazarão por palavras de prezente in facie Ecclesia = Joseph dos Santos homen preto n.al da Costa da Mina filho de pais gentios baptizado nesta Freg.ª aonde se dezobrigou: e Maria dos Anjos molher preta n.al de Angola filha de pais gentios baptizada na mesma cid.e; e se dezobrigou nesta Igr.ª ambos escravos de xxx xxxx do Cazal da Serpigeira desta Freg.ª e m.os em caza dot.º seu S.or: os quais admitti a çelebrarem o dito sacram.to do matrimonio, por ordem, que fica em meu poder, do D.or xxx xxx xxxx providor dos cazamtos: guardando, em tudo o mais aforma do Sagrado Concilio Tridentino, e Constituiçois deste Arcebispado: testemunhas, que prezentes estavão xxx xxxx Senhor dos ditos cazados e xxxx xx xxxx filho de xxxx xx xxxxx ambos desta Freg.ª de que fis este assento que assignei dia, mês e era ut s.ª


O Cura xxxx xxxx
[e respectivas testemunhas]"


Na verdade, a Costa da Mina é hoje ‘casa’ de uma das mais antigas fortificações com origem europeia no continente africano já que foi construída pelos portugueses em 1482: como refere, de resto, a página da UNESCO, "a parte velha da cidade de Elmina é, provavelmente, o exacto ponto onde foi estabelecido o primeiro ponto de contacto entre Europeus e Africanos [ao Sul do deserto Saara]".

No entanto, rapidamente esse contacto enveredou pelo caminho da transacção comercial.

Em que os ‘objectos’ comprados e vendidos eram pessoas.

Assim, segundo algumas estimativas, entre dez e vinte e oito milhões de africanos foram transportados através do oceano Atlântico entre os séculos XV e XIX para a América (do Sul, Central e do Norte).

13/02/2020

O teatro das operações

Sendo que o lema dos bombeiros de todo o mundo é, na tradução em língua portuguesa, "Vida por vida", é certamente provável que algumas pessoas não percebam por que é que se convencionou chamar, em Portugal, teatro de operações a uma área que, não raras vezes, vive um conjunto de acontecimentos catastróficos para o património material existente e para as pessoas que, por qualquer razão, aí se encontram.

Ou seja, chama-se teatro – um lugar de vida – a uma zona onde pode morrer gente.

Ora, os antropólogos, por exemplo, estão no terreno sempre que se encontram a trabalhar fora de portas, por assim dizer.

12/02/2020

A Liga Hanseática

A Europa do Norte foi uma das regiões do continente que, entre os séculos XI e XIV, um maior dinamismo económico conheceram podendo destacar-se a Flandres (hoje, na Bélgica) e o Norte da Alemanha.

Ora, os mercadores alemães dominavam, pela via marítima, o comércio no mar do Norte e no mar Báltico: levavam vinho e sal de França e tecidos da Flandres e traziam, dos países do Norte e do Leste, trigo, peixe seco, peles e metais. E, ao ‘descerem’ os rios da Rússia, entraram em contacto com países do Oriente.

Assim, as cidades do Norte da Alemanha acabaram por formar, em meados do século XIV, uma associação para a defesa dos seus objectivos comerciais.

Eis a origem da Liga Hanseática – cujo lema foi "Navigare necesse est, vivere non necesse" (ou, em português, "Navegar é preciso mas viver não") – que chegou a agrupar mais de setenta cidades, nem todas alemãs.

Houve, no entanto, um momento em que a Liga reforçou a sua identidade germânica forçando, pois, a saída das cidades que o não eram.

Mas a Idade Moderna acabou por trazer – fruto dos chamados Descobrimentos por Portugal e Espanha – a deslocação do fulcro mercantil para novas áreas na América e na Ásia e uma vez que a Liga não foi capaz de se adaptar a essa nova realidade, acabou por deixar de navegar e, claro, de viver.

11/02/2020

A primeira Cruzada

O Papa Urbano II exortou, no Concílio de Clermont (realizado em 1095), todos os cristãos a juntarem-se à Primeira Cruzada com o objectivo de reconquistar a cidade de Jerusalém aos muçulmanos.

Ora, a Ordem do Santo Sepulcro, nascida no seio da fé católica, foi uma das primeiras a responder à chamada tendo adoptado o lema "Deus vult" ("Deus assim o quer", em português).

Mas, anos depois, foi também o objectivo de servir a vontade de Deus – bem como o desejo não menos ardente de recolher os respectivos despojos – que ‘guiou’ os Cruzados para a ‘libertação’ da cidade de Lisboa da presença muçulmana antes de se dirigirem para o Próximo Oriente.


10/02/2020

O Tratado de Paris

O Tratado de Paris, assinado em 10 de Fevereiro de 1793 pela Grã-Bretanha, França, Espanha e Portugal concluiu, oficialmente, a Guerra dos Sete Anos.

Ora, Espanha foi obrigada a restituir a Portugal a vila de Almeida (actualmente ‘parte’ integrante do distrito da Guarda).

Mas não – apesar de estar, também, legalmente obrigada –, anos depois, Olivença.

08/02/2020

Perder o equilíbrio

"Aquele que se atreve perde, por vezes, o equilíbrio. O que não se atreve, perde-se a si mesmo".




Søren Kierkegaard (1813-1855), filósofo dinamarquês

07/02/2020

La Fayette e o liberalismo em Portugal

O lema do general e político francês La Fayette (marquês de) que viveu no tempo da Revolução Francesa e que foi um dos ‘heróis’ da Revolução Americana – recordo que morreu em Maio de 1834 – era "Cur non?" (ou, em português, "Por que não?").


Assim, por que não também escrever algumas linhas, (muito) poucas..., em relação a alguém que foi igualmente um ‘campeão’ da Liberdade em Portugal?


Ora, foi precisamente em Maio mas do ano 1781 que nasceu, em Itália, Pedro de Sousa Holstein. Veio a tornar-se no primeiro Duque de Palmela e a ele muito se deve pelo triunfo das ideias liberais em Portugal.


06/02/2020

O Japão e Portugal

O sítio electrónico do Museu Nacional de História do Japão refere, por exemplo, que o "governo Tokugawa comerciava com Holandeses e com Chineses em Nagasaki e trocava bens e informações com a Coreia, com Ryukyu (Okinawa, actualmente) e com o povo Ainu em Ezo (Hokkaido, actualmente)".

Sobre o ‘papel’ dos portugueses na História do Japão, nem uma só palavra.

Ora, o que todos, seguramente, esperamos é que a era Reiwa do centésimo vigésimo sexto (126) imperador do país, Naruhito, se apoie no lema do também japonês Museu Nacional da Natureza e da Ciência – "想像力を探る" (ou, em português, "Explora o Poder da Imaginação") para ‘reavivar’ as relações entre o Japão e Portugal.

05/02/2020

Winston Churchill e o massacre de Amritsar


Na Inglaterra do século XVII, o pai do primeiro duque de Marlborough – de seu nome Winston Churchill – era um crente convicto na monarquia e um apoiante férreo do legítimo governante aquando da eclosão de uma guerra civil.


Ora, com a derrota do rei Carlos I, Churchill perdeu a sua casa e as suas propriedades.


Quando Carlos II assumiu o trono que fora ocupado pelo seu pai decidiu dotar aqueles que lhe haviam sido leais do título de Cavaleiro e do direito de escolher e utilizar um brasão.


Mas não devolveu os bens perdidos nem atribuiu qualquer montante compensatório dessa perda.


Assim, o recém-nomeado "Sir" Winston Churchill escolheu para lema a expressão espanhola "Fiel Pero Desdichado" (ou, em português, "Fiel Mas Deserdado").


Tal lema foi, então, transmitido de geração em geração e assumido por aquele que viria a ser o primeiro-ministro do Reino Unido durante grande parte da II Guerra Mundial: Winston Churchill.


No entanto, quem também se terá sentido deserdado – pela sorte, evidentemente – foram os milhões de indianos que morreram enquanto este era governante.


De facto, o domínio político da Índia pela Inglaterra (designada, depois, como "Reino Unido") durou de 1757 até 1947. Ora, em 13 de Abril de 1919 – e numa altura em que Winston Churchill ocupava o cargo de secretário de Estado da guerra –, um chefe militar britânico ordenou aos militares que comandava que disparassem sobre uma multidão que se encontrava reunida pacificamente assassinando, desse modo, centenas de pessoas. No entanto, tal chefe militar acabou mesmo por receber, anos depois, honras de Estado no seu funeral ‘apagando-se’ assim as suas responsabilidades - e as da própria potência colonizadora e seus agentes políticos - naquele que é ainda hoje lembrado como o "massacre de Amritsar".


Anos depois, já em 1943, em plena II Guerra Mundial, o estado de Bengala viu morrer cerca de três milhões de pessoas. Assassinadas pois, já que morreram de fome quando, segundo um estudo publicado no jornal Geophysical Research Letters em Fevereiro de 2019 ("Drought and Famine in India, 1870–2016"), a comida disponível na Índia foi 'exportada' para a metrópole colonizadora para auxiliar nos esforços de combate à tirania do Eixo.


Ora, longe do ´titulo’ de assassino e, eventualmente, genocida, certo é que "Sir" Winston Churchill passou alguns dias de férias na ilha da Madeira – no concelho de Câmara de Lobos – no início do ano de 1950, numa altura em que não tinha ainda sido eleito primeiro-ministro pela segunda vez.

04/02/2020

Duvide-se

Quando a inglesa Royal Society – a primeira organização científica de Inglaterra – foi oficialmente fundada (em 1660) já a Revolução Científica estava em marcha há vários anos.

De facto, fora no Renascimento (que se iniciou, por assim dizer, em Itália no século XV) que haviam sido lançadas as bases da ciência que hoje se faz.

Mas foi nos séculos XVII e XVIII que se deu o grande desenvolvimento teórico (e prático) em disciplinas como a matemática, a medicina, a física e a astronomia.

Ora, a referida Royal Society teve, pouco depois da sua fundação, o ‘beneplácito’ da própria Casa Real inglesa e adoptou como lema a frase "Nullius In Verba" ("Duvidai das Palavras", em português).

Este lema não parece, contudo, ter sido ‘seguido’ pelo próprio monarca inglês que então governava, Carlos II, pois veio a casar com a filha do rei português D. João IV, Catarina de Bragança, acreditando, certamente, em palavras que lhe garantiam ir tal matrimónio fortalecer a aliança política entre Portugal e a Inglaterra e o próprio enquadramento geopolítico desta na Europa.

03/02/2020

Sempre em ascensão

Nasceu em Portugal (talvez no ano de 1537) aquele que viria a tornar-se no primeiro governador da actual província mexicana de Nuevo León.

Efectivamente, Luiz de Carvajal y de la Cueva teve como berço Portugal mas cedo a sua família se mudou para Espanha onde acabou, anos mais tarde, por ser nomeado pelo próprio rei Filipe II (Filipe I em Portugal) governador de uma parcela da "Nova Espanha".

Ora, uma das tarefas inerentes à sua nova função era promover a colonização do território.

Assim, uma das primeiras pessoas a fazê-lo foi precisamente a sua irmã (acompanhada da respectiva família) que, depois, acabaria mesmo por ser acusada pela Inquisição do México (uma espécie de sucursal da instituição sediada em Espanha) da prática de Judaísmo e queimada num auto-de-fé.

O próprio Luiz Carvajal não conseguiu seguir por muito mais tempo o lema que a província de Nuevo León escolheria muitos anos mais tarde – "Semper Ascendens" ("Sempre em Ascensão", em português) – uma vez que foi condenado pela dita Inquisição a exilar-se durante alguns anos embora tivesse, entretanto, morrido na prisão.

01/02/2020

O Estado

"O Estado é o servo do cidadão e não o seu senhor".


John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), político norte-americano


***


"O Estado é o mais frio de todos os monstros. Ele mente friamente. Da sua boca sai esta mentira: "Eu, o Estado, sou o povo"".


Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão