31/01/2020

O navio Gil Eannes

O navio Gil Eannes aportou na doca comercial de Viana do Castelo no dia 31 de Janeiro de 1998.

A sua última viagem aconteceu, portanto, há vinte e dois anos e desde então que é um museu.

Ora, este navio foi construído em 1955 nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo para prestar apoio médico à frota bacalhoeira portuguesa que laborava no Atlântico Norte.

30/01/2020

O naufrágio do "Wilhelm Gustloff"

Foi no dia 30 de Janeiro de 1945 que o paquete com bandeira alemã Wilhelm Gustloff se afundou.


Como, aliás, aconteceu a tantos outros em "águas da Terra" durante a II Guerra Mundial.


Com ele perderam-se, no entanto, mais de nove mil vidas (na sua grande maioria, civis) "às mãos" de submarinos russos.


Foi, até hoje, na Europa, o acidente marítimo que mais matou.

29/01/2020

O caminho marítimo para a Índia

O lema da República da Índia é "सत्यमेव जयत"(ou, em português, "Só a verdade vencerá").

Ora, existem, como sempre acontece, várias verdades.

Uma delas é esta: a Índia, com os seus vinte e nove estados, é ‘casa’ para cerca de mil e trezentos milhões de pessoas.

E outra é também esta: Goa é o mais pequeno dos estados da República indiana ocupando uma superfície de cerca de 3700 quilómetros quadrados. Tendo como capital Panaji (ou Panjim) e como maior cidade Vasco da Gama. Ainda assim, de acordo com os censos realizados em 2011 (os últimos) viviam no estado 1,458,545 pessoas sendo que eram, efectivamente, 394 as pessoas a habitar cada quilómetro quadrado de Goa (já em Portugal a densidade populacional é de cerca de 115 habitantes em cada quilómetro quadrado…).

Recorde-se que partiu de Lisboa em 8 de Julho de 1497 a frota comandada pelo navegador Vasco da Gama com o objectivo de descobrir o caminho marítimo para a Índia passando pelo Cabo da Boa Esperança. Conseguiu-o uma vez que chegou a Calecute, importante cidade e entreposto comercial na costa ocidental da Índia em 17 – ou no dia 18 – de Maio de 1498. Demonstrou, assim, existir uma ligação marítima directa entre a Europa e a Ásia.


28/01/2020

"Deus, Pátria, Rei"

Se o lema oficial de Marrocos é hoje "الله، الوطن، الملك" ("Deus, Pátria, Rei" na língua portuguesa) o lema oficioso da Coroa portuguesa no início do século XV também o era.


Eis, de facto, o parecer do Infante D. Henrique (a quem, mais tarde, chamaram "o Navegador") em relação à conquista portuguesa de Ceuta numa citação que pode ser lida na obra "Documentos sobre a Expansão Portuguesa" que o historiador Vitorino Magalhães Godinho escreveria quase cinco séculos e meio depois:


"Mui alto e mui honrado o excelente rei e Senhor.
Vosso Irmão e servidor o Infante Dom Henrique, governador da Ordem de Cristo (…) respondo ao conselho, que me perguntastes, se era cousa justa de fazerdes guerra aos Mouros da terra de África em as partes de Belamarim.
(…)
Por começo deste conselho, é de saber que os fins desta vida são postas em salvar alma, e honra da pessoa, nome, linhagem, nação, e em alegrar o corpo, e a derradeira em haver ganço temporal.
(…) a quarta, que é de ganço temporal, isto não se deve chamar fim mas azo, e trauta-se para as outras ou para dispender por Deus, ou por a honra sua ou da sua linhagem.
(…)
E da guerra dos mouros ser serviço de Deus não há que duvidar, pois a Igreja o determina. (…) E de ser honra, não quero escrever porque é a maior honra que há nêste mundo. (…) E de ser prazer, entendo que de todos é o maior (…) e este dura para sempre nêste mundo.
(...)
E pois da guerra dos mouros se consegue serviço de Deus e honra e prazer, meu conselho é que obreis nela quanto bem puderdes".


A conquista da praça marroquina de Ceuta – em Agosto de 1415 – marcou o início da expansão marítima portuguesa.

27/01/2020

Holocaustos à direita e à esquerda


Assinalam-se no dia de hoje 75 anos da libertação do campo de concentração e extermínio de Auschwitz (o tal que tinha inscrita no portão de acesso a ‘divisa’ cínica "Arbeit Macht Frei" ["o trabalho liberta"].

Optou-se, por isso, há alguns anos, de o passar a recordar como o Dia Internacional da Memória do Holocausto.

Recorde-se que ao assassinato metódico de milhões de judeus (sobretudo judeus mas não só) europeus pelos adeptos do nacional-socialismo alemão optou por atribuir-se o nome de Holocausto – ou de Shoah.

De facto, este mecanismo de extermínio ‘serviu-se’, em grande medida, do caos provocado pela Segunda Guerra mundial o que, aliás, provaria, mais tarde, que tudo foi executado com extremo pormenor e calculismo: não foi, certamente, por acaso que o historiador britânico Nicholas Stargardt disse já que "desde 1942 que a Shoah era conhecida dos Alemães".

Isto é, da esmagadora maioria do povo germânico.

Efectivamente, uma das coisas que sempre me impressionou nesta barbárie tem a ver com a dicotomia executantes-executados: como é que pessoas que participavam, activa ou passivamente, nessas atrocidades conseguiam, depois, no seu íntimo, ir à igreja e dialogar com Deus, cuidar do seu jardim ou tomar parte em actos familiares e sociais.

Outra das coisas que me tem vindo a causar ‘impressão’ é a atitude de alguns judeus para com os seus vizinhos árabes na Palestina: se reconheço que o Holocausto foi sempre – e sempre será – uma espécie de salvo-conduto para reivindicações internacionais com repercussão interna, evidentemente – "Nós somos os herdeiros dos Judeus que sofreram o Holocausto e, por isso, temos todo o direito a ..." – também reconheço que nem sempre (quase nunca?) a máxima "não faças aos outros o mesmo que não gostarias que te fizessem" tem sido adoptada.

Gostaria, igualmente, de dedicar algumas linhas – poucas, infelizmente – a Holodomor, o quase desconhecido holocausto dos ucranianos que teve lugar há 88 anos.

Foi, assim, em 1932.

A Ucrânia integrava a União Soviética onde era Josef Stalin quem mais ordenava.

Ora, perante uma ordem de colectivização, muitos camponeses ucranianos recusaram integrar as respectivas cooperativas agrícolas (os chamados "kolkhozes") e entregar as suas colheitas.

O resultado?

O confisco da produção de muitos agricultores e, logo, a fome e a doença e milhões de mortos.

Nem só os nazis foram carrascos, portanto.

Numa época em que em muitos governos europeus pululam ideologias baseadas no ódio, na intolerância e na xenofobia parece-me ser premente não se esquecer isso.


"Holodomor", o holocausto dos ucranianos.



25/01/2020

Um dos mais quentes...

Segundo o sítio do Instituto Português do Mar e da Atmosfera: "De acordo com Organização Meteorológica Mundial o ano de 2019 foi o segundo ano mais quente considerando os registos históricos desde 1850, logo a seguir ao ano de 2016. A temperatura do ar média global anual para 2019 foi 1.1 °C acima da média, considerando o período 1850-1900, que representa as condições pré-industriais".

24/01/2020

Clenardo, a Flandres e Portugal

Nascido na Flandres em 1493, Nicolas Cleynaerts (ou Nicolau Clenardo, na sua versão latina) tornar-se-ia num humanista e num pedagogo.



Em suma, um homem do Renascimento.


Ora, foi precisamente nesta condição que foi escolhido para perceptor do Cardeal D. Henrique (tio-avô do rei D. Sebastião).


Mas foi também nesta condição que escreveu algumas missivas.


De facto, uma delas foi a "Carta a Látomo".




"Em Lisboa, a Rua Nova dos Mercadores constitui um quadro vivo da Lisboa manuelina, com os comerciantes de ouro de Sofala, (…) de sedas de Cochim, (…) do gengibre e da pimenta de Malaca, da canela de Ceilão, do marfim da Guiné, (…) das madeiras do Brasil (…). Especulavam nela os oportunistas do negócio de Castela, os mercadores genoveses, biscainhos, sevilhanos, ingleses, flamengos, árabes, que inundavam de produtos europeus o mercado lisboeta e procuravam nele as especiarias raras para derramar por esse mundo de Cristo. A Rua Nova dava a impressão não só de Lisboa, mas da opulência do País inteiro. Não há terra onde as coisas sejam tão caras. Se algures a agricultura foi tida em desprezo é em Portugal. Se há algum povo dado à preguiça sem ser o português, então não sei onde ele exista. Se uma grande quantidade de estrangeiros não exercessem cá as artes mecânicas, creio bem que mal teríamos sapateiros ou barbeiros".




Embora afastado da terra onde havia nascido, talvez Cleynaerts nunca se tenha conseguido também afastar das palavras (e do espírito) do lema que, anos depois, seria assumido pela Flandres: "Wat we zelf doen, doen we beter" ("Fazemos melhor aquilo que nós próprios fazemos", em português).

23/01/2020

A idosa China

2019 foi o ano em que a República Popular da China assinalou sete décadas da sua existência política.

Mas foi também o ano em que aí nasceram, segundo dados compilados pelo gabinete de estatística do país, pouco mais de quatorze milhões e meio de indivíduos – a taxa de nascimentos mais baixa desde a data da sua fundação, 1949 (e se se exceptuar o ano 1961).

Pode, pois, ser a ocasião perfeita para, desde logo, relembrar a espécie de conclusão esboçada pelo artigo "The far-reaching consequences of China’s greying population" (publicado em 2015 pela World review): a de que a China poderia tornar-se "velha" antes mesmo de se tornar "rica"...

22/01/2020

A ASEAN e o fim da terra

O lema da Associação de Países do Sudeste Asiático (ASEAN) é "One Vision, One Identity, One Community" (ou, em português, "Uma Visão, Uma Identidade, Uma Comunidade").

Esta associação conta actualmente com dez Estados-membros: Malásia, Indonésia, Filipinas, Laos, Brunei Darussalam, Vietname, Tailândia, Camboja, Singapura e Birmânia.

Ora, a Coreia do Sul, embora não integre o contingente dos países membros da ASEAN, é um importantíssimo parceiro desta associação, quer no que respeita ao ‘volume’ das trocas comerciais, quer no que se refere ao montante dos investimentos que tem vindo a realizar no seu seio, até porque é a quarta maior economia asiática.

Terá sido, efectivamente, um primeiro contacto caracterizado por "Uma Visão, Uma Identidade, Uma Comunidade" o que definiu o encontro do português João Mendes – o primeiro europeu a pisar solo coreano –, em 15 de Junho de 1504.

E também terá ouvido a palavra "Tomal": significando fim da terra, assentava como uma luva à Coreia (e igualmente a Portugal, claro).

21/01/2020

A Grécia e a metrópole


O território de Atenas ocupou toda a península da Ática.


Ou seja, cerca de 2650 quilómetros quadrados.


Tal dimensão tornou-a na maior das Cidades-Estados da Grécia.


Mas a sua grandeza não foi apenas territorial.


De facto, Atenas conseguiu tornar-se na mais importante das "pólis" gregas porque a sua organização política – e social – foi 'seguida' por muitos outros Estados: muitos dos próprios Atenienses teriam consciência da influência que a 'sua' Cidade exercia sobre outras Cidades do 'mundo' grego: Péricles, um dos 'grandes' políticos de Atenas, chegou a afirmar num dos seus discursos ser “a nossa Cidade a escola da Grécia”.


A Atenas dos séculos V e IV a.C. logrou também tornar-se no maior centro de Cultura (na Europa, claro).


Não terá sido, de resto, mera 'obra' do acaso que Keramikos, em Atenas precisamente, tenha sido já considerada a mais extensa necrópole da Antiguidade grega já que terá sido 'utilizada' entre 3000 anos a.C. e o sexto século depois do (suposto) nascimento de Jesus Cristo.


Ora, se é um facto que nunca a colonização grega chegou ao território que hoje se designa Portugal, o mesmo não se poderá dizer de algumas palavras.


Como a palavra metrópole, por exemplo.

Sendo o lema que a Grécia viria a escolher muitos séculos depois do apogeu de Atenas "Ελευθερία ή θάνατος" ("Liberdade ou Morte", em português), foi com toda a liberdade que esta palavra – formada, por sua vez, pelas palavras mêter=mãe + pólis=cidade – acompanhou Portugal em grande parte da sua História.




20/01/2020

Eça de Queiróz, os portugueses e Portugal

Na missiva que escreveu, a partir de Inglaterra (de Bristol, mais concretamente), a Fialho de Almeida em Agosto de 1888, observou José Maria Eça de Queiróz o seguinte:


"Assim diz V. que os meus personagens são copiados uns dos outros. Mas, querido amigo, uma obra que pretende ser a reprodução duma sociedade uniforme, nivelada, chata, sem relevo, e sem saliências (como a nossa incontestavelmente é) – como queria V., a menos que eu falseasse a pintura, que os meus tipos tivessem o destaque, a dissemelhança, a forte e crespa individualidade, a possante e destacante pessoalidade, que podem ter, e têm, os tipos duma vigorosa civilização como a de Paris ou de Londres? V. distingue os homens de Lisboa uns dos outros? V., nos rapazes do Chiado, acha outras diferenças que não sejam o nome e o feitio do nariz? Em Portugal há só um homem que é sempre o mesmo ou sob a forma de dândi, ou de padre, ou de amanuense, ou de capitão: é um homem indeciso, débil, sentimental, bondoso, palrador, deixa-te ir: sem mola de carácter ou de inteligência, que resista contra as circunstâncias. É o homem que eu pinto – sob os seus costumes diversos, casaca ou batina. E é o português verdadeiro. É o português que tem feito este Portugal que vemos".

18/01/2020

A Ordem da Jarreteira

A Ordem da Jarreteira (ou "The Order of the Garter") é a mais ‘alta’ condecoração da cavalaria do Reino Unido.

Fundada pelo rei Eduardo III de Inglaterra em 1348, apenas a/o monarca do país pôde (e pode) atribuir tal condecoração e somente a personalidades que se tenham destacado pelos serviços prestados à Coroa.

Embora a Ordem da Jarreteira tenha como lema "Honi soit qui mal y pense" (ou, em português, "Envergonhe-se quem vê nisto malícia"), não foi por vergonha, nem por maldade, que o primeiro português a ser agraciado por tal condecoração tenha sido D. João I (fruto do seu casamento com a inglesa Phillipa of Lancaster – ou Filipa de Lencastre) e que o último tenha sido o rei D. Manuel II (que acabou por se exilar em Londres).


17/01/2020

Gulliver e Portugal

O escritor irlandês Jonathan Swift publicou na primeira metade do século XVIII um livro cuja narrativa o faz figurar actualmente como um dos grandes romances da literatura inglesa: "As Viagens de Gulliver".

Pela imaginação e a pena de Swift surgiram, então, as ilhas de Lilliput e de Blefusco.

Ora, o lema dos habitantes desta última era "Rapio Et Abfugio" (ou, em português, "Roubai E Fugi").

No entanto, não foi preciso roubar, nem fugir, para fazer de Portugal – Lisboa (a "Baixa Pombalina") e Mafra (o hoje denominado "Palácio Nacional de Mafra"), por exemplo – o cenário, quase trezentos anos depois de ter sido escrito, d’"As Viagens de Gulliver".

16/01/2020

O espanhol mal falado

Quando o Papa Francisco – o primeiro pontífice jesuíta e também o primeiro com origem no continente americano (Argentina) – se reuniu, em meados de Junho de 2013, com o português José Manuel Durão Barroso, então o presidente da Comissão Europeia, e lhe disse que o português era um "espanhol mal falado" é bem possível que se tenha lembrado do lema do seu pontificado: "Miserando atque eligendo" (ou, em português português bem falado, "Olhou-o com misericórdia e escolheu-o").

Mas o que poderia ainda não saber era que pouco menos de seis anos depois de proferir esse juízo linguístico iria também declarar publicamente que era "preciso ir limpando o Vaticano porque é um Estado que não está a salvo dos pecados e vergonhas de outras sociedades".

15/01/2020

Ribeiro Sanches e a Felicidade

Não foi para a cidade russa de Perm – cujo lema actual é "Счастье не за горами" ("A Felicidade está ao virar da esquina", em português) – mas para Moscovo que o médico e filósofo português (estudara em Coimbra e em Salamanca) António Nunes Ribeiro Sanches se dirigiu, em 1731, a convite da própria imperatriz Ana Ivanovna, sobrinha do também ele imperador russo Pedro, o Grande.

Convite que não foi ‘directo’: foi, de facto, o ‘grande’ professor e médico holandês Herman Boerhaave (na Universidade e na cidade de Leiden) quem indicou Sanches para desempenhar funções junto da soberana russa.

Ora, sendo filho de cristãos-novos (nascido em 1699 em Penamacor, Castelo Branco), fugiu à Inquisição em Portugal e, depois de percorrer alguns dos "centros de cultura" de então, pensou que seria na Rússia que encontraria, finalmente, a felicidade ao virar da esquina: foi, sucessivamente, médico-chefe, médico do exército imperial e médico da Corte.

Mas, perante um novo imperador (Ivan VI) e, principalmente, por ser vítima de intrigas, acabou por sair da Rússia em 1747 dirigindo-se a Paris onde acabaria por falecer mais de trinta anos depois.

Um verdadeiro Aasvero do seu tempo, portanto.

14/01/2020

A arte gótica


O lema da cidade de Paris – "Fluctuat nec mergitur" – (ou, em português, "Flutua mas não se afunda") – adapta-se perfeitamente, por exemplo, a algum do seu património material.

Como a catedral de Notre Dame.

Sacudida por um violento incêndio (já em 2019), a catedral de Notre Dame "flutuou" mas não se "afundou".

Na verdade, a catedral é um verdadeiro símbolo da capital parisiense: associar o nascimento e o desenvolvimento da Arquitectura ao nascimento e ao desenvolvimento da Cidade não é, para muitos, seguramente, estranho.

Terá, pois, sido aquele quem ‘motivou’ a substituição, por exemplo, do estilo românico pelo gótico a partir do século XII.

Ora, a arte gótica surgiu inicialmente nas cidades do Norte de França: a primeira grande obra gótica, por assim dizer, terá sido a catedral de Saint Denis (em Paris) que foi construída em 1141.

Já em Portugal, a "arquitectura gótica" surgiu tardiamente. Se é um facto que o Mosteiro de Alcobaça é uma excepção uma vez que a sua construção se iniciou em 1178, os monumentos ‘mais’ representativos do estilo gótico em Portugal datam do século XIV.

Por exemplo, o Mosteiro da Batalha – ou de Santa Maria da Vitória – começou a ser construído em 1386.

13/01/2020

"O Nosso Bahrain"

Não foi apenas no aspecto comercial que a chegada dos portugueses no início do século XVI ao golfo Pérsico alterou o "statu quo".


De facto, toda a que se pode actualmente designar como geopolítica de toda essa vasta região mudou: o Bahrain, por exemplo, perdeu, então, a sua soberania e o seu ‘brilho’ e só os veio a recuperar vários séculos mais tarde.


Na verdade, quem quer que tivesse lido o estudo "Expat Insider" que o sítio InterNations realizou em 2017 e no qual participaram 12.519 expatriados (emigrantes…) representando 166 nacionalidades e a viverem em 188 países ou territórios – em que foi pedido a cada um dos participantes a atribuição de pontos (de 1 a 7) para avaliar mais de 40 aspectos no que respeitava à vida no país em que residiam abrangendo cinco áreas temáticas ("Qualidade de Vida", "Acolhimento", "Trabalhar no Estrangeiro", "Vida Familiar" e "Finanças Pessoais"), terá facilmente constatado que Portugal se tinha classificado em 5.º lugar no "top 10" das localizações preferidas para expatriados/emigrantes em 2017 ("top 10 expatriate destinations for 2017").


Mas também que o Bahrain ‘obteve’ o primeiro lugar.


Ora, todos os que lhe deram essa vitória passaram a fazer parte do lema do país: "بحريننا" (ou, em português, "O Nosso Bahrain").

11/01/2020

Ingleses e Franceses

Quando a rainha Isabel II (na tradução em língua portuguesa) iniciou oficialmente o seu reinado no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte – em Junho de 1953 – já o lema da monarquia britânica havia sido escolhido séculos antes.

Na verdade, a expressão "Dieu et mon droit" ("Deus e o meu direito", em português) foi adoptada em pleno século XV por Henrique V – sobrinho da esposa do rei D. João I, D. Filipa de Lencastre – embora tivesse sido utilizada como “grito de guerra” pelo rei Ricardo I na sua contenda militar contra o rei francês Filipe II em 1198 (também cento e oitenta e oito anos antes da assinatura, entre Portugal e o reino de Sua Majestade, do Tratado de Windsor que selou a aliança diplomática entre os dois reinos).

Mas o facto da família real da pátria-mãe da língua inglesa (a própria Commonwealth, por exemplo, congrega mais de cinquenta e três países independentes em torno, também, de um idioma comum: o inglês) se ter apropriado de um lema francês, por assim dizer, tem, como não poderia deixar de ser, as suas ‘raízes’ na História: muitos dos primeiros monarcas do reino inglês eram franceses.

10/01/2020

A ilha de Tristão da Cunha

Foi descoberta pelo navegador português Tristão da Cunha em 1506 uma ilha situada nos confins do oceano Atlântico.


Uma ilha a que, apesar de poder não ter conseguido admirar ao vivo já que não terá conseguido desembarcar devido às condições climatéricas adversas, teve o privilégio de poder dar um nome: ilha de Tristão da Cunha.


Mas a ilha de Tristão da Cunha deu lugar, pela passagem do Tempo, a "Tristan da Cunha".


Regida politicamente pelo Reino Unido – e situada a 2816 quilómetros da África do Sul, a 3360 quilómetros do continente americano (América do Sul) e a ‘apenas’ 2430 quilómetros do seu ‘vizinho’ mais próximo, a ilha de Santa Helena, onde Napoleão Bonaparte se exilou depois de "Waterloo" –, "Tristan da Cunha" só começou a ser permanentemente habitada mais de trezentos anos depois da sua descoberta: não admirará, por isso, que actualmente só aí vivam cerca de 275 pessoas (‘espalhadas’ por menos de cem quilómetros quadrados).


Ora, sendo o lema de "Tristan da Cunha" "Our faith is our strenght" (ou, em português, "A nossa fé é a nossa força"), só com muita fé é que poderão os seus poucos habitantes aguentar, de facto, tal isolamento.

09/01/2020

O "pai da Europa"

Depois de três décadas de guerra, Carlos Magno conseguiu alargar bastante as fronteiras do reino franco incorporando na Europa cristã zonas ainda consideradas bárbaras bem como territórios até então governados pelos Muçulmanos.

Coroado imperador pelo Papa, em Roma, no dia de Natal do ano 800, Carlos Magno – que acabaria por reinar quarenta e cinco anos – foi ‘cabeça’ de um império com uma dimensão territorial muito inferior à atingida pelo Império Romano e sem a vertente marítima deste: o Império Carolíngio era um império continental e o seu eixo de poder estava agora no Norte da Europa.

Ainda assim, não foi por acaso que o lema de Carlos Magno foi "Per me Reges regnant" ("só Através de mim os Reis mandam", em português).

Por muitos considerado, por isso mesmo, o "pai da Europa", foi decidido criar, muitos séculos depois da sua morte, em 1950, o "Prémio Carlos Magno" para distinguir personalidades que tivessem contribuído para fortalecer a unidade e a coesão do continente europeu.

Ora, António Guterres, o português secretário-geral da Organização das Nações Unidas (a ONU) tornou-se, em 2019, o primeiro português a receber tal distinção.

08/01/2020

Seguir em frente

"Se não conseguires voar, corre. Se não conseguires correr, anda. Se não conseguires andar, rasteja. No entanto, faças o que fizeres, assegura-te de que continuarás a seguir em frente".



Martin Luther King, Jr. (1929-1968), activista norte-americano

07/01/2020

"T-shirts" portuguesas

No Campeonato Mundial de futebol que se realizou em 2014 no Brasil participaram trinta e duas selecções.

E, entre elas, a portuguesa.

De facto, o lema da selecção ‘A’ de futebol de Portugal nessa competição mundial foi "O passado é história, o futuro é a vitória".

Ora, parece que este mesmo lema foi igualmente seguido noutras dimensões que não a meramente desportiva: cerca de dois terços de noventa modelos de "t-shirts" para uso dos adeptos no apoio às selecções que iriam disputar o Mundial 2014 continham substâncias tóxicas, designadamente cádmio e (outras) substâncias cancerígenas, de acordo com testes realizados por uma empresa multinacional líder na prestação de serviços de inspecções e certificações feitos em conformidade com as normas europeias. Pelo contrário, as "t-shirts portuguesas" – bem como as produzidas na Bósnia Herzegovina –, passaram nos testes em toda a linha: além de não apresentarem quaisquer substâncias tóxicas nocivas para a saúde, destacaram-se ainda pela qualidade dos acabamentos e pelo aspecto após a lavagem.


06/01/2020

Ou guerra ou dignidade...

"Cada arma de fogo que é produzida, cada navio de guerra que é posto no mar e cada míssil que é disparado [significam] um roubo a todos os que têm fome e que não se podem alimentar e a todos os que têm frio e que não se podem vestir".



Excerto de um discurso proferido pelo 34.° presidente dos Estados Unidos da América, Dwight Eisenhower ("Ike"), em Agosto de 1953.

04/01/2020

Aomen para além do jogo

Já aqui escrevi algumas vezes sobre Macau e agora não é, justamente, excepção.

Ora, ao mesmo tempo que assinalava os vinte anos da transição política e administrativa de Portugal para a China, as autoridades de Pequim expressaram a ambição de que a economia de Macau - ou Aomen, em mandarim - deixasse de estar tão dependente do Jogo (fisicamente encarnado pela 'figura' do casino) e se expandisse para os sectores do Turismo e da Finança, sobretudo.

Assim, ao ler sobre este desejo não pude deixar de me lembrar do pensamento 'geral' que o arquitecto macaense Carlos Marreiros expressou sobre "esta matéria" numa reportagem especial, por assim dizer - "Chão de Macau", se não me engano - que foi emitida, televisivamente, em 2012: imaginasse-se, referiu, que num futuro mais ou menos próximo Cantão [região onde Macau se 'insere'] resolvia liberalizar o Jogo. Então, concluiu, Macau morreria.

03/01/2020

O medo colectivo

"O medo colectivo estimula o instinto de rebanho e tende a provocar a fúria para com aqueles que não são vistos como membros do rebanho".


Bertrand Russell (1872-1970), filósofo e matemático inglês

02/01/2020

Calouste Gulbenkian

Quando morreu, em Lisboa, em Julho de 1955, o empresário e coleccionador que havia nascido na cidade turca de Istambul mas que tinha ‘raízes’ familiares – ou seja, étnicas e culturais – na Arménia, Calouste Gulbenkian, tinha dois pequenos papéis no bolso.

Um com duas frases do empresário norte-americano Henry Ford e o outro também com uma frase do filósofo romano Séneca.

Ora, as frases de Henry Ford eram estas: "Do your own work, mind your own business, and don’t engage in controversy – that’s the way to get along. And, above all else, keep away from lawyers, they’re bound to get you into trouble" (ou, em língua portuguesa, "Faz o teu próprio trabalho, cuida dos teus próprios assuntos e não te envolvas em conflitos – é a melhor forma de te dares bem. E, acima de tudo, afasta-te dos advogados, é provável que te metam em sarilhos"***).

E a de Séneca: "Vivez chaque jour comme si ce jour representait les limites de votre vie et rendez-le aussi agreable que possible parce qu’il contient la seule realite dont vous disposiez" (ou, em português, "Viva cada dia como se esse dia representasse os limites da sua vida e torne-o tão agradável quanto possível, porque ele contém a única realidade de que dispõe").

Assim, com esta ‘bagagem’ ética e moral, não admirará que o lema de Calouste Gulbenkian – como coleccionador, sim, mas não só – fosse "only the best is good enough for me" (ou, em português, "apenas o melhor é para mim suficiente").




*** Curiosamente, o sítio da Fundação Calouste Gulbenkian na "Internet" (https://gulbenkian.pt/) refere o seguinte: "Em testamento (1953) deixou importantes legados aos seus filhos, definiu pensões vitalícias para outros familiares e colaboradores, e estabeleceu a constituição de uma fundação internacional, com o seu nome, herdeira do remanescente da sua fortuna, com sede em Lisboa, presidida pelo seu advogado de confiança, Lord Radcliffe. A ele confiou a missão de agir em benefício de toda a "humanidade"".