Na missiva que escreveu, a partir de Inglaterra (de Bristol, mais
concretamente), a Fialho de Almeida em Agosto de 1888, observou José
Maria Eça de Queiróz o seguinte:
"Assim
diz V. que os meus personagens são copiados uns dos outros. Mas,
querido amigo, uma obra que pretende ser a reprodução duma
sociedade uniforme, nivelada, chata, sem relevo, e sem saliências
(como a nossa incontestavelmente é) – como queria V., a menos que
eu falseasse a pintura, que os meus tipos tivessem o destaque, a
dissemelhança, a forte e crespa individualidade, a possante e
destacante pessoalidade, que podem ter, e têm, os tipos duma
vigorosa civilização como a de Paris ou de Londres? V. distingue os
homens de Lisboa uns dos outros? V., nos rapazes do Chiado, acha
outras diferenças que não sejam o nome e o feitio do nariz? Em
Portugal há só um homem que é sempre o mesmo ou sob a forma
de dândi, ou de padre, ou de amanuense, ou de capitão: é um homem
indeciso, débil, sentimental, bondoso, palrador, deixa-te ir:
sem mola de carácter ou de inteligência, que resista contra as
circunstâncias. É o homem que eu pinto – sob os seus costumes
diversos, casaca ou batina. E é o português verdadeiro. É o
português que tem feito este Portugal que vemos".
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