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16/12/2019

Baruch Spinoza e René Descartes

Aquele que viria a tornar-se uma das incontornáveis figuras da filosofia feita na Europa – por exemplo, o seu "Tractatus Theologico-Politicus" e a sua "Ética" foram, por seu lado, bastante influenciados pelas ideias do filósofo e matemático francês René Descartes, precursor do racionalismo e do método científico e que tinha como lema "De omnibus dubitandum est" ("Duvidai de tudo", em português) – no século XVII nasceu na capital holandesa em 1632 e adoptou como lema a palavra latina "Caute" ("Cautela", em português).

De facto, talvez tenha sido mesmo a cautela o motivo pelo qual os pais portugueses judeus de Baruch (ou Benedito) Spinoza decidiram fugir à Inquisição.

Isso e o poderem ter ‘incorporado’ o versículo doze do quarto capítulo do livro do Génesis da Bíblia – "Serás um fugitivo errante sobre a terra" – sendo que Spinoza defendia, precisamente, que a principal diferença entre Deus e o mundo (terreno, pois) não era senão de pontos de vista.

Quanto a Descartes, e uma vez que duvidava de tudo, terá também duvidado que alguém – no caso, o neurologista português António Damásio – pudesse, mais de trezentos anos após a sua morte, ter dúvidas em relação a uma parte do seu trabalho propondo, por isso, uma nova interpretação do mesmo com "O Erro de Descartes".

Ora, quer Spinoza, quer Descartes, por este ‘percurso’ livre não deixaram de ser incluídos no Índex (Index Librorum Prohibitorum), lista de obras cuja leitura estava interdita aos seguidores da fé católica.