20/12/2019

"A Pátria Honrai Que A Pátria Vos Contempla"

Foi no ano de 1513 que os navegadores portugueses chegaram à terra que haveria de se chamar Macau.

Desconfiados, os chineses acabaram por erguer uma fronteira entre o território ‘dos’ portugueses e a China: a Porta do Cerco.

Ora, séculos depois, num restauro, foi-lhe incorporado o lema da Marinha Portuguesa – "A Pátria Honrai Que A Pátria Vos Contempla".

Mas, na verdade, se se passarem os olhos pelo livro do jornalista José Pedro Castanheira "Os 5 dias que abalaram Macau" talvez se consiga descobrir que "Macau sempre tinha sido olhado pela capital do império com menos atenção, desinteresse e indiferença".

E se se procurarem outros documentos escritos na época da mudança oficial de soberania (que aconteceu em 20 de Dezembro de 1999) – como peças jornalísticas, por exemplo – talvez se descubram ‘pérolas’ como a de um assessor do então governo (ainda português) de Macau referir que o território havia sido, até há poucos anos, um deserto absoluto de desinteresse por parte de Portugal. Ou o subdirector dos Serviços de Turismo de Macau – um português natural de Macau – declarar, em Maio de 2004, que Portugal nunca tivera a noção exacta do que era Macau pelo que não cumpria o seu papel perante a história.

No entanto, indiferente a tanta indiferença, a Porta do Cerco ainda hoje existe e consta, até, da lista de Património Mundial da UNESCO.

Sem comentários: