O
comendador Inácio Steinhardt
lembrou já no seu livro "Raízes dos judeus em Portugal : entre godos e sarracenos" que
quando "D. Afonso Henriques obteve o reconhecimento do seu reino
independente, em 1143, já viviam judeus na Península há pelo menos
um milénio".
Ora,
o historiador e professor
Charles Ralph Boxer, também
no seu
livro "O
Império Marítimo Português 1415-1825" escreveu
sobre a existência de "uma
história muito conhecida segundo a qual D. José estava a considerar
uma proposta da Inquisição no sentido de que todos os
cristãos-novos [judeus convertidos ao cristianismo] do
seu reino deveriam ser obrigados a usar chapéu branco como um sinal
de que tinham sangue judeu. No dia seguinte, [o Marquês de] Pombal
apareceu no gabinete real com três chapéus brancos, e explicou que
tinha trazido um para o rei, outro para o inquisidor-mor e outro para
si próprio".
De
facto, segundo vários estudos genéticos que têm vindo a ser
feitos, serão actualmente cerca de 20% (ou mesmo mais) dos
portugueses aqueles que têm ascendência judaica.
Ou
seja, atingindo uma percentagem talvez maior do que aquela existente,
por assim dizer,
em países como os Estados Unidos da América ou a Rússia, a muitos
portugueses ‘dirá’ muito
(desculpe-se-me a repetição) o
lema de Israel – "ישראל"
("Israel",
em português).
***
Quem
quer que visite a igreja da Memória, em Lisboa, não deixará,
decerto, de ficar impressionado com o facto de a urna que contém os
restos mortais de Sebastião José de Carvalho e Melo – o Marquês
de Pombal – ser tão pequena quando comparada com muitas daquelas
que hoje conhecemos.
No
fundo, como é que alguém que foi tão ‘grande’ em vida pôde,
na morte, ‘habitar’ tão diminuta ‘caixa’?
Ora,
talvez o(s) autor(es) daquilo que o Marquês de Pombal não teria
deixado de considerar "uma tão grande afronta" tenha querido
transmitir isso mesmo: na morte, todos somos iguais. Grandes e
pequenos.


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