27/08/2019

A Conferência de Berlim

Pude ler, na pequena ‘nota’ de introdução ao documento "Migration: boosting development in Africa to create alternatives" que o Parlamento Europeu preparou, o seguinte:

"Crescimento económico e evitar que as pessoas tenham que abandonar a sua terra são alguns dos desafios que os países africanos enfrentam. Uma nova estratégia União Europeia-África proposta pelos Estados-membros estabelece de que forma é que o desenvolvimento pode fazer a diferença".

E, também, que "Desde que a crise migratória surgiu, os países europeus têm vindo a prestar mais atenção ao que tem vindo a acontecer em seu redor, particularmente em África".

Mas só agora se percebeu que apenas o facto de os países proporcionarem boas ‘condições de vida’ pode evitar a fuga das suas populações em busca de uma vida, noutro país, que lhes permita alcançar mais e melhores condições económicas, por exemplo?

E que só a chamada crise migratória levou a que a Europa se interessasse mais com o que se estava a passar ao seu lado, por assim dizer?

E pude também ler, entretanto, um artigo que David Pilling assinou na edição digital do jornal britânico Financial Times cujo título era "Africa is not immune from secessionist sentiment".

"Os Estados africanos modernos foram criados na Conferência de Berlim de 1884-1885 por potências coloniais com poucos conhecimentos acerca das realidades étnicas, políticas e geográficas" em presença, concluiu.

Ora, parece-me que os ‘resultados’ de tal estratégia (ou falta dela) têm estado à vista de todos...

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