06/08/2019

Ataques infames


O lema da divisão de engenharia do exército do Estados Unidos da América é "Essayons" ("Tentemos", em português).

Ora, esta divisão foi, depois de tentar, claro, a responsável pela construção e desenvolvimento da bomba atómica sendo que um ‘exemplar’ da mesma foi, há setenta e quatro anos (no dia 6 de Agosto de 1945), lançado por um avião militar ao seu serviço sobre a cidade japonesa de Hiroshima.

Uma bomba atómica (ou nuclear, se se quiser) com a capacidade de destruição conferida por uma potência equivalente a cerca de 15 mil toneladas de TNT (trinitrotolueno).

Foi, de facto, no dia 6 de Agosto de 1945 e a referida bomba tinha o nome Little boy ("criança").

Que cinismo.

Dar-se um nome que significa "alegria" e, na verdade, "vida", a um engenho que tinha sido concebido para aniquilar milhares de pessoas e arrasar uma cidade.

Assim, cerca de 80 mil pessoas morreram instantaneamente e mais de 110 mil faleceriam, depois, vitimadas pelas radiações e pelas complicações delas decorrentes.

Dias depois – a 9 de Agosto – seria a vez da também nipónica cidade de Nagasaki ser pulverizada por uma uma bomba vinda do ar (igualmente nuclear) com um poder de destruição equivalente ao proporcionado por 21 mil toneladas de TNT.

Levando a morte, de forma instantânea, a mais de 70 mil pessoas.

Ou seja, cerca de 270 mil mortos e duas cidades inteiramente reduzidas a pó (ou quase…).

Mas, para os senhores da guerra (ou da paz, dirão outros), tal destruição tinha valido a pena: a 14 de Agosto de 1945, cinco dias após a bomba sobre Nagasaki ter sido lançada, o imperador japonês Hirohito (avô do actual imperador) anunciou a rendição do Japão (uma das três potências que formavam o "Eixo") pondo, desse modo, fim à II Guerra Mundial.

Recordo, no entanto, um excerto do discurso proferido pelo presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt em 8 de Dezembro de 1941 a propósito do ataque, ocorrido na véspera, de navios e aviões japoneses à base norte-americana de Pearl Harbor: "a date which will live in infamy" ("uma data infame").

Ora, infame é, também, a palavra que escolho para caracterizar cada um dos ataques norte-americanos.

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