08/09/2020

Tortura e Pena Capital na Europa, ontem e hoje

Foi um sentimento de imenso horror aquele que se tinha apoderado do meu espírito ainda
adolescente quando acabei de ver a exposição "Instrumentos Europeus de Tortura e Pena Capital – Desde a Idade Média até ao Século XIX" que o Palácio das Galveias, em Lisboa, acolheu no fim da década de 1990.

Ora, compreendi, anos mais tarde, que o facto de me ter sentido horrorizado se tinha devido,
unicamente, à incapacidade para conceber que o espírito humano tivesse podido inventar
instrumentos para, fisicamente, torturar o Outro e, espiritualmente, destrui-lo inteiramente (confesso que desconhecia, ainda, o que o astrofísico canadiano Hubert Reeves havia escrito no seu "Malicorne": "No pequeno Homo Sapiens tudo é excessivo. Nele, intimamente misturados, estão o sublime e o horrível. Há nele, em potência, Wolfgang Amadeus Mozart e Adolf Hitler"…).

Claro que hoje, na Europa, em nome da ‘civilização’, os sistemas judiciais já não recorrem a objectos físicos para exercer Tortura e sentenças capitais sobre alguns indivíduos mas será que a aniquilação mental e a violência psicológica não continua a ser amplamente praticada pela quase totalidade dos Estados (ou mesmo por todos)?

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