Foi
um sentimento de imenso horror aquele que se tinha apoderado do meu
espírito ainda
adolescente
quando acabei de ver a exposição "Instrumentos Europeus de
Tortura e Pena Capital – Desde
a Idade Média até ao Século XIX" que o Palácio das Galveias, em
Lisboa, acolheu no fim da década
de 1990.
Ora,
compreendi, anos mais tarde, que o facto de me ter sentido
horrorizado se tinha devido,
unicamente, à incapacidade para conceber que o espírito humano tivesse podido
inventar
instrumentos
para, fisicamente, torturar o Outro e, espiritualmente, destrui-lo inteiramente (confesso
que desconhecia, ainda, o que o astrofísico canadiano Hubert Reeves
havia escrito no seu "Malicorne": "No pequeno Homo Sapiens tudo é excessivo. Nele, intimamente
misturados, estão o sublime
e o horrível. Há nele, em potência, Wolfgang Amadeus Mozart e
Adolf Hitler"…).
Claro que hoje,
na Europa, em nome da ‘civilização’, os sistemas judiciais já
não recorrem a objectos físicos para exercer Tortura e sentenças
capitais sobre alguns
indivíduos mas será que a aniquilação mental e a violência psicológica
não continua a ser amplamente praticada pela quase totalidade dos
Estados (ou mesmo por todos)?
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