24/09/2020

Ceuta, Porto e Lisboa

À cidade marroquina de Ceuta foram, pelo rei espanhol Filipe IV no século XVII, atribuídos os títulos que ainda hoje compõem o seu lema: "Noble, Leal y Fidelísima" ("Nobre, Leal e Fiel", em português).

No entanto, se a posse política e administrativa de Ceuta foi, a partir do referido século XVII, exercida por Espanha, foi de outro país que partiu, em Agosto de 1415, uma armada que pretendia conquistá-la.

Portugal.

Mais concretamente, de uma cidade cujo lema – "Mui Nobre e Sempre Leal Cidade" – poderia ter servido de inspiração para os castelhanos: Porto.

Ora, sendo essa conquista alcançada, foi uma outra cidade portuguesa – Lisboa – quem conseguiu tecer mais profundos laços com Ceuta.

Assim, partindo da exposição "Lisboa 1415 Ceuta" que os Paços do Concelho da capital portuguesa acolheram no início do ano de 2016 e do respectivo guia explicativo da dita exposição que dizia, por exemplo, que "Séculos de relação entre Lisboa e Ceuta, que se manteve mesmo quando as duas cidades seguiram caminhos políticos distintos, asseguraram uma recíproca presença na memória das duas comunidades", pedi a quem a coordenou que, resumidamente, me explicasse essa ‘profundidade’ de laços:


"Por um lado há toda uma história dos séculos XVIII e XIX em que as relações se mantém, apesar da pertença a países distintos. Por outro, (…) há toda uma simbólica de relações que chega aos dias de hoje, em vários domínios. O facto de Lisboa e Ceuta partilharem bandeiras, o facto de Av. de Lisboa e Av. de Ceuta serem das principais ruas das duas cidades (em Madrid a Rua de Ceuta é uma coisa insignificante), enfim, em vários domínios há uma memória, uma representação que se faz da outra cidade muito superior, mais expressiva, do que o real peso da relação e da importância histórica das duas cidades, quase uma coisa mítica".

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