Um projecto de
engenharia civil foi, há dias, apresentado como sendo o salvador das
catacumbas da cidade egípcia de Alexandria pois permitirá manter as
galerias funerárias ao abrigo da subida do nível das águas
subterrâneas.
De facto, a instalação
de um conjunto de bombas de drenagem mais não foi do que uma espécie
de união entre a Engenharia Civil e a Arqueologia que permitirá
eliminar definitivamente um problema que vinha ameaçando esse
‘testemunho vivo’ de uma parte da História do Egipto desde há
mais de um século (data da sua ‘descoberta’ recente…).
Excelente colaboração!
***
Aproveito a oportunidade
de estar a escrever sobre a cidade de Alexandria para recordar a
conferência “Islam Today and Intercultural Dialogue” que
decorreu nas instalações da Universidade Lusófona no passado mês
de Outubro.
Ora,
uma das palavras que mais ouvi pronunciar foi tolerância.
Ouvi-a
das bocas de vários intervenientes (da do Dr. Mostafa el Feki,
director da Nova Bibliotheca Alexandrina, no Egipto e da do Sheikh
David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa, por exemplo).
Tolerância
em relação àqueles que praticam a fé muçulmana, claro.
Ou
seja, onde quer que os fiéis muçulmanos estejam em minoria, por
assim dizer.
Mas
o que se passa quando, ao invés, estão em “maioria”?
Não
sei: se existem vários exemplos de convivência pacífica que
poderia citar – como a testemunhada em várias regiões de Portugal
há bastantes séculos e por inúmeras comunidades de judeus, de
cristãos coptas e de drusos no ‘mundo’ islâmico –, posso
também citar vários exemplos de sectarismo religioso nesse mesmo
‘mundo’ islâmico – como as acções do Estado Islâmico.
Opto,
ainda assim, por uma ‘dimensão’ específica.
De
acordo com o Committee to Protect Journalists – ou, em
português, o Comité de Protecção aos Jornalistas – seis dos dez
países que, em 2017, mais profissionais do jornalismo tinham presos
eram muçulmanos (se se quiser simplificar assim): Turquia, Egipto,
Azerbaijão, Síria (ou, melhor, o que restava do país…), Arábia
Saudita e Bahrain.
Ou
seja, tais dados sugerem que esta “abertura de espírito” – a
tolerância – nem sempre é respeitada e ‘exercitada’ se
em vez de apelarmos a outros para serem condescendentes, tivermos nós
que ser os “sujeitos activos” sobre quem recaiem as
responsabilidades de cumprir – e de fazer cumprir – a existência
, neste caso em particular, da liberdade de expressão e de
informação...