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16/05/2023
SPQR: hoje e ontem
As camisolas oficiais dos jogadores da equipa principal de futebol da "Associazione Sportiva Roma" – ou, simplesmente, "Roma" – não serão, no actual ‘universo’ desportivo, das mais exuberantes no que à representação gráfica diz respeito: contêm, apenas, o símbolo do seu patrocinador, o símbolo do clube e um acrónimo.
Com efeito, o acrónimo é SPQR.
"SPQR" corresponde à expressão latina "Senatus Populusque Romanus".
Ou, na língua portuguesa, "O Senado e o Povo de Roma".
Assim, esta expressão pretendia exprimir uma espécie de união espiritual entre duas entidades – o Senado e o Povo – que davam consistência política, social, económica e cultural a uma cidade – Roma – que era também a "cabeça" de um império – o Império Romano.
Ora, aos soldados da máquina de guerra romana era tatuado este mesmo conjunto de letras.
E porquê?
Haveria, pelo menos, três objectivos para essa impressão na pele: o primeiro era identificar o soldado (a sua pertença a uma legião e, portanto, enquanto funcionário do Estado e, pois, do Império); o segundo era não permitir ao seu portador o esquecimento a quem devia obediência; e o terceiro era permitir a sua exibição pública perante o Outro (sobretudo, o adversário/o inimigo/o conquistado) fazendo-lhe saber quem era(m) o(s) seu(s) senhor(es) enviando uma mensagem de força e de poder.
Assim, alguns legionários – isto é, alguns dos referidos soldados – eram encarregados de transportar (e transmitir visualmente, pois) a inscrição "SPQR": eram os "vexillarius" (pois transportavam o "vexillum" que era a espécie de pavilhão em que a insígnia "SPQR" estava graficamente disposta).
Efectivamente, hoje já não existe o império.
Mas existe o povo e a cidade.
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