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12/01/2023

Churchill racista?

Foi já há alguns dias que tive a oportunidade de ler o texto do artigo que a revista inglesa "Spectator" publicou com o título "Was Winston Churchill a racist? A look at the evidence". De facto, depois de ‘analisar’ cerca de vinte milhões de palavras da autoria do antigo primeiro-ministro britânico (‘inseridas’ em livros, artigos, discursos bem como em cartas e outros documentos privados, por assim dizer) e ainda sessenta milhões de palavras sobre Churchill em livros biográficos e de "memórias" concluiu que não. Que não era racista. Ora, ainda que acredite sinceramente que tal conclusão seja indiferente, aproveito para lembrar um texto que publiquei aqui no blogue em 5 de Fevereiro de 2020: "Winston Churchill e o massacre de Amritsar". Já que os actos são bem mais elucidativos do que as palavras… "Na Inglaterra do século XVII, o pai do primeiro duque de Marlborough – de seu nome Winston Churchill – era um crente convicto na monarquia e um apoiante férreo do legítimo governante aquando da eclosão de uma guerra civil. Ora, com a derrota do rei Carlos I, Churchill perdeu a sua casa e as suas propriedades. Quando Carlos II assumiu o trono que fora ocupado pelo seu pai decidiu dotar aqueles que lhe haviam sido leais do título de Cavaleiro e do direito de escolher e utilizar um brasão. Mas não devolveu os bens perdidos nem atribuiu qualquer montante compensatório dessa perda. Assim, o recém-nomeado "Sir" Winston Churchill escolheu para lema a expressão espanhola "Fiel Pero Desdichado" (ou, em português, "Fiel Mas Deserdado"). Tal lema foi, então, transmitido de geração em geração e assumido por aquele que viria a ser o primeiro-ministro do Reino Unido durante grande parte da II Guerra Mundial: Winston Churchill. No entanto, quem também se terá sentido deserdado – pela sorte, evidentemente – foram os milhões de indianos que morreram enquanto este era governante. De facto, o domínio político da Índia pela Inglaterra (designada, depois, como "Reino Unido") durou de 1757 até 1947. Ora, em 13 de Abril de 1919 – e numa altura em que Winston Churchill ocupava o cargo de secretário de Estado da guerra –, um chefe militar britânico ordenou aos militares que comandava que disparassem sobre uma multidão que se encontrava reunida pacificamente assassinando, desse modo, centenas de pessoas. No entanto, tal chefe militar acabou mesmo por receber, anos depois, honras de Estado no seu funeral ‘apagando-se’ assim as suas responsabilidades - e as da própria potência colonizadora e seus agentes políticos - naquele que é ainda hoje lembrado como o "massacre de Amritsar". Anos depois, já em 1943, em plena II Guerra Mundial, o estado de Bengala viu morrer cerca de três milhões de pessoas. Assassinadas pois, já que morreram de fome quando, segundo um estudo publicado no jornal Geophysical Research Letters em Fevereiro de 2019, a comida disponível na Índia foi 'exportada' para a metrópole colonizadora para auxiliar nos esforços de combate à tirania do Eixo. Ora, longe do ´titulo’ de assassino e, eventualmente, genocida, certo é que "Sir" Winston Churchill passou alguns dias de férias na ilha da Madeira – no concelho de Câmara de Lobos – no início do ano de 1950, numa altura em que não tinha ainda sido eleito primeiro-ministro pela segunda vez".