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02/01/2023

O centro que há muito não o é

"Cartografia. Europa pode deixar de ser o centro do mapa-múndi". Eis o que há dias li na capa de um jornal publicado em Portugal. Ora, o título faz referência a uma hipótese: "pode deixar". Mas, na minha opinião, o contexto aludido – o cartográfico – é só mais uma dimensão da existência de um continente do planeta Terra. Assim, o facto de se equacionar que um determinado continente – o europeu, no ‘caso’ – poderá deixar de ser o "centro do mapa-múndi" não é motivo de qualquer admiração: sê-lo-ia, sim, se eu pensasse que um qualquer continente pudesse arrogar-se o direito eterno de figurar no "centro do mapa-múndi" fazendo "tábua rasa" de todos os demais continentes...

19/08/2022

Lourenço, a Europa e o "russki mir"

É certo que aqui citei ontem um escritor russo. Na verdade, desde que o exército russo iniciou uma “operação militar especial” em solo ucraniano não têm sido poucas as vozes a apelar a uma espécie de boicote à cultura russa. Ora, não creio – de todo - que um boicote à cultura de um país com o qual se está em desacordo – neste ‘caso’, quanto à classe política que dirige esse país e a uma acção militar que iniciou – seja a atitude mais ponderada e democrática a encetar pois está a escolher-se precisamente o mesmo “caminho” que se está a criticar… Permita-se-me, assim, que recorde um excerto de uma entrevista que o filósofo Eduardo Lourenço concedeu à RTP e que esta transmitiu em 2016: "A outra nação que não conta para nada nesta Europa chama-se Rússia. A ‘nova Rússia’. Enquanto a ‘nova Rússia’ não for incorporada no jogo capital da Europa, dos países, nós [continente europeu] não vamos para lado nenhum. (…) A Rússia é um país de grande cultura e, sobretudo, é um país que ainda tem uma alma profunda. Aquela nação enquanto tal, enquanto cultura (é a cultura de Dostoievski, é a cultura de Tolstoi: grandes valores que não são apenas valores literários), será sempre imbuída de uma religiosidade profunda".