18/03/2019

Catacumbas e tolerância

Um projecto de engenharia civil foi, há dias, apresentado como sendo o salvador das catacumbas da cidade egípcia de Alexandria pois permitirá manter as galerias funerárias ao abrigo da subida do nível das águas subterrâneas.


De facto, a instalação de um conjunto de bombas de drenagem mais não foi do que uma espécie de união entre a Engenharia Civil e a Arqueologia que permitirá eliminar definitivamente um problema que vinha ameaçando esse ‘testemunho vivo’ de uma parte da História do Egipto desde há mais de um século (data da sua ‘descoberta’ recente…).


Excelente colaboração!



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Aproveito a oportunidade de estar a escrever sobre a cidade de Alexandria para recordar a conferência “Islam Today and Intercultural Dialogue” que decorreu nas instalações da Universidade Lusófona no passado mês de Outubro.

Ora, uma das palavras que mais ouvi pronunciar foi tolerância.

Ouvi-a das bocas de vários intervenientes (da do Dr. Mostafa el Feki, director da Nova Bibliotheca Alexandrina, no Egipto e da do Sheikh David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa, por exemplo).

Tolerância em relação àqueles que praticam a fé muçulmana, claro.

Ou seja, onde quer que os fiéis muçulmanos estejam em minoria, por assim dizer.

Mas o que se passa quando, ao invés, estão em “maioria”?

Não sei: se existem vários exemplos de convivência pacífica que poderia citar – como a testemunhada em várias regiões de Portugal há bastantes séculos e por inúmeras comunidades de judeus, de cristãos coptas e de drusos no ‘mundo’ islâmico –, posso também citar vários exemplos de sectarismo religioso nesse mesmo ‘mundo’ islâmico – como as acções do Estado Islâmico.

Opto, ainda assim, por uma ‘dimensão’ específica.

De acordo com o Committee to Protect Journalists – ou, em português, o Comité de Protecção aos Jornalistas – seis dos dez países que, em 2017, mais profissionais do jornalismo tinham presos eram muçulmanos (se se quiser simplificar assim): Turquia, Egipto, Azerbaijão, Síria (ou, melhor, o que restava do país…), Arábia Saudita e Bahrain.

Ou seja, tais dados sugerem que esta “abertura de espírito” – a tolerância – nem sempre é respeitada e ‘exercitada’ se em vez de apelarmos a outros para serem condescendentes, tivermos nós que ser os “sujeitos activos” sobre quem recaiem as responsabilidades de cumprir – e de fazer cumprir – a existência , neste caso em particular, da liberdade de expressão e de informação...

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