12/03/2019

"In varietate concordia"?

Apesar de conter em si mesmo uma das características fundamentais da Democracia – o compreender-se e aceitar-se a chamada diversidade (étnica, de opinião, por exemplo) –, terá imensas dúvidas quem quer que se interrogue, em Portugal, como em quase trinta países, sobre o facto do lema da União Europeia – "In varietate concordia" ("Unidos na diversidade", em português) – poder ter sido inicialmente concebido a pensar na retórica (e na violência física que, não raras vezes, a tem acompanhado) do anti-semitismo, da chamada extrema-direita e do "populismo".

Ora, esse "quem quer que se interrogue" poderia mesmo convocar o pessoal político que governa actualmente a Europa para a/o ajudar a compreender melhor essa questão.


Isto no sentido figurado, claro.


Mas não é no sentido figurado que podem ser entendidas as conclusões de um dos mais recentes estudos do Eurobarómetro - o número 90, "Public opinion in the European Union": não são muitos os cidadãos europeus satisfeitos com a governação da União Europeia.


Embora a 'leitura' adoptada no boletim refira, compreensivelmente, que "mais de quatro em cada dez cidadãos europeus confiam na União Europeia" – e que mais de um terço destes confia no 'seu' governo e no 'seu' Parlamento nacionais –, pode fazer-se uma outra 'leitura'.


Que é esta: 48% dos mais de 500 milhões de cidadãos que vivem no seio da União Europeia não confiam, pura e simplesmente, nas instituições governativas da União (desde logo, a Comissão) e 65% não se revêem nem na equipa governativa do seu país, nem nos deputados (e no trabalho que fazem) nacionais.


De facto, uma maioria importantíssima de cidadãos europeus está completamente 'afastada' da política – nacional e europeia – e vive, se bem que preocupada (com a Imigração, com o Terrorismo e com a Economia, por exemplo), apesar da política e dos agentes políticos.


Perante tão avassaladores números – ou melhor, perante tão avassaladoras realidades 'ilustradas' por números –, "In varietate concordia"?

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