Apesar de conter em si mesmo uma
das características fundamentais da Democracia – o
compreender-se e aceitar-se a chamada diversidade (étnica, de
opinião, por exemplo) –, terá imensas dúvidas quem quer que se
interrogue, em Portugal, como em quase trinta países, sobre o facto
do lema da União Europeia – "In varietate concordia" ("Unidos
na diversidade", em português) – poder ter sido inicialmente
concebido a pensar na retórica (e na violência física que, não
raras vezes, a tem acompanhado) do anti-semitismo, da chamada
extrema-direita e do "populismo".
Ora,
esse "quem quer que se interrogue" poderia mesmo convocar o
pessoal político que governa actualmente a Europa para a/o ajudar a
compreender melhor essa questão.
Isto
no sentido figurado, claro.
Mas
não é no sentido figurado que podem ser entendidas as conclusões
de um dos mais recentes estudos do Eurobarómetro - o número 90, "Public opinion in the European Union": não são muitos os
cidadãos europeus satisfeitos com a governação da União Europeia.
Embora
a 'leitura' adoptada no boletim refira, compreensivelmente, que "mais
de quatro em cada dez cidadãos europeus confiam na União Europeia"
– e que mais de um terço destes confia no 'seu' governo e no
'seu' Parlamento nacionais –, pode fazer-se uma outra 'leitura'.
Que
é esta: 48% dos mais de 500 milhões de cidadãos que vivem no seio
da União Europeia não confiam, pura e simplesmente, nas
instituições governativas da União (desde logo, a Comissão) e 65%
não se revêem nem na equipa governativa do seu país, nem nos
deputados (e no trabalho que fazem) nacionais.
De
facto, uma maioria importantíssima de cidadãos europeus está
completamente 'afastada' da política – nacional e europeia – e
vive, se bem que preocupada (com a Imigração, com o Terrorismo e
com a Economia, por exemplo), apesar da política e dos
agentes políticos.
Perante
tão avassaladores números – ou melhor, perante tão avassaladoras
realidades 'ilustradas' por números –, "In varietate concordia"?
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