19/10/2019

Refugiados professores

Aqui descrevi há dias a situação por que passa o Brasil como sendo de "instabilidade política e social".

Creio que o "diagnóstico" apresentado não foi demasiadamente arriscado, nem pessimista, já que não são poucas as vozes a alertarem que o momento actual da vida brasileira é, na verdade, um perigo para o próprio regime democrático do país.

Ora, apesar dos mais de sete mil quilómetros que me separam – enquanto cidadão a viver em Portugal – do Brasil, creio que o país ainda é – apesar de todas as dificuldades que lembrei já – uma espécie de abrigo e de refúgio para cidadãos de países vizinhos também pouco 'afortunados' (para não dizer mais…): vi, não há muito tempo, imagens televisivas documentando a 'invasão' de pessoas oriundas da Venezuela.

Pois bem, li, há também não muito tempo, o seguinte:


"Que tal aprender um novo idioma com um refugiado? Estão abertas as inscrições para os cursos regulares de inglês, francês e espanhol do 2º semestre no ***** *****. As aulas começam no dia 11 de agosto. Aqui, refugiados no Brasil são capacitados para darem aulas de idiomas em que são fluentes. (...) Muito mais do que o ensino de línguas, o objetivo dos cursos é permitir a imersão dos alunos na cultura dos professores e viabilizar a integração social e a geração de renda [rendimento] para os refugiados que encontram abrigo no Brasil".


Refugiados a ensinar?

É uma excelente ideia!

Creio, até, que para além desse 'mero' acto de ensinar ser dirigido (segundo percebi) para cidadãos 'normais' e 'comuns' poderia ser um exemplo para pessoal político de todo o mundo: como cheguei a ler nas páginas de um jornal português, o então (e actual) presidente norte-americano Donald Trump, no seu encontro com a então primeira-ministra britânica Theresa May, referiu que a imigração é "má" e "triste" para a Europa pelo facto de "alterar a sua cultura" (e por contribuir, disse, para o 'crescimento' da ameaça terrorista).

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